CUIDADO AOS TRABALHADORES DA SAÚDE: PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NO ENFRENTAMENTO DA SINDEMIA DE COVID-19

Vol.1 - 2021 - 137280
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Resumo

Resumo

Trata-se de relato de experiência de projeto elaborado para enfrentamento da sindemia de Covid-19, intitulado “Rede Colaborativa PICS” iniciado em abril de 2020, em desenvolvimento. Realiza teleatendimentos de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) para profissionais de saúde do Brasil envolvidos na sindemia. O objetivo do projeto é ofertar modalidades de cuidado que reforcem condições emocionais para o enfrentamento da situação, reforçando assim as práticas integrativas e complementares ofertadas pelo SUS. Como problemática emergente, o autoreconhecimento, pelos trabalhadores da saúde, da sua condição de pessoa que pode ser cuidada mostra-se como questão de saúde pública. A ansiedade, a insônia e a angústia foram relatados como principais sintomas demonstrados por profissionais de saúde no exercício de sua função durante a sindemia, em vários lugares do mundo. Evidências científicas demonstram redução destes sintomas quando as PICS são utilizadas de modo complementar ao tratamento convencional. Diante deste contexto, as PICS ofertadas de forma remota, sigilosa e com competência podem alicerçar as extenuantes rotinas, demonstrando perspectivas de apoio, companhia e estímulo ao autocuidado.

Introdução

A Covid-19 exige abordagem biológica e social de modo concomitante. Olhar de forma abrangente, para além da interrupção da propagação do vírus, requer propostas para doenças crônicas não transmissíveis, além do reconhecimento da vulnerabilidade dos mais idosos e de comunidades específicas. A concepção sindêmica orienta a saúde pública, demonstrando a importância da abordagem integrada (Horton, 2020). O conceito permite reconhecer as fragilidades e os sintomas relatados por profissionais de saúde: ansiedade, má qualidade do sono, depressão e angústia (Lai, 2020). No Brasil, foram tratados com hostilidade, responsabilizados pela propagação do vírus, afastados do convívio de seus familiares, abalados pelos adoecimentos dos colegas. A Rede Colaborativas PICS oferta teleatendimento gratuito de Práticas Integrativas aos profissionais de saúde. A Rede analisa e aprova os cadastros dos terapeutas, elabora material de divulgação individual e coletivo e oferece suporte teórico, conceitual, emocional e tecnológico aos terapeutas. Atua no âmbito do cuidado complementar, da educação e da promoção da saúde com 36 práticas integrativas e complementares, ofertadas por mais de 100 terapeutas.

Objetivos

Este artigo objetiva descrever a experiência de desenvolvimento do projeto da Rede Colaborativas PICS como uma proposta de cuidado com PICS a profissionais de saúde para o enfrentamento da sindemia de Covid-19.

Metodologia

A Rede Colaborativa PICS nasce de reflexão da trajetória profissional na saúde pública frente à compreensão da complexidade do problema sanitário vigente. Estudos apontaram para o crescimento de questões de saúde mental em situações semelhantes. Informe de evidências produzido pela Coordenação Nacional de Práticas Integrativas do Ministério da Saúde (CNPICS, 2020) ressalta melhora de sintomas relacionados à ansiedade e depressão quando as PICS são utilizadas como tratamento complementar. O projeto iniciou no Rio Grande do Sul e em maio foi redirecionado para o território nacional, integrando a campanha "Proteger o trabalhador e a trabalhadora é proteger o Brasil", promovida pelo Conselho Nacional de Saúde. Integra a Revira Saúde (revirasaude,org), aprovada pela Comissão Intergestores Bipartite (2013) e reestruturada em março de 2020 para o enfrentamento do coronavírus. Também são realizadas ações de tradução do conhecimento para a comunidade em redes sociais (@redecolaborativapics). Resultados e Discussão Iniciada na província de Hubei, na China, a Covid-19, causada por uma nova cepa viral da família Coronaviridae (SARS-CoV-2) vem se configurando como sindemia, aproximando a 1 milhão de mortes (Horton,2020). Nesse contexto desafiador, emerge a necessidade de promoção de ações de autocuidado para profissionais de saúde, caracterizadas como atividades do indivíduo, apreendidas e orientadas para o seu cuidado e desenvolvidas em situações concretas da vida, em que o indivíduo dirige para si mesmo ou regula fatores que afetam seu desenvolvimento, em benefício da vida, saúde e bem estar (BUB et al, 2006). Extrapola preocupações da saúde física, englobando sofrimento psíquico, quem cuida está em sofrimento. Realizamos mais de 200 teleatendimentos em diferentes práticas. Os principais motivos foram: Angústia, ansiedade (por suspeita de coronavírus), constipação intestinal, dor, insegurança, insônia, irritabilidade, medo, pesadelo, procura por formas naturais para se sentir melhor, e muitas pessoas com falta de ar por crise de ansiedade. Há que se considerar o período de exceção vivenciado, em que a atualização sobre os temas em cenário tem apresentado mudanças frequentes nos protocolos.

Conclusões / Considerações finais

Considera-se que, a partir de experiências como essa, o trabalho das PICS ganha importância no enfrentamento de uma questão de relevância pública, como no caso da sindemia de Covid-19. Terapeutas comprometidos e capacitados para o uso das evidências científicas nos atendimentos de PICS são fundamentais. O desafio do cuidado remoto para profissionais de saúde, com acompanhamento e desenvolvimento dinâmico de práticas integrativas e incentivo ao cuidado de si podem alicerçar rotinas extenuantes. Atividades de tradução do conhecimento relacionado às PICS, como possibilidade de interlocução com coletivos, por meio de redes sociais, ampliando recursos pessoais relacionados à manutenção da saúde mental são medidas importantes para enfrentamento da crise sanitária no Brasil.

Referências

BUB, Maria Bettina Camargo et al . A noção de cuidado de si mesmo e o conceito de autocuidado na enfermagem. Texto contexto – enferm., Florianópolis ,v. 15, n. spe, p. 152-157, 2006 . Available from . access on 01Oct.2020. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072006000500018. Lai J, Ma S, Wang Y, Cai Z, Hu J, Wei N, Wu J, Du H, Chen T, Li R, Tan H, Kang L, Yao L, Huang M, Wang H, Wang G, Liu Z, Hu S. Factors Associated With Mental Health Outcomes Among Health Care Workers Exposed to Coronavirus Disease 2019. JAMA Netw Open. 2020 Mar 2;3(3):e203976. doi: 10.1001/jamanetworkopen.2020.3976. PMID: 32202646; PMCID: PMC7090843. THE COVID-19 CATASTROPHE: WHAT’S GONE WRONG AND HOW TO STOP IT HAPPENING AGAIN. Horton, R. Cambridge: Polity, 2020. 133p. ISBN: 978-1-5095-4646-6.

Eixo Temático
  • 8. Gestão do Cuidado e de Serviços de Saúde