INSERÇÃO DO ESTAGIÁRIO DE GESTÃO HOSPITALAR: RESISTÊNCIAS E DESAFIOS

Vol.1 - 2021 - 137203
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Resumo

Resumo

Um dos desafios vivenciados na condução da saúde pública está ligado ao campo da gestão. O objetivo desse relato é refletir sobre a experiência vivenciada durante a supervisão do estágio dos discentes do curso de Gestão Hospitalar (GH) na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas-UNCISAL. O Núcleo Docente Estruturante - NDE e colegiado, optaram em proporcionar aos discentes a vivência prática dentro da rede hospital escola vinculada à Universidade e próprios docentes dedicaram parte de sua carga horária no acompanhamento dos discentes. Cada docente ficou responsável por supervisionar quatro alunos in loco. Após organização da documentação legal (seguro, termo de compromisso), os alunos foram alocados em uma unidade hospitalar e iniciaram suas atividades e no primeiro momento foi possível perceber a resistência dos setores administrativos e gerenciais em receber estudantes da área de gestão, assim como foi observado o equívoco sobre o perfil do profissional em formação. Na maioria dos casos a gestão hospitalar designava servidores de nível técnico como responsáveis pelo acompanhamento da prática. Podemos concluir que a profissionalização da gestão dos setores de saúde é fundamental para organização gerencial dos serviços e principalmente do sucesso de atendimento as políticas públicas e qualidade da oferta do serviço ao usuário, colaborado e da própria instituição.

Introdução

Com uma estrutura voltada para a formação do indivíduo para gerência processos de trabalho, sistemas de informação, recursos humanos, materiais e financeiros, a formação possibilita coordenar o planejamento estratégico das instituições que ofertam serviços em saúde e/ou empresas prestadoras de serviço em saúde. Empresas de serviços de apoio e logística hospitalar. Empresas operadoras de serviços de saúde e cooperativas de saúde. Empresas que comercializam insumos médico-hospitalares. Institutos e Centros de Pesquisa. Instituições de Ensino, mediante formação requerida pela legislação vigente (CNCST, 2016). O Brasil como um dos maiores e mais complexos serviços de saúde pública do mundo, o 7º país com maior gastos com saúde e com população em processo de envelhecimento (DEPEC/BRADESCO, 2019), torna-se essencial ter na condução destes do planejamento e execução operacional, mão de obra devidamente qualificada na condução da organização de fluxos de trabalho e informações, controle de compras e custos de apoio e logística hospitalar, que levem em consideração a qualidade e a melhoria continua através de indicadores de desempenho na gestão de organizações de saúde (CNCST, 2016).

Objetivos

Objetivo desse relato é refletir sobre a experiência vivenciada durante a supervisão do estágio dos discentes do curso de Gestão Hospitalar (GH) em uma rede de hospitais escola vinculadas a uma universidade estadual do nordeste brasileiro.

Metodologia

A prática de estágio dos discentes do curso de Gestão Hospitalar ocorreram dentro da rede hospital escola, vinculados à Universidade. Participaram da experiências dos docentes efetivos do curso de GH e os alunos do quinto período do curso. Durante a vivência os alunos passaram por vários setores da unidade hospitalar (financeiro, contas médicas, almoxarifado, farmácia, recursos humanos entre outros). Ao final de cada turno de prática era realizado uma reunião para a discussão das percepções dos discentes e a discrição das atividades para fins de confecção do relatório de prática e posterior suporte para confecção do plano de trabalho que seria apresentado como critério de conclusão do período. Resultados e Discussão A partir da visita de ambientação nos setores onde os alunos iriam transitar, foi possível perceber o incomodo causado, situação diferente o observado em setores que recebem estudantes de enfermagem, fisioterapia e medicina. Os alunos relataram a resistência dos servidores em mudar processos, frequentemente processos eram executados manualmente devido a inflexibilidade do gestor do setor em aderir formas mais eficazes. Quanto ao entendimento sobre o perfil de formação houve relato de em que eles foram responsabilizados para executar a tarefa de fotocópia do setor. Enquanto supervisores destacamos que: gestores demonstravam incomodo com a presença do supervisor no campo; não há diálogo dos gestores com os estagiários; há subutilização dos estagiários e consequentemente perda no processo de aprendizagem; cenário foi interessante para os estudantes observarem a distinção entre os aspectos teóricos e a realidade prática; os alunos perceberam que os próprios gestores não sabiam justificar algumas práticas dentro dos setores.

Conclusões / Considerações finais

Podemos concluir que mesmo não havendo a obrigatoriedade de estágio para o curso de graduação tecnológica em Gestão Hospitalar, a inserção dos alunos nas unidade de saúde é indispensável para mudança da percepção e valorização do profissional no campo da saúde e fazer com que ao longo do tempo se valorize a capacitação dos profissionais para operar os serviços, em especial no setor público. Instituições de saúde são estruturas complexas e o aluno, futuro profissional em gestão hospitalar precisa deter conhecimento técnico e experiencial do negócio que está envolvido. As instituições hospitalares, pelo menos da região geográfica atendida pelo curso, ainda não estão preparadas para receber estagiários e contribuir para sua formação. Ocupam os cargos de gestão hospitalar, pessoas sem formação acadêmica e, em algumas situações, sem domínio de competência e/ou ferramentas de gestão necessárias para o desenvolvimento de suas funções.

Referências

Brasil (2016) Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia. Ministério da Educação. 3 edição. Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos. Sistema de Saúde Privado. Bradesco, 2019

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde