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A gestão do trabalho dos Recursos Humanos em Saúde (RHS) deve ser priorizada no Sistema Único de Saúde (SUS). Condições precárias de trabalho e de saúde enfatizam a importância da atenção aos RHS no cuidado em saúde das populações, visto que a qualidade da atenção aos usuários do SUS será mais adequada se a saúde dos trabalhadores e profissionais da saúde for melhor. O estudo objetivou analisar as condições de trabalho e de saúde de RHS de um município no interior do nordeste brasileiro. Trata-se de uma pesquisa observacional quantitativa, realizada com RHS da APS. A maioria 53% (n=260) dos trabalhadores e profissionais de saúde do município participou deste estudo, sendo majoritariamente do sexo feminino (84%). Observou-se elevada rotatividade dos RHS e relatos frequentes de menor motivação para o trabalho (45%) e com a qualidade de vida no trabalho (39%). A autoavaliação de saúde negativa (39%) e as morbidades referidas (34%) também foram destaque. A disfonia esteve presente em 36% dos RHS e o Índice de Massa Corporal inadequado em 50% da amostra. Vínculos precários de trabalho, inatividade física e morbidades prevalentes colocam em destaque os desafios da gestão do trabalho na APS.
Os Recursos Humanos em Saúde (RHS) compreendem um escopo complexo que inclui a formação, a organização e as relações do trabalho, a administração de pessoas, dentre outras especificações (Scalco et al 2010). Em 2020, frente ao enfrentamento da COVID-19, condições de trabalho e saúde dos RHS ganharam centralidade no debate mundial (Oliveira et al 2020). Nesse contexto, o preparo da Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada preferencial na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Vivendo ou não uma situação de calamidade na Saúde Pública, faz-se necessário destacar a importância de se valorizar a gestão do trabalho dos RHS. As ações de Saúde do Trabalhador (ST) presentes no SUS são inúmeras, objetivando a promoção e proteção da saúde (Ortiga et al, 2016), porém, ainda permanece a notoriedade da marginalização da ST no SUS ao longo dos anos (Faria et al, 2020). A qualidade do cuidado em saúde está intrinsecamente ligada às condições de trabalho dos RHS (Dau, 2012).
Diante da relevância da gestão do trabalho na saúde, principalmente das Equipes de Saúde da Família, no âmbito da Estratégia de Saúde da Família, o presente estudo objetivou analisar as condições de trabalho e de saúde de Recursos Humanos em Saúde (RHS) de um município, no interior do nordeste brasileiro.
Pesquisa com caráter exploratório, abordagem observacional, descritiva e quantitativa. Participaram trabalhadores da APS de um município sede de uma das sete Regiões de Saúde de Sergipe. A coleta de dados ocorreu no “I Fórum de Formação Profissional da Atenção Primária à Saúde: fortalecendo vínculos para cuidar”. Todos RHS (n= 495) foram convocados sendo, parte para a primeira edição (10 de novembro de 2017) e os demais para a segunda (01 de dezembro de 2017). Os participantes responderam um questionário com 25 questões que abordavam aspectos sociodemográficos, de saúde, atuação profissional e racismo. Os dados foram processados no Excel (Microsoft®) e Stata 12. O presente estudo é vinculado ao NUTESC, da Universidade Federal de Sergipe e foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFS - Parecer 949.513. Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), sendo garantida a responsabilidade pelo caráter confidencial das informações obtidas. Resultados e Discussão A maioria dos RHS do município (53%) participou deste estudo; 84% eram mulheres negras. Observaram-se elevada rotatividade e vínculo empregatício precário (44% dos RHS tinham menos de 12 meses no trabalho e eram contratados/terceirizados). Houveram relatos frequentes de menor motivação para o trabalho (45%) e de insatisfação com a qualidade de vida no trabalho (39%). Autoavaliação de saúde negativa (39%) e as morbidades referidas (34%) também foram destaque, assim como a disfonia (36%) e o Índice de Massa Corporal inadequado (50%). O perfil de mulheres negras pode ser explicado pela feminização das profissões de cuidado e a forte presença de quilombolas no estado de Sergipe (Tomasi et al, 2018). Condições de trabalho e saúde desfavoráveis são reverberadas na literatura (Faria et al, 2020). Disfonias relacionadas ao trabalho estão associadas a absenteísmo e outras comorbidades e suscita ações devido aos impactos socioeconômicos (Giannini et al, 2012). O adoecimento dos RHS reflete no menor poder de cuidar melhor do outro e evoca a necessidade de reconhecer o trabalho enquanto determinante do processo saúde-doença (Dau, 2012).
Os resultados indicam a necessidade de atenção na gestão do trabalho na APS. Melhorias nas condições de trabalho e de saúde são necessárias para aqueles que estão na linha de frente da prevenção e da promoção da saúde da população. O grupo estudado apresentou vínculos precários de trabalho, relatos de insatisfação com o trabalho e morbidades que colocam em destaque a importância da Saúde do Trabalhador como uma área que precisa ser priorizada na gestão do SUS.
DAU DM.In: Assunção AA (org). Gestão das Condições de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores da Saúde: Caderno de Estudos. Universidade Federal de Minas Gerais (NESCON-UFMG), 2012. p.7-9. FARIA et al. Worker’s health in the context of family health strategy: integrative literature review. Esc. Anna Nery.2020 GIANNINI SPP et al. Distúrbio de voz e estresse no trabalho docente: um estudo caso-controle.Cad. Saúde Pública. 2012 OLIVEIRA et al. Como o Brasil pode deter a COVID-19. Epidemiol. Serv. Saúde. 2020 ORTIGA et al. Avaliação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência em Santa Catarina, Brasil. Cad. Saúde Pública.2016 SCALCO et al.Modelo para avaliação da gestão de recursos humanos em saúde. Cad. Saúde Pública.2010 TOMASI et al.Perfil sócio-demográfico e epidemiológico dos trabalhadores da atenção básica à saúde nas regiões Sul e Nordeste do Brasil. Cad. Saúde Pública.2008
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