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O Ministério da Saúde fomentou projetos de Educação Interprofissional (EI) , entendendo que esta abordagem qualifica mais a formação de estudantes de graduação para o SUS. Em 2019 o Núcleo Regional de Saúde Leste iniciou como campo de estágio de EI para estudantes da UFRB, e 11 meses após seu início, os estágios foram suspensos por conta da pandemia de COVID-19, impondo a todos o desafio da continuidade. Este trabalho tem por objetivo relatar a experiência da adaptação dos estágios supervisionados para a modalidade à distância. Atividades online como estudos de caso, produção de documentos técnicos e oferta de capacitações passaram a ser realizadas mediante contato virtual frequente entre todos e a colaboração no desenvolvimento. Atividades previstas “para campo” foram cumpridas no formato de simulação. Barreiras de acesso a dispositivos e conectividade foram frequentes entre os estudantes e limitaram a participação em certas situações. Houve algum prejuízo da proposta de prática interprofissional, mas por outro lado, um grande desenvolvimento de resiliência. Além do aprendizado inerente às vivências, fica como legado a expansão das formas de comunicação e produção colaborativa mediadas por tecnologias.
Os avanços na compreensão da saúde humana engendraram, ao longo das décadas, contínuas mudanças na formação dos profissionais de saúde, tornando relevante que não apenas os ambientes acadêmicos, mas também os estágios supervisionados nos serviços de saúde se adaptassem para responder à complexidade do processo formativo do ensino superior em saúde [1,2]. Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde elaborou um plano de ação para a implementação da Educação Interprofissional no Brasil, modalidade educacional desenvolvida essencialmente por meio de aprendizado e prática colaborativas, entendendo que esta abordagem qualifica mais a formação de estudantes de graduação para o SUS [3]. Em 2019 o Núcleo Regional de Saúde Leste iniciou como campo de estágio de educação interprofissional para estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, um projeto com duração prevista de 24 meses. Onze meses após seu início, os estágios eram suspensos por conta da pandemia de COVID-19, impondo a todos os envolvidos o desafio da continuidade deste projeto, na modalidade à distância, até que o cenário epidemiológico possibilitasse o retorno presencial.
Este trabalho tem por objetivo relatar a experiência da adaptação dos estágios supervisionados do Programa de Educação para a Saúde – Interprofissionalidade, no Núcleo Regional de Saúde Leste, para a modalidade à distância, devido à pandemia de COVID-19.
Trata-se de um relato de experiência, que se justifica pelo aprendizado construído durante a pandemia, mas também pela constatação de que novas ondas da pandemia podem vir a afetar novamente o funcionamento dos serviços de saúde, e que o compartilhamento das alternativas buscadas pelos serviços para superação dos desafios impostos pode fortalecer a todos, enquanto coletivos de estudantes, educadores e profissionais de saúde do SUS. Pretende-se, com este relato, apresentar as principais dificuldade e oportunidades vivenciadas pela equipe de aprendizagem que compõe o Programa de Educação para a Saúde – Interprofissionalidade, no Núcleo Regional de Saúde Leste, e promover uma reflexão crítica sobre prejuízos e ganhos para a formação e os possíveis legados para a prática dos estágios supervisionados pós pandemia. Resultados e Discussão Com a suspensão do semestre letivo, pós início da pandemia, os estudantes retornaram para suas residências, muitas delas em outros municípios. Verificou-se que, mesmo que o serviço de saúde pudesse ofertar equipamentos de proteção individual para a permanência segura no campo de estágio, o aspecto social impossibilitava, já que muitos viviam em repúblicas estudantis, compartilhando despesas com colegas, e a suspensão das aulas inviabilizava sua permanência. Buscando-se uma solução compreensiva, atividades online como estudos de caso, produção de documentos técnicos e oferta de capacitações passaram a ser realizadas mediante cronograma semanal que priorizava o contato frequente entre todos e a colaboração no desenvolvimento. Atividades previstas “para campo” foram adaptadas para o formato de simulação, mas puderam ser cumpridas. Barreiras de acesso a dispositivos e conectividade foram frequentes entre os estudantes e limitaram a participação em certas situações. Houve sobrecarga das preceptoras, que já tiveram grande aumento da demanda de trabalho com a pandemia, e adicionalmente precisaram adaptar e desenvolver as atividades de estágio para a modalidade à distância.
O vínculo que já havia se estabelecido entre estudantes e preceptores, antes da pandemia, favoreceu a superação das dificuldades e foi muito importante para a continuidade dos estágios. É possível que a proposta da prática interprofissional tenha sofrido algum prejuízo pela impossibilidade do “trabalhar junto”, embora todo o trabalho de forma virtual tenha se dado em colaboração, mas por outro lado, foi evidente o desenvolvimento de resiliência pelo grupo, a busca por soluções de adaptação, e principalmente a solidariedade entre todos que, sem dúvida, sustentou a continuidade do projeto até o momento presente. Além do aprendizado inerente às próprias vivências, fica como legado uma expansão das formas de comunicação e produção colaborativa mediadas por tecnologias.
1. Medeiros e Costa, L.; Germano, R.M. Estágio curricular supervisionado na Graduação em Enfermagem: revisitando a história. Rev. Bras. Enferm. 2007, 60, 706–710. 2. Cavalcante Pimentel, E.; Lisboa De Vasconcelos, M.V.; Santos, R.; Célia, R.I.; Pedrosa, M.S.; Fernando, I.; Cavalcante Pimentel, S. Ensino e Aprendizagem em Estágio Supervisionado: Estágio Integrado em Saúde Teaching and Learning in Supervised Internship: Integrated Internship in Health. 2015, 39, 352–358, doi:10.1590/1981-52712015v39n3e01262014. 3. Costa, M.V. Da; Peduzzi, M.; Rodrigues, J.; Filho, F.; Brandão, C.; Silva, G.; Destila, E.; Roman De Gabriel, J. Educação Interprofissional em Saúde. Rede Unida 2018, 1, 85, doi:10.1016/j.ad.2010.07.001.
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