GESTÃO COMPARTILHADA NA IMPLEMENTAÇÃO DE ORTODONTIA PREVENTIVA E INTERCEPTATIVA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DE SUZANO-SP

Vol.1 - 2021 - 136914
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Resumo

Resumo

A má oclusão é um problema de saúde de alta prevalência, porém com poucas medidas de abordagem nos serviços públicos de saúde. Dificuldades na implementação de políticas que atendam às necessidades da população nesse campo podem ser efetivas quando planejadas coletivamente com os profissionais que atuam na assistência à saúde bucal. Este relato trata da implementação de ortodontia preventiva e interceptativa na atenção primária à saúde no município de Suzano. O trabalho se deu a partir de gestão compartilhada com os trabalhadores da área de saúde bucal para o enfrentamento da demanda reprimida de ortodontia do Centro de Especialidades Odontológicas do município. Os principais mecanismos de implementação adotados pelo grupo foram: a reorganização dos processos de trabalho de ortodontia preventiva e interceptativa, a confecção de protocolo, a capacitação dos profissionais e a realocação de recursos financeiros. Problemas simples de ortodontia passaram a ser solucionados considerando o início de tratamentos de intervenções preventivas ou de menor complexidade, com rápida interceptação e redução de custos. Estão em fase de estudo o processo de implementação e os resultados alcançados.

Introdução

A má oclusão é condição de elevada prevalência e impacto . Porém ações preventivas e tratamentos ortodônticos no SUS são escassos, mesmo com a cárie e a doença periodontal em declínio. A Política Nacional recomenda articulação entre os Centros de Especialidades Odontológicas e a Atenção Primária à Saúde, o que é desafiador para os municípios. O planejamento participativo dos processos de trabalho pode ser uma estratégia na implementação de ações para atender às necessidades da população. Sob essa perspectiva, Suzano avançou na implementação de ortodontia preventiva e interceptativa por meio de gestão compartilhada com os profissionais da assistência à saúde bucal.

Objetivos

O presente relato de experiência tem por objetivo apresentar a experiência do município de Suzano-SP no processo de implementação de ortodontia preventiva e interceptativa na atenção primária à saúde (APS).

Metodologia

O trabalho é produto da gestão compartilhada envolvendo uma equipe de 57 cirurgiões-dentistas, 29 auxiliares e 4 técnicos. O grupo, a partir da avaliação de que era necessário reorganizar processos de trabalho, problematizou e discutiu, em reuniões, as possibilidades de tratamento e os critérios para atendimento nas unidades de APS e especialidades. Apostou-se no desenvolvimento de protocolo de prevenção e de resolução de casos simples, rápidos e de baixo custo na APS, além de critérios de encaminhamentos à especialidade. Os profissionais indicaram a necessidade de processos formativos para os procedimentos preventivos e interceptativos, o que foi viabilizado e está em andamento por meio de parcerias com Faculdades de Odontologia de uma universidade pública e de uma privada. Recursos financeiros de aparelhos preventivos e interceptativos, como um mantenedor de espaço, foram realocados do Centro de Especialidades Odontológicas. Resultados e Discussão Problemas simples de ortodontia passaram a ser solucionados na APS a partir de profissionais com conhecimento técnico científico para iniciar os tratamentos de intervenções de menor complexidade, com rápida interceptação e redução de custos. Além disso, os trabalhadores sem conhecimento, mas que demonstraram interesse, estão sendo capacitados para que os problemas mais simples possam ser solucionados, sempre acompanhados por uma equipe de matriciadores, e os problemas mais complexos encaminhados para o Centro de Especialidades, conforme protocolo instituído. Como primeiro resultado, pacientes que seriam atendidos tardiamente na especialidade, devido à demanda reprimida, foram atendidos na APS rapidamente, evitando tratamentos de alto custo, complexos, prevenindo a necessidade de cirurgias ortognáticas.

Conclusões / Considerações finais

Mesmo sendo um dos maiores problemas bucais de saúde pública e estando contemplado na portaria ministerial, poucos municípios avançaram na viabilização da ortodontia no Sistema Único de Saúde. A assistência, quando ofertada, concentra-se na especialidade. Suzano teve uma iniciativa inovadora na oferta do serviço no Centro de Especialidades Odontológicas e agora avança na implementação de ações na APS, pela mobilização da equipe de saúde bucal. O tratamento no território aproximou a população dos cuidados, ampliou a oferta, diminuiu o tempo de espera e tem o potencial de prevenir e reduzir danos nos arcos dentários que se relacionam com funções vitais, respiração, sucção, mastigação, deglutição, e sociais, fonação e articulação. A necessidade de formação denota a deficiência na formação dos cursos de graduação sobre um importante problema de saúde e a necessidade de formação em serviço. Conclui-se que a prevenção e interceptação na APS podem ser realidade no SUS.

Referências

1.CAMPOS, F.; VAZQUEZ, F.; CORTELLAZZI, K.; et al. Maloclusión y su asociación con variables socioeconómicas, hábitos y cuidados en niños de cinco años. Revista de Odontologia da UNESP, v. 42, n. 3, p. 165, 2013. 2.BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria Nº 718, de 20 de dezembro de 2010. 3.BARBOSA, V. L. T; PIERINI, A. J.; GALLO, Z. A prática da ortodontia na rede pública de saúde - uma revisão da literatura. Revista Brasileira Multidisciplinar, v. 21, n. 1, p. 116, 2018. 4.MACHADO, PG. A postura corporal e as funções estomatognáticas em crianças respiradoras orais: uma revisão de literatura. Rev. CEFAC. Mai-Jun; 14(3):553-565, 2012.

Eixo Temático
  • 4.1. Política, Gestão e Atenção Primária à Saúde