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RESUMO: a Hepatite B é considerada uma importante ameaça para a saúde pública. No ano de 2020 estima-se uma incidência de 4,3 milhões de infecções e 1 milhão de mortes no mundo, necessitando permanente avaliação da sua prevalência. O objetivo dessa pesquisa é analisar a prevalência da hepatite B, na região do Extremo Oeste de Santa Catarina. Trata-se de um estudo retrospectivo, com dados secundários, de casos notificados e confirmados, no SINAN – SC, de HBSAG positivo, nos anos de 2014 a 2018, no Extremo Oeste/SC. Encontrou-se, no período pesquisado, 873 registros de Hepatite B no Estremo Oeste de SC. Os principais achados foram a maior prevalência entre o sexo masculino com 61,85%, e a concentração maior com 50,05% na faixa etária de 40-49. No sexo feminino 15% são gestantes, e dessas 56% tiveram o diagnóstico no primeiro trimestre gestacional. Quanto à forma clínica, 94,50% estão na fase crônica da doença. A forma de transmissão para 34,13% está relacionada à via sexual. Com a inclusão da vacina na rotina e campanhas, ações educativas, diagnóstico precoce por teste rápido e atendimento especializado, ampliou-se o combate à infecção por VHB e seus agravos. Tais medidas, refletem na redução da prevalência de casos na região estudada. Isso reforça a importância do fortalecimento de ações de combate a infecção do vírus da hepatite B.
Introdução: Estima-se para 2020, uma incidência de 4,3 milhões de infecções e 1 milhão de mortes no mundo, pelo Vírus da Hepatite B - VHB (NAYAGAM et al., 2016). No Brasil, a prevalência de infeções pelo VHB, teve pouca variação nos últimos 10 anos, atingindo 6,6 casos por 100 mil habitantes, com leve tendência de queda a partir de 2015. A região Sul possui a segunda maior concentração com 31,6% dos casos. Santa Catarina (SC) é o primeiro entre os Estados do Sul e o quinto em relação ao Brasil em casos de VHB, perdendo para os estados de Acre, Roraima, Rondônia e Amazonas (BRASIL, 2020). A Região Oeste de SC tem 18,2%, dos casos confirmados do Estado e o Extremo Oeste 13,9%, estando assim, nas primeiras posições de infecções pelo VHB entre 2014-2018 (SANTA CATARINA, 2019). Após duas décadas de vacina da hepatite B (VIVALDINI et al., 2019), diagnóstico precoce por Teste Rápido na rede pública de saúde (SANTA CATARINA, 2019), e ações educativas e preventivas de combate ao VHB, questiona-se: qual a prevalência de infeção por VHB na região Extremo Oeste Catarinense nos anos de 2014 a 2018. Assim, busca-se a resposta através do objetivo apresentado a seguir.
objetivo é analisar a prevalência da hepatite B, na região do Extremo Oeste de SC.
Metodologia: trata-se de um estudo retrospectivo, com dados secundários obtidos na plataforma do DATASUS, através da ferramenta TABNET, a partir dos casos notificados e confirmados, no Sistema de Informação de Agravos de Notificação – SC, de HBSAG positivo, nos anos de 2014 a 2018. As variáveis analisadas foram sexo, faixa etária, idade gestacional, escolaridade, forma clínica e forma de transmissão. Os dados foram coletados do período de 2014 a 2018 com as seguintes combinações: Períodos disponíveis (2014-2018): Casos confirmados por Sexo segundo Ano Diag/sintomas; Casos confirmados por Sexo segundo Faixa Etária; Casos confirmados por Forma Clínica segundo Ano Diag/sintomas; Casos confirmados por Gestante segundo Ano Diag/sintomas; Casos confirmados por Fonte Mecânica de Infecção segundo Ano Diag/sintomas; Casos confirmados por escolaridade segundo Ano Diag/sintomas. Resultados e Discussão Resultados: encontrou-se 873 casos HBSAG positivo. Houve queda representativa entre 2018 (n=109) em relação a 2014 (n=262). O sexo masculino é o mais prevalente, com 61,85%, acima da tendência nacional de prevalência masculina que é de 54,7% (BRASIL, 2020). A faixa etária mais acometida está entre 40-49 anos, diferente dos registros nacionais, que segundo o Brasil, (2020) a concentração está entre pessoas de 25-39 anos. Segundo Gonçalves et al., (2019) a maior concentração nessa faixa etária, pode relacionar-se ao tempo de incubação do vírus, sinais e sintomas ausentes e diagnóstico tardio. A relação de casos por escolaridade mostra que 17,6% possuíam o ensino médio, 16,6% 5ª a 8ª séries incompletas e 13,5% 1ª a 4ª séries incompletas. Das infeção no sexo feminino, 15% foram gestantes, e desses 56% registrados na 12ª semana de gestação, confirmando a importância do início do pré-natal precoce (BRASIL, 2013). Quanto à clínica, 94,50% encontram-se na fase crônica da doença. A via de maior transmissão com 34,13%, é a sexual, com 55% das ocorrências na faixa etária de 40-59 anos. Das notificações, 30,58% apresentam no campo via de infecção, assinaladas como ignorados/em branco.
Conclusão: A região Extremo Oeste possui a maior prevalência de casos de hepatite B do Estado de SC, mesmo tendo observado a significativa redução de casos nos últimos anos. As medidas de combate a transmissão do vírus da hepatite B tem forte relação com esses resultados. O fato do elevado índice dos casos estarem na fase crônica da doença pode-se relacionar ao tratamento em tempo oportuno, seu monitoramento pela clínica especializada, mas não descartando a possibilidade de diagnóstico tardio, o qual merece uma investigação mais aprofundada nessa temática. Combater o vírus da hepatite B é passível de prevenção ao seu contágio. Dessa forma, fortalecer as ações preventivas e educativas, em especial na abrangência da Atenção Primaria em Saúde através da equipe interdisciplinar se torna essencial. Ampliar as coberturas vacinais, intensificar necessidade do uso de preservativo, ações educativas e o diagnóstico precoce, possibilitará a contínua redução da prevalência do vírus na região.
BRASIL. Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais - 2020. Brasília/DF: MS, 2020. v. jul. 2020 BRASIL, M. DA S. Atenção ao pré-natal de baixo risco. 1. ed. Brasília: MS, 2013. GONÇALVES, N. V. et al. Hepatites B e C nas áreas de três Centros Regionais de Saúde do Estado do Pará, Brasil: uma análise espacial, epidemiológica e socioeconômica. Cadernos Saúde Coletiva, v. 27, n. 1, p. 1–10, mar. 2019. NAYAGAM, S. et al. Requirements for global elimination of hepatitis B: a modelling study. The Lancet. Infectious Diseases, v. 16, n. 12, p. 1399–1408, dez. 2016. SANTA CATARINA. Hepatites Virais: Barriga Verde - Informativo Epidemiológico. [s.l: s.n.]. Disponível em:
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