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A perspectiva de interação entre a saúde mental e atenção primária deve ser visualizada cotidianamente nas práticas profissionais, durante a realização de referências e contra-referenciais, apoio matricial, reuniões dos grupos, cogestão nas relações institucionais e envolvimento dos usuários nos projetos terapêuticos construídos. O diálogo contínuo entre áreas tidas como distintas auxilia a implementação das políticas públicas necessárias para efetivação do direito à saúde, evitando sofrimentos e promovendo práticas que permitam ao usuário o acesso facilitado para resolução de suas demandas. E dessa forma, dentre os princípios para a nova organização dos serviços de saúde mental, existe a necessidade de mudança essencial da perspectiva da intervenção dos hospitais psiquiátricos para assistência em nível comunitário; a transferência da centralidade do interesse somente da doença passando a perceber o indivíduo, além do desenvolvimento de ações anteriormente individualizadas para ações coletivas nos confrontos dos pacientes com seus contextos. Palavras-chaves: Redes de Atenção à Saúde; Cuidado; Saúde Mental; Atenção Primária.
A demanda da Saúde Mental na Atenção Básica tem particularidades e complexidades que preveem novas propostas de desinstitucionalização dos cuidados aos portadores de transtornos mentais. A atenção em equipe multiprofissional, a integralidade, a responsabilização da equipe vinculada a comunidade, a intersetorialidade e a integração da rede do nível primário ao especializada vem apontando para a descentralização dos serviços, a integração de serviços psiquiátricos à Atenção Básica e o aumento da participação comunitária (GRYSCHEK; SILVA, 2015) repercutindo de forma positiva sobre a vida das pessoas envolvidas nesse contexto. A Política Nacional de Saúde Mental preconiza, entre outros aspectos, que ações sejam realizadas em serviços comunitários de saúde mental, objetivando a reinserção social do indivíduo em seu meio através de uma Rede de Atenção Integral à Saúde Mental (BRASIL, 2002). Se faz necessário direcionar novas práticas saindo do escopo medicamentoso exclusivo, ou preponderante, destacando o sujeito como participante principal no tratamento, sendo a família e, eventualmente, um grupo mais ampliado também incluídos como agentes essenciais do cuidado (DUARTE et al, 2012).
Analisar a conformação, a interlocução entre a Política, a gestão em Saúde nas Redes de Atenção Primária e Atenção Psicossocial.
Através da pesquisa qualitativa sob a perspectiva da análise de conteúdo tem-se a oportunidade na busca de dados a partir das experiências para o aprofundamento das questões relevantes. Realizou-se uma Revisão Sistemática Integrativa em profundidade. Referente ao processo de análise das entrevistas, aplicou-se a Análise de Conteúdo Categorial Temática proposta por Bardin (2015), definida como um conjunto de técnicas de análise das comunicações utilizando procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens apreendidas. A exploração do material referiu-se ao momento da codificação, em que os dados brutos foram transformados de forma organizada e agregada em unidades, as quais permitiram uma descrição das características pertinentes do conteúdo (BARDIN, 2015). Para a interpretação dos dados, realizou-se o retorno aos referenciais teóricos pertinentes à investigação, agregando embasamentos quanto as perspectivas significantes, dando consistência ao estudo. Resultados e Discussão A Rede de Atenção à Saúde define-se a partir de arranjos organizativosque articulam-se ações entre os serviços de saúde, sendo os mesmos de diferentesdensidades tecnológicas,queintegram-se por meio de sistemas de apoio técnico,logístico e de gestão, buscando assim garantir a integralidade do cuidado (BRASIL,2010a). Para tanto, considera-se que a Atenção Primária a Saúde écomprovadamente um componente de suma importância na interlocução entre osserviços nos sistemas de saúde. O território é um importante lócus de cuidado em saúde mental e um poderoso componente para análise e planejamento das ações em saúde. Desse modo o apoio matricial, é uma das estratégias primordiais para pensar ações em saúde mental nos territórios, sendo uma das principais atividades de articulação entre Atenção Psicossocial e Atenção Primária, constituindo-se por práticas de atendimento compartilhado, discussão de casos, supervisão, orientações e formações realizados por uma equipe de saúde mental capacitada (BRASIL, 2007). A realização do apoio matricial pode oferecer subsídios para que os profissionais se tornem capazes de intervir e conduzir os casos de saúde mental de sua área de cuidado.
Os estudos comprovam a busca por ações em saúde mental voltadas para as práticas no campo da assistência voltadas para o apoio matricialpromovendo a articulação entre os dispositivos de atenção em saúde. A escuta qualificada, comprovadamente a prática do acolhimento, deve ocorrer em qualquer etapa do trabalho de saúde, seja ele realizado por qualquer especialidade profissionalapto e capacitado a lidar com essa realidade, estendendo-se até a resolução do problemaque vem sendo apresentado pelo usuário. Portanto, se estruturadoapenas como um dispositivo de recepção não envolvendo todos os outros atores, estelimita a potência das práticas voltadas à saúde mental nas unidades. Edessa forma pragmática apresenta-se apenas como norma ou protocolo sugerido. Portanto, dois aspectos diferenciados devem ser elencados: tecnologia e a boa administração de relacionamentos, para o cuidado em saúde todos os sujeitos envolvidos são corresponsáveis pelo cuidado de uma gestão compartilhada.
GRYSCHEK, G.; PINTO, A. A. M. Saúde Mental: como as equipes de Saúde da Família podem integrar esse cuidado na Atenção Básica? Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 20, n. 10, p. 3255-3262, 2015. DUARTE, E.O.S.; NASI, C.; CAMATTA, M.W.; SCHNEIDER, J.F. Caracterização das práti- cas de assistência na rede de atenção em saúde mental: revisão integrativa. Rev Gaúcha Enferm. v.33, n.4, p. 191-199, 2012. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Trad. Luís Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edições, v.70, p.281, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde (BR), Secretaria Executiva. Subsecretaria de Assuntos Administrativos, Coordenação-Geral de Documentação e Informação. Legislação em Saúde Mental 1990-2001. 2ª ed. revisada e atualizada. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília (DF); (Séries Pactos pela Saúde), 2007.
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