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A informatização dos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) tem se conformado como um desafio, algumas necessitam de atenção e desenvolvimento, se destacando a infraestrutura tecnológica, o financiamento, a qualificação profissional e à organização de processos de trabalho inclusive no contexto dos serviços de saúde bucal. A presente pesquisa buscou avaliar a disponibilidade de computadores, câmeras, caixas de som, estabilizadores, impressoras, microfones, televisão, acesso à internet, uso de Prontuário Eletrônico e de telessaúde nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) do Brasil utilizando dados do primeiro ciclo de avaliação do PMAQ-CEO. O estudo do tipo ecológico, por meio da coleta e da análise de dados primários da Avaliação Externa do primeiro ciclo do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade do CEO (PMAQ-CEO), cujos dados foram coletados em 2014. Realizaram-se análises descritivas do número de CEO com disponibilidade de cada um dos recursos por unidade da federação. Foi perceptível uma grande defasagem dos materiais tecnológicos analisados na maioria dos estados. Há poucos CEO no país com disponibilidade de todos os recursos necessários para informatização. Estes resultados podem indicar que a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde necessita de vários aprimoramentos para sua aplicabilidade no contexto das instituições de saúde.
A informatização nos sistemas de saúde tem sido reconhecida em alguns países como uma estratégia fundamental para a qualificação da gestão da informação. Estudos apontam que a implantação de tecnologias da informação fortalece o processo de trabalho, a busca de informações e contribui para a segurança do paciente (MONTAGUE et al., 2014; JEFFRIES et al., 2017). No Brasil, com a Lei Orgânica 8.080/1990 enfatiza-se o direito à informação, disseminação de informações e gestão de um sistema de informação, com o desenvolvimento de sistemas de informação (MORAES, 2007). Em 2016, foi instituída a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde (PNIIS), que tem como finalidade definir os princípios e diretrizes no âmbito do SUS, melhorar a governança no uso da informação e de recursos de informática. Entretanto, a informatização dos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) tem se conformado como um desafio, tendo em vista as fragilidades relacionadas à infraestrutura tecnológica, ao financiamento, à qualificação profissional e à organização de processos de trabalho, inclusive no contexto dos serviços de saúde bucal (SANTOS et al, 2017; MATTA-MACHADO et al., 2017).
Avaliar a disponibilidade de computadores, câmeras, caixas de som, estabilizadores, impressoras, microfones, televisão, acesso à internet, uso de Prontuário Eletrônico e de telessaúde nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO) do Brasil utilizando dados do primeiro ciclo de avaliação do PMAQ-CEO.
Realizou-se um estudo do tipo ecológico, por meio da coleta e da análise de dados primários da Avaliação Externa do primeiro ciclo do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade do CEO (PMAQ-CEO) (FIGUEIREDO et al., 2016), cujos dados foram coletados em 2014. Utilizaram-se dados de todos os CEO do país (n=930). As variáveis utilizadas foram: presença de computadores em condições de uso; câmera (webcam) em condições de uso; caixa de som para computador em condições de uso; estabilizador em condição de uso; impressora em condição de uso; microfone para computador em condição de uso; televisão em condição de uso; acesso à internet; computador conectado à internet e prontuário eletrônico implantado. Realizaram-se análises descritivas do número de CEO com disponibilidade de cada um dos recursos por unidade da federação. As análises foram realizadas no Software Stata®, versão 14.0. Resultados e Discussão O estado de Roraima não apresentou CEO com disponibilidade de computadores, câmeras, caixas de som, internet no consultório e nem prontuário eletrônico. Este foi o único estado do país que não apresentou qualquer CEO com disponibilidade de computadores. Os estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal também não possuíam CEO com disponibilidade de câmeras (webcam). Internet no consultório não estava disponível nos CEO de Alagoas, Amapá, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia e Sergipe. Nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia e Sergipe o prontuário eletrônico não estava implantado. Os estados do Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins apresentaram, pelo menos, um CEO com todos os recursos disponíveis. São Paulo e Paraná apresentaram o maior número de CEO com prontuário eletrônico implantado. São Paulo, Ceará e Paraná apresentaram o maior número de CEO com internet no consultório.
Tratou-se de um trabalho inédito sobre experiências de informatização, enfatizando os aspectos estruturais no Brasil. Há poucos CEO no país com disponibilidade de todos os recursos necessários para informatização. Estes resultados podem indicar que a Política Nacional de Informação e Informática em Saúde necessita de vários aprimoramentos para sua aplicabilidade no contexto das instituições de saúde.
DOS SANTOS, T. et al. Implantação de sistemas informatizados na saúde: uma revisão sistemática. RECIIS, v11, n3, 2017 FIGUEIREDO, N. et al. Relatório do 1º ciclo da AE-PMAQ/CEO: resultados principais. Editora UFPE, 2016 JEFFRIES, M. et al. Understanding the implementation and adoption of an information technology intervention to support medicine optimisation in primary care: qualitative study using strong structuration theory. BMJ open, v7, n5, 2017 MATTA-MACHADO, A. T. G. et al. Is the Use of Information and Communication Technology Associated With Aspects of Women‘s Primary Health Care in Brazil? The Jou of ambul care management, v40, n2 Suppl, p S49, 2017 MONTAGUE E. The promises and challenges of health information technology in primary health care. Prim Health Care Res Devel, v15, n3, p 227-30, 2014 MORAES, I.; GÓMEZ, M. Informação e informática em saúde: caleidoscópio contemporâneo da saúde. Ciên Saúde Coletiva, v12, n13: 553-564, 2007
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