O APOIO INSTITUCIONAL NO CONTEXTO RURAL EM MANAUS, AMAZONAS

Vol.1 - 2021 - 136415
Comunicação Oral
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Resumo

Resumo

Este estudo investigou o trabalho do Apoiador Institucional (AI) com Unidades Básicas de Saúde Fluvial (UBSFs) que atuam de forma itinerante em comunidades rurais remotas de difícil acesso, desafiando a atuação do AI na APS. Estudo qualitativo, que investigou a totalidade da equipe de gestão das UBSFs da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus. Dados coletados através de entrevista e analisados pela Análise de Conteúdo Categorial, apoiada pelo software MAXQDA Analytics Pro 2020. Os resultados evidenciaram que além das atividades prescritas ao AI, este assume responsabilidades sobre as demandas logísticas e de insumos, para a garantia do funcionamento das UBSFs e atendimentos às comunidades rurais. Embora somente um profissional tenha sido formalmente designado como AI, as ações de apoio se espraiam entre os demais membros da gestão. Observou-se uma familiarização do AI com a equipe, uma vez que a atuação embarcada, gera uma imersão no trabalho itinerante, gerando alianças e solidariedades não perceptíveis em trabalho urbano em APS. Conclui-se que o AI, para além das funções prescritas, assume demandas essenciais para as ações das equipes de UBSFs, embora não haja delegação de tomada de decisão pela equipe de nível central, descortinando um processo hierarquizado e centralizador de gestão que necessita assumir um caráter mais democrático, atendendo as demandas em contexto rural

Introdução

Nas revisões de 2011 e 2017 a PNAB instituiu estratégias para estender a cobertura de APS para populações amazônicas mediante implantação de Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF). Apesar da relevância da iniciativa ela se limita a prover atendimento, por via fluvial, a populações geograficamente distantes. No contexto de saúde manauara, as UBSFs realizam atendimentos em todas as comunidades rurais vinculadas ao município, em atendimentos mensais com duração de 10 dias. O AI atua como ferramenta de gestão, auxiliando o reordenamento do trabalho das equipes de saúde. Na atuação em UBSF o AI trabalha embarcado, acompanhando trabalho itinerante desenvolvido pela equipe ao longo dos 10 dias de deslocamento. O trabalho em UBSF fluvial gera desafios operacionais ausentes nas UBS urbanas, demandando intensa atuação administrativa e logística, a fim de garantir a realização da viagem, configurando um leque de atribuições que extrapola largamente o perfil de atuação do AI no contexto urbano. Considerando-se as características da APS em contexto rural fluvial, justifica-se investigar a atuação do AI de equipes de saúde que prestam atendimentos às populações rurais nas UBSF

Objetivos

Investigar a atuação do Apoiador Institucional no processo de trabalho com equipes de UBSFs

Metodologia

Estudo qualitativo, descritivo e exploratório. Os dados foram coletados entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, através de entrevistas semiestruturadas e áudios gravados com 100% (11) integrantes da equipe de gestão local das UBSFs Manaus. A análise dos dados foi realizada à luz da Análise de Conteúdo Categorial (BARDIN, 1977), apoiada pelo software MAXQDA Analytics Pro 2020. Dentre as categorias emergentes do campo priorizou-se a temática das “Ações de Apoio Institucional em contexto rural” Resultados e Discussão O AI favorece elo entre a gestão, a equipe e os usuários, media conflitos e fomenta relações democráticas. Em contexto rural, promove o vínculo da equipe com a gestão local, através de reuniões de alinhamento, assumindo responsabilidades ausentes em UBS urbanas, tal como demandas logísticas e de insumos. O AI tem responsabilidade na manutenção de equipamentos, veículos fluviais, entrega de materiais e garantia de transporte das equipes às comunidades. Apenas um profissional tenha sido formalmente designado como AI, suas atribuições se espraiam sobre os membros da gestão, favorecendo a partilha de tarefas. Na implementação do AI na UBSF, observou-se o não planejamento de suas ações pela gestão, dificultando o entendimento de sua função por outros profissionais. O AI foi identificado como encarregado do gerenciamento da UBSF. Identificou-se a mediação de conflitos em todos os depoimentos, com ênfase nas queixas relativas à carga horária de trabalho em regime fluvial embarcado, que carece de regulamentação trabalhista. O modelo e as práticas de gestão das UBSFs investigadas mimetizam o modo de funcionamento urbano, mostrando-se inadequado para áreas rurais.

Conclusões / Considerações finais

O estudo identificou o papel do apoiador atuando em contexto rural em regime itinerante de trabalho. Além das demandas prescritas, o profissional assume responsabilidades sobre aspectos logísticos e de insumos, de forma a garantir o desenvolvimento das atividades das equipes UBSFs, buscando manter igualmente seu vínculo com a gestão local. Apesar do desenvolvimento das ações de apoio observadas entre os membros da equipe de gestão local das UBSFs, observou-se que importantes decisões ainda permanecem verticalizadas, como a carga horária de trabalho das equipes, o que multiplica os esforços do apoiador na mediação de conflitos. Há que se considerar a necessidade de um modelo de gestão mais democrático, capaz de atender as demandas de equipes e apoiadores em contexto rural.

Referências

BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70. 1977. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.488, de 21 de setembro de 2011. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. CAMPOS G. W. DE S. Um Método para Análise e Co-gestão de Coletivos: a constituição do sujeito, a produção de valor de uso e a democracia em instituições: o método da roda. 5. ed. São Paulo: Hucitec. 2015.

Eixo Temático
  • 4.1. Política, Gestão e Atenção Primária à Saúde