Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
O Roteiro de Apoio e Facilitação de Processos Formativos em Saúde Mental para a Atenção Básica é um dos produtos da nossa pesquisa PMA/Fiocruz sendo construído de forma participativa e colaborativa, e cuja motivação foi preencher uma lacuna gerada pela insuficiência de propostas curriculares que incluam conteúdos de natureza psicossocial e uma visão interdisciplinar de saúde mental. A revisão dos cursos disponíveis para trabalhadores da Atenção Básica evidenciou uma hegemonia daqueles com direcionamento para uma visão biomédica, psiquiátrica e reducionista. Assim, construímos um produto pedagógico que disponibiliza conteúdos, estratégias e metodologias para serem utilizadas em diferentes formatos de processos educativos visando uma compreensão da saúde mental conectada com o campo da saúde pública e associada a questões da cultura e da sociedade. O documento visa disponibilizar conceitos, estratégias e ferramentas facilitadoras sistematizadas em um roteiro de apoio para construir múltiplos processos formativos baseados em uma concepção de saúde mental que promova autonomia e acolhimento sem institucionalização. O objetivo é contribuir para a difusão de conceitos /ferramentas pensados para profissionais da atenção básica, estimulando reflexões sobre o processo de trabalho e suas práticas, para reconhecer nelas potenciais metodologias de trabalho em Saúde Mental.
O trabalho discute os resultados e apresenta um dos produtos da pesquisa “Desafios para a saúde mental na atenção básica: construindo estratégias colaborativas, redes de cuidado e abordagens psicossociais na Estratégia de Saúde da Família/ PMA/ Fiocruz”. Uma pesquisa de natureza participativa e colaborativa que desenvolveu o Roteiro de Apoio e Facilitação de Processos Formativos de Saúde Mental para a Atenção Básica, um documento pensado para subsidiar processos educativos em saúde mental para a atenção básica de diferentes formatos. O conjunto da pesquisa tem como objetivo discutir os desafios para uma articulação entre atenção básica e saúde mental, dentro de uma perspectiva crítica ao modelo tradicional biomédico centrado no indivíduo, em especialismos e na medicalização da vida. E trabalhar a compreensão desta como essencialmente territorial, interdisciplinar e desinstitucionalizante de saberes e práticas. Dentro dessa concepção de saúde e formação como direito torna-se fundamental a compreensão do processo de trabalho em sua dimensão política e o trabalho em equipe como essencialmente relacional, potencializado pela escuta, acolhimento e pela construção de vínculos.
A construção do Roteiro teve como objetivo sistematizar conceitos, estratégias e ferramentas facilitadoras e apoiadoras de processos formativos para a atenção básica, disseminando uma concepção de saúde mental que promova autonomia e acolhimento sem institucionalização. Uma proposta pedagógica para produzir processos formativos criativos, flexíveis e colaborativos, que possa ser adaptada a diferentes necessidades locais e interesses específicos.
A metodologia foi desenvolvida ao longo de cinco anos de pesquisa, utilizando estratégias de natureza participativa e colaborativa com os diversos atores sociais envolvidos. Com objetivos exploratórios fizemos inicialmente uma busca sistematizada e análise de conteúdo de currículos de cursos virtuais/ presenciais de âmbito nacional voltados para o campo da saúde mental na atenção básica. Em reuniões exploratórias fizemos levantamento de demandas de conteúdos curriculares junto a equipes da rede básica, parceiras de pesquisas anteriores. A metodologia de criação do Roteiro de Processos Formativos foi desenvolvida em reuniões ampliadas de pesquisa e oficinas com participação de gestores, profissionais da rede, e especialistas convidados. Em duas oficinas estratégicas utilizamos a metodologia Sprint de produção de conteúdos como ferramenta de facilitação para a sistematização de conteúdos curriculares, modalidades e estratégias pedagógicas que resultaram no produto final. Resultados e Discussão Constatamos uma demanda importante por processos formativos em saúde mental entre profissionais da atenção básica, muitos formados no modelo biomédico mas que constroem práticas e produzem respostas ao sofrimento psíquico orientadas pelo seu repertório de competências e habilidades. Com isso desenvolvemos a proposta de um piloto de processo formativo, uma proposta curricular com conteúdos que possibilitem uma compreensão crítica do campo da saúde mental e atenção básica. Investi-mos em sistematizar conteúdos e estratégias pedagógicas que problematizem o pro-cesso de trabalho, visando a transformação das práticas e a reorganização da atenção, tendo como referência as necessidades de saúde e saúde mental das pessoas e territórios. O Roteiro apresenta e sistematiza elementos para processos formativos que incluam conteúdos de natureza psicossocial, discutindo conceitos e práticas originários de diferentes campos de saber. Os eixos estruturantes da proposta curricular foram organizados a partir dos conceitos-chave transversais: SUS, Atenção Básica e Saúde Mental; Território; Acolhimento; Escuta; A Potência das Práticas; O Trabalho em Equipe.
A demanda dos profissionais da rede básica por processos formativos em saúde mental justificou o esforço do nosso grupo de pesquisa em pensar esse Roteiro de Apoio e Facilitação de Processos Formativos em Saúde Mental para a Atenção Básica . Não somos um grupo de pesquisadores que quer dizer aos profissionais da atenção básica/saúde da família como agir diante das pessoas que passam a ser identificadas como casos de saúde mental. Queremos estimular a reflexão sobre historias de vida, sobre aquilo que já fazem, sobre possibilidades de ressignificar suas práticas. Os saberes psis não esgotam as possibilidades de abordagens da subjetividade e todas as questões que envolvem o processo de adoecimento e cuidado. Por isso este roteiro busca ir além do campo psi para dialogar diretamente com os profissionais das equipes de atenção básica. Nosso objetivo maior é gerar novas estratégias ativas e dialógicas para a inclusão das ações de Saúde Mental na Atenção Básica.
SOALHEIRO, Nina Isabel (org.). Saúde mental para a atenção básica. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2017. SOALHEIRO Nina e MENDES Danubiah . Formação para a reforma psiquiátrica: a experiencia do Curso de Qualificação em Saúde Mental para Profissionais com Formação de Nível Medio da EPSJV/Fiocruz. in Revista Trabalho necessário, v 18, Uff, 2018 . COELHO, Maria Thereza Ávila D. et al. Residência em Saúde Mental educando trabalhadores para a Atenção Psicossocial. Salvador: EDUFBA, 2017. SOALHEIRO, Nina Isabel; RABELLO, Elaine Teixeira; CALICCHIO, Renata Ruiz. Desinstitucionalização e abordagens psicossociais no território: uma investigação das demandas e práticas de cuidado em saúde mental. In: Cadernos Brasileiros de Saúde Mental/Brazilian Journal of Mental Health, v. 4, n. 10, 2012.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo