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O estudo analisa como experiências de Integração Ensino-Serviço atuam na constituição das Redes de Atenção à Saúde Bucal. Em estudo de caso, do tipo único, integrado, com múltiplas unidades de análise e de abordagem qualitativa, participaram 119 trabalhadores do SUS, 21 estudantes, 14 docentes e 1 usuário. Foram realizados 13 grupos focais apoiados em roteiro com as dimensões das redes: população, sistema operacional e modelo de atenção à saúde. Realizou-se análise textual do discurso com base na Ergologia e nas dimensões avaliativas subjetivas das redes de saúde. As práticas discursivas demonstram que os territórios sociais do SUS se constituem em cenários de experiências de aprendizagens e de construção de subjetividades. Ao apoiar a territorialização, a coordenação do cuidado e a elaboração de itinerários terapêuticos, a Integração Ensino-Serviço colabora para a gestão de elementos subjetivos da rede ̶ a comunicação e a conectividade. Métricas de governança e avaliação impedem a inserção de estudantes, especialmente na atenção especializada. São raros espaços formais de debate sobre Integração Ensino-Serviço com a presença de atores da gestão, serviço, ensino e comunidade, em uma governança que não se constitui em rede.
As complexas transformações sociais do trabalho e da educação impulsionam políticas educacionais de formação de trabalhadores do SUS a tornarem os serviços de saúde percursos curriculares de ensino, constituindo uma Rede Integrada de Atenção e de Ensino na Saúde1. Estudantes trabalham ao mesmo tempo que aprendem e trabalhadores aprendem enquanto trabalham. A Integração Ensino-Serviço pode ser medida pela capacidade de produção de saberes dos trabalhadores e dos estudantes envolvidos. A saúde exercida no “trabalho vivo” articula o ensino ao serviço e torna o espaço de trabalho na saúde cenário de aprendizagens e de inovação. O termo Integração Ensino-Serviço descreve experiências de aprendizado estruturados que combinam serviço comunitário com preparação e problematização2. O ensino e os serviços se fortalecem na medida que desenvolvem estratégias para problematizar o cotidiano do trabalho, potencializando a formação de trabalhadores/estudantes para atuarem com as competências subjetivas inerentes à organização dos serviços em redes. Os processos de Integração Ensino-Serviço transvestem-se em de Educação Permanente em Saúde (EPS). visando a produção do cuidado3.
O objetivo do estudo é analisar efeitos de processos de Integração Ensino-Serviço nas Redes de Saúde Bucal no município de Porto Alegre/RS, compreendendo como se dá, se esta integração fortalece as redes e identificando as tecnologias ou estratégias que promovem a gestão e a governança das Redes de Atenção Ensino.
Trata-se de um estudo de caso do tipo único, integrado, com múltiplas unidades de análise e de abordagem qualitativa, realizado no município de Porto Alegre/RS. Participaram da pesquisa 155 pessoas. Realizaram- se 13 grupos focais (média de 10 participantes): 119 trabalhadores do Sistema Único de Saúde (48 Cirurgiões-Dentistas, 8 Enfermeiros, 1 Fisioterapeuta, 3 Médicos, 2 Nutricionistas, 1 Pedagogo, 1 Psicólogo, 26 técnicos e auxiliares de saúde bucal, 15 ACS e 14 Técnicos de Enfermagem), 21 estudantes de saúde e 14 professores de Saúde Coletiva e 1 usuário. Os grupos aconteceram entre março e abril de 2018. A condução dos grupos (filmados e transcritos) apoiou-se em um roteiro elaborado considerando as dimensões das redes de saúde, especialmente suas características avaliativas subjetivas4. Os dados foram analisados com base na análise textual do discurso fundamentando-se no referencial da Ergologia5 e conceito de agir em competência. Parecer ético número 2.465.347 (11/01/2018). Resultados e Discussão Os territórios em que vivem as pessoas tornam-se possibilidades vivas de agenciamentos de conexões das Redes de Atenção e Ensino na Saúde, que colabora na gestão e governança dos territórios, corresponsabilizando-se com a coordenação do cuidado. Sistemas informatizados e protocolos, elaborados com apoio de experiências da Integração Ensino-Serviço, regulam a gestão e governança de itinerários do cuidado nas Unidades Mínimas da rede. A atividade de trabalhar e de aprender constitui-se no encontro com o cotidiano. A competência profissional revela-se, principalmente, em face ao inesperado, caracterizando-se por um permanente renormalizar-se5. A governança pode ser compreendida como um arranjo organizativo para realizar a gestão transversal das redes temáticas do SUS. Nas Redes de Atenção e Ensino na Saúde a expectativa as práticas de Educação Permanente na Saúde são ferramentas de gerenciamento permanente, que estimulam soluções criativas para a ineficiência dos processos de trabalho3. O estudante produz inovação e a necessidade de educação permanente para qualificação do cuidado em saúde.
Os territórios são cenários de experiências, aprendizagens e construção de subjetividades. A Integração Ensino-Atenção nas redes, apoia processos de territorialização, coordenação do cuidado e itinerários terapêuticos, colaborando para a comunicação e a conectividade em rede. A Integração Ensino-Serviço estimula o trabalho interprofissional, desafiando profissionais a revisarem práticas na direção do trabalho compartilhado. Raros são os espaços formais de debate sobre as redes integradas de ensino e atenção com a presença da gestão, serviço, ensino e comunidade, em uma governança que não se constitui em rede. Os processos locais de integração ao apoiar os de educação permanente em saúde, consolidam e integram redes de saúde. O trabalho como atividade e o ensino como aprendizagem exercitam renormalizações e geram agir em competência.
1. Nascimento C, Panzera SMT, Lima LW, Warmling CM. O trabalho e a educação nas redes de saúde: contribuições coletivas. In: Cristine Maria Warmling; Luciana Marques; Roger dos Santos Rosa (organizadores). Curitiba, Ed Prisma, 2018. 2. Albiero J, Freitas S. Modelo para avaliação da integração ensino- serviço em Unidades Docentes Assistenciais na Atenção Básica. Saúde em Deb, 2017, 41(114):753–767. 3. Lemos CLS. Educação Permanente em Saúde no Brasil: educação ou gerenciamento permanente? Cienc & Saúde Colet, 2016, 21(3): 913–922. 4. Amaral CEM, Bosi MLM. O desafio da análise de redes de saúde no campo da saúde coletiva. Saúde e Soc, 2017, 26(2): 424–434. 5. Schwartz Y. O uso de si e competência. In: Schwartz Y, Durrive L. Trabalho e Ergologia: conversas sobre a atividade humana. Niterói, Ed Eduff, 2007.
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