CONCEPÇÕES TEÓRICAS E METODOLÓGICAS ACERCA DA INTERPROFISSIONALIDADE E DAS PRÁTICAS COLABORATIVAS NAS AÇÕES EDUCATIVAS PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Vol.1 - 2021 - 136575
Comunicação Oral
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Resumo

Os fatores envolvidos no desenvolvimento da interprofissionalidade e das práticas colaborativas demandam a realização de estudos que auxiliem na compreensão dos referenciais teórico-conceituais e metodológicos e dos resultados alcançados no desenvolvimento das ações educativas destinadas aos profissionais de saúde. Este estudo tem como objetivo analisar de que forma a interprofissionalidade e as práticas colaborativas estão contempladas nas ações educativas destinadas aos profissionais de saúde no âmbito nacional e internacional. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura feita por meio de consultas às bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Brasil e da PUBMED, utilizando descritores em saúde do DECS/MESH, combinados a partir da livre associação entre eles. Os descritores selecionados foram: relações interprofissionais, comunicação interdisciplinar, práticas interdisciplinares, educação interprofissional, educação continuada. Os artigos incluídos foram categorizados e classificados em artigos teóricos, artigos empíricos, relatos de experiência e estudos de caso publicados até setembro de 2020. Os resultados destacam que a compreensão acerca da centralidade da colaboração no desenvolvimento das ações educativas é estruturante, apontando para a necessidade de reflexões acerca das novas práticas de saúde e dos modelos de formação capazes de sustentá-las.

Introdução

A dinâmica e a complexidade das necessidades de saúde tem imposto desafios aos modelos de atenção à saúde e ao processo de formação dos profissionais. Dentre estes desafios, destaca-se o preparo para o trabalho interprofissional e para as práticas colaborativas. Em todo o mundo, são buscadas soluções inovadoras, que assegurem uma abordagem integrada, centrada no usuário, com colaboração entre diferentes categorias profissionais e setores responsáveis pela melhoria da qualidade de vida e saúde das pessoas. Nessa perspectiva, a literatura apresenta contribuições da educação interprofissional para a efetivação de processos de formação capazes de estabelecer relações mais colaborativas entre os profissionais da saúde, com o objetivo de assegurar maior segurança ao paciente, reduzir erros dos profissionais e custos ao sistema de saúde. A discussão sobre a interprofissionalidade e o fortalecimento das práticas colaborativas requer o desenvolvimento de estudos que auxiliem na compreensão sobre os fatores envolvidos com sua implementação, bem como os referenciais teórico-conceituais e metodológicos adotados no desenvolvimento das ações educativas destinadas aos profissionais de saúde.

Objetivos

Analisar de que forma a interprofissionalidade e as práticas colaborativas estão contempladas nas ações educativas destinadas aos profissionais de saúde, tanto no âmbito nacional quanto internacional, no intuito de conhecer as experiências desenvolvidas, os referenciais teóricos conceituais e metodológicos utilizados e os resultados alcançados

Metodologia

Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nacional e internacional feita por meio de consultas às bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) Brasil e da PUBMED, utilizando descritores em saúde do DECS/MESH, em português e os seus correspondentes na língua inglesa, combinados a partir da livre associação entre eles. Os descritores selecionados foram: relações interprofissionais, comunicação interdisciplinar, práticas interdisciplinares, educação interprofissional, educação continuada. Foram incluídos artigos teóricos, artigos empíricos, relatos de experiência e estudos de caso publicados até setembro de 2020. Foram excluídos documentos que estivessem duplicados nas bases. A partir da leitura dos resumos disponíveis, foram elencadas as seguintes categorias de análise dos estudos: concepções teórico-conceituais presentes, estratégias metodológicas utilizadas, destinatários da ação educativa e resultados alcançados. Resultados e Discussão Foi encontrado um total de 218 artigos na BVS e 1271 na PUBMED, dos quais foram excluídos aqueles que não obedecerem aos critérios de inclusão da pesquisa e os artigos selecionados foram lidos na íntegra. Como resultados preliminares constatou-se que a maioria dos artigos é de caráter empírico e foram realizados no Canadá, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. As concepções teóricas conceituais identificadas nos estudos apontam para a compreensão da interprofissionalidade e das práticas colaborativas que perpassa pelo compartilhamento de objetivos e conhecimento da função e da importância do outro em atos que se complementam em uma relação horizontalizada. Também foi possível identificar que a maior parte deles trata de estudos de avaliação, por meio de escalas validadas, dos efeitos de programas e modelos de educação interprofissional no gerenciamento de agravos e doenças, sobretudo àquelas ligadas à saúde mental e às condições crônicas. Uma quantidade significativa de artigos apresenta desenho metodológico de modelos e propostas de aprendizagem interprofissional implantadas nos serviços de saúde tendo como público-alvo os seus trabalhadores, especialmente da área de enfermagem.

Conclusões / Considerações finais

Necessidade de superar os desafios teórico-conceituais e metodológicos nos estudos que tratam da interprofissionalidade e das práticas colaborativas. A compreensão sobre a centralidade da colaboração entre as equipes de saúde deve ser prioridade nos debates sobre a formação, qualidade do cuidado, a capacidade de comunicação e o compromisso social dos trabalhadores da saúde. Cabe ressaltar que a mudança de práticas em saúde é resultado de constantes discussões e experimentações de coletivos que refletem cotidianamente suas práticas, para além dos conceitos. Nesse sentido, a produção de práticas colaborativas no interior das equipes de saúde aproxima o exercício de análise das necessidades de saúde, das possibilidades de atuação e coloca nas equipes de saúde de um lado responsabilidades, e de outro, possibilidades de transformação das condições de vida das pessoas, ressignificando processos de trabalho e produzindo novos conhecimentos.

Referências

PEDUZZI, Marina; OLIVEIRA, Maria Amélia de Campos; SILVA, Jaqueline Alcântara Marcelino da; AGRELI, Heloise Lima Fernandes; MIRANDA NETO, Manoel Vieira de. Trabalho em equipe, prática e educação interprofissional. In: Clínica médica: atuação da clínica médica, sinais e sintomas de natureza sistêmica, medicina preventiva, saúde da mulher, envelhecimento e geriatria[S.l: s.n.], v. 1. , 2016. Disponível em:. Acesso em: 18/09/2019. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, Departamento de Recursos Humanos para a Saúde. Redes de Profissões de Saúde Enfermagem e Obstetrícia Recursos Humanos para a Saúde. Marco para Ação em Educação Interprofissional e Prática Colaborativa. Genebra, Suíça, 2010. Disponível em:. Acesso em: 18/09/2019.

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde