FORTALECIMENTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA COMO ORDENADORA DA REDE E COORDENADORA DO CUIDADO NO ENFRENTAMENTO DA COVID-19 NO MUNICÍPIO DE PAUDALHO, PERNAMBUCO

Vol.1 - 2021 - 136903
Apresentação Curta Assíncrona
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Resumo

Resumo

Faz-se necessário discutir o lugar da Atenção Primária à Saúde no enfrentamento a esta pandemia como ordenadora do cuidado uma vez que os estudos indicam que cerca de 80% dos casos são leves e moderados buscando a rede básica como primeiro acesso. Objetivo: Descrever a reorganização da Atenção Primária no município Paudalho, Pernambuco, a fim de garantir a ordenação da Rede de Assistência à Saúde e a coordenação do cuidado dos usuários no contexto da pandemia da Covid-19. Métodos: Trata-se de um estudo do tipo relato de experiência da reorganização da Atenção Primária do município de Paudalho, os dados aqui relatados são baseados nos documentos oficiais produzidos no relato da gestão. Resultados: Elaboração de formulários no Google Forms para registro e monitoramento dos casos de Síndrome Gripal Leve, Unidade Básica de Saúde como principal porta de entrada e telessaúde no atendimento remoto. Conclusão: O acompanhamento dos casos, a partir da Atenção Primária, torna-se possível a busca-ativa para notificação e diminuição do agravamento.

Introdução

A Covid-19 teve seus primeiros casos registrados no final de 2019, na província de Hubei, China. Trata-se de uma nova cepa da família Coronaviridae (Sars-Cov-2), cujo alto poder de transmissão propiciou um rápido avanço para todos os continentes nos meses seguintes, o que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a declarar estado de pandemia da Covid-19 no dia 11 de março de 2020. Até o dia 05 de setembro de 2020 foram confirmados mais de 35 milhões de casos e 1.035.341 mortes em decorrência da infecção pela Sars-Cov-2 no mundo (WHO, 2020). Na tentativa de conter a velocidade de disseminação, vários países instituíram estratégias de isolamento social. Ligado a isso, a elevada morbimortalidade da doença movimentou muitos desses chefes de Estados a busca de leitos e insumos de tratamento intensivo. Apesar da grande preocupação da população, bem como parte da mídia, tenha voltado toda atenção para garantia de acesso ao ambiente hospitalar, é necessário refletir a organização dos serviços. Visto que, estudos apontam que 80% dos casos são leves ou moderados, sendo manejáveis na Atenção Primária. (DUNLOP, HOWE, ALLEN, 2020).

Objetivos

Descrever a reorganização da Atenção Primária no município Paudalho, Pernambuco, a fim de garantir a ordenação da Rede de Assistência à Saúde e a coordenação do cuidado dos usuários no contexto da pandemia da Covid-19.

Metodologia

Trata-se de um estudo descritivo, tipo relato de experiência, realizado no município de Paudalho, localizado na Zona da Mata de Pernambuco, entre março e setembro de 2020. A gestão com o intuito de detectar precocemente e evitar o agravamento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), reorganizou o fluxo de atendimento. O município conta com uma Rede de Assistência à Saúde composta por equipamentos de baixa, médica e alta complexidade. Nessa organização a Atenção Primária, composta por 21 Unidades Básicas de Saúde (UBS). Também foram desenvolvidas atividades de integração intersetoriais entre a Atenção Básica, Vigilância em Saúde, Assistência Social e Educação. Nestas ações foram desenvolvidas atividades de educação permanente, instituição de formulários eletrônicos, distribuição de máscaras, álcool em gel e cestas básicas a partir dos diagnósticos dos profissionais da Atenção Primária. Resultados e Discussão As UBS são a principal porta de entrada para o atendimento dos casos de Síndrome Gripal. Em caso de agravamento o usuário é encaminhado para o serviço de Emergência, cumprindo o fluxo de atendimento. Foram elaborados dois instrumentos de registro e monitoramento para os casos de Síndrome Gripal Leve (SGL) através da ferramenta Google Forms. Formulário para registro e investigação de SGL e formulário para relatório diário dos casos notificados. O município pactuou o monitoramento diário para todos os usuários, durante 14 dias ou até o desaparecimento dos sintomas. Todas as Equipes das UBS, receberam um aparelho celular para subsidiar as atividades do monitoramento remoto. Desta forma, os usuários devem ser monitorados pelas UBS às quais estão vinculados. Muitos profissionais de saúde necessitaram de afastamento laboral. O serviço de telessaúde tornou uma possibilidade a estes atuarem remotamente, principalmente profissionais médicos, garantindo um cuidado continuo. Sendo assim, os Agentes Comunitários de Saúde junto à Equipe devem organizar as agendas de atendimentos conforme os horários programados, com uso do Prontuário Eletrônico (PEC) a fim de evitar aglomerações nas Unidades.

Conclusões / Considerações finais

O acompanhamento dos casos, a partir da Atenção Primária, torna-se possível a busca-ativa precoce para a realização de Testes sorológicos e RT-PCR nos usuários notificados, diminuir o agravamento, reduzir a letalidade e garantir o acesso ao cuidado continuado de forma equânime. As Estratégias de Educação em Saúde, a fim de disseminar informações fundamentadas em evidências científicas, possibilitaram atualizar os profissionais quanto ao manejo correto da doença e estimularam a participação da população para o autocuidado e prevenção da doença. Os Agentes Comunitário de Saúde e de Combate à Endemias, são profissionais de alta relevância para o desenvolvimento de ações educativas no combate a Covid-19, uma vez que, suas práticas são mediadas a partir das necessidades do território, com priorização para população com maior grau de vulnerabilidade e de risco epidemiológico.

Referências

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Coronavirus disease (COVID-2019): situation report 129. Genebra: World Health Organization, 2020. Disponível em: . Acesso em: 05 Out 2020. Dunlop C, Howe A, Li D, Allen LN. The coronavirus outbreak: the central role of primary care in emergency preparedness and response. BJGP Open [Internet]. 2020 Jan Available from: https:// doi.org/10.3399/bjgpopen20X101041

Eixo Temático
  • 4.1. Política, Gestão e Atenção Primária à Saúde