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O Programa Educação para o Trabalho em Saúde - Interprofissionalidade (PET Saúde/IP), do Ministério da Saúde e da Educação, tem por objetivo a integração de ensino-serviço-comunidade envolvendo docentes, graduandos em Saúde e profissionais da saúde, para o desenvolvimento de atividades e iniciativas com foco na educação interprofissional e nas práticas colaborativas do trabalho em equipe. A temática dos povos indígenas se configura como um dos eixos das inequidades em saúde do pelo programa. O atual projeto da UFRGS/SMS POA necessitou de reformulação em função da pandemia pela COVID-19 e, neste contexto, foram realizados webinários intitulados “Webséries Povos indígenas e Interprofissionalidade”, buscando aproximar e sensibilizar alunos e profissionais da saúde, discutindo aspectos culturais, espirituais e de saúde dos povos indígenas, por profissionais convidados e representantes das etnias Kaingang e Mbyá Guarani, ressaltando a necessidade de qualificar os cuidados a esses povos. Considera-se que a troca de saberes sobre o tema que permearam os webinários entre os participantes do projeto e convidados, possibilitou o destaque para a formação e atuação interprofissional, além da qualificação da gestão do cuidado, no sentido de minimizar as iniquidades vivenciadas pelos povos indígenas, resultando também em 5 episódios de Podcasts em plataformas on-line gratuitas
A gestão dos cuidados aos indígenas no Brasil ainda é precária e reflete a realidade da formação dos profissionais da área da saúde pautada pela fragmentação e descontextualização. A interprofissionalidade exige o entendimento de formação da identidade profissional integrada aos diferentes núcleos na saúde. Dos 120 projetos nacionais, o grupo PET-Saúde IP da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com cursos da saúde e parceria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, vem buscando qualificar a gestão de cuidados em saúde de populações vulneráveis, entre eles, os povos indígenas, sob o olhar da interprofissionalidade. Apresenta-se a experiência de discussões com os povos indígenas, com foco em etnias presentes em Porto Alegre - Kaingang e Mbyá Guarani - em seus aspectos culturais, espirituais e de saúde. A garantia da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas- PNASPI, requer a adoção de um modelo diferenciado de organização dos serviços que garanta aos povos indígenas a efetivação desse direito. Assim, é fundamental medidas que viabilizem serviços do SUS, tornando permeável às demandas desses povos no alcance da equidade e princípios
Descrever a experiência do grupo PET Saúde/IP-UFRGS com o olhar para a necessidade de equidade de atendimento em saúde no tocante aos povos indígenas, no sentido de aproximar o diálogo intercultural e interprofissional à qualificação da gestão de cuidados, no Sistema Único de Saúde (SUS).
O grupo PET Saúde/IP-UFRGS totaliza 60 participantes divididos em 5 subgrupos. O trabalho desenvolvido nos subgrupos conta com professor coordenador, professor tutor, preceptores (profissionais de saúde das Unidades de Saúde) e alunos monitores de diferentes cursos em Saúde de graduação da UFRGS. No primeiro ano, foram realizadas vivências em Unidade de Saúde de Porto Alegre/RS. No segundo ano, em função da pandemia COVID-19, os encontros ocorreram em oficinas, aulas ministradas e conversas com estudiosos sobre o tema/população em plataformas online. As estratégias educativas utilizadas para contemplar a equidade em saúde foram: webinários, com duração de 2 horas com envolvimento da comunidade acadêmica, estudantes, profissionais de saúde e interessados ,além de indígenas convidados. Todos os produtos foram divulgados e apresentados no perfil próprio do Pet Saúde/IP e nas plataformas do Youtube, Castbox e Instagram. Resultados e Discussão As vivências do primeiro ano foram apresentadas em seminários para o grupo PET/IP. No segundo ano, dos encontros virtuais resultaram 5 WebConferências, contemplando Povos indígenas e Interprofissionalidade,sendo eles:Episódio 1-Enfrentamento do COVID: desafios e particularidades; Episódio 2-Empatia no cuidado indígena e espiritualidade em tempos de pandemia; Episódio 3- Idosos indígenas, saberes ancestrais e comunicação; Episódio 4-Mulheres indígenas, a arte e o cuidado nas relações; Episódio 5-Crianças indígenas, outras infâncias, suas vozes e a atenção diferenciada em saúde. Editou-se material em 5 episódios de podcast, disponíveis em plataformas virtuais. As discussões resgataram a interprofissionalidade com significados no contexto intercultural, remetendo à ecologia de saberes, respeitando a sabedoria milenar dos povos indígenas.Neste sentido, propostas de inclusão e de educação permanente contribuem na formação e na sensibilização dos gestores e profissionais frente à adequação do sistema de saúde à realidade dos povos indígenas que se assentam sobre diferentes concepções de corpo, saúde-doença e bem estar, modos de vida e processos distintos de produzir saúde.
As ações do programa PET-Saúde-IP deram visibilidade à temática da saúde indígena, que ainda encontra dificuldades em inserir-se na pauta de discussões da saúde pública e tem sido marcada por uma atenção fragmentada e descontinuada.Da mesma forma, promoveram a sensibilização para a gestão dos cuidados aos povos indígenas, apontando caminhos para a formação interprofissional para atuação no contexto intercultural. Por meio das discussões nas webconferências ocorreu o compartilhamento de diferentes visões profissionais no cuidado aos povos indígenas, trazendo o olhar dos próprios indígenas acerca da saúde para o debate reforçando a necessidade de acolhimento das demandas desse público específico. Desta forma, torna-se importante para a construção da gestão dos cuidados com olhar diferenciado que a saúde indígena exige, conhecer as especificidades culturais desses povos e suas formas próprias de ser e estar no mundo, a luz de suas cosmovisões complexas.
1.BRASIL. Fundação Nacional de Saúde.Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas. - 2a edição - Brasília: Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde, 2002. 40 p. 2.Silva, Reijane Pinheiro da; Barcelos Aline Costa, Hirano Bruno Queiroz Luz, Izzo CUERVO, Maria Rita Macedo; RADKE, Mariane Brusque; RIEGEL, Elaine Maria. PET-Redes de atenção à saúde indígena: além dos muros da universidade, uma reflexão sobre saberes e práticas em saúde. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, v. 19, p. 953-963, 2015. 3.GARNELO, Luiza; SAMPAIO, Sully de Souza; PONTES, Ana Lúcia. Atenção diferenciada: a formação técnica de agentes indígenas de saúde do Alto Rio Negro. 2019.
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