Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
A obesidade é um importante problema de saúde pública e sua prevenção e controle exigem a superação da fragmentação da atenção e gestão à saúde buscando assegurar ao usuário o cuidado integral e longitudinal. O presente estudo expõe o desenvolvimento e resultados de uma avaliação formativa da organização do cuidado em saúde na atenção básica no que tange à implementação da linha de cuidado para o sobrepeso e obesidade nos municípios da região do Grande ABC Paulista. Para tanto, utilizou-se dados secundários de relatórios públicos do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN Web) e do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). Contatou-se que 31% das unidades básicas de saúde ainda não dispõem de nenhuma balança de 200 kg, essenciais para o cuidado de grandes obesos, e há baixa presença de materiais para práticas corporais e exercícios físicos. Observou-se que 97% das equipes da atenção básica utilizam o Guia Alimentar para a População Brasileira em ações de promoção à saúde. Pouco mais da metade dos usuários (56%) relataram que sempre são questionados sobre sua alimentação e prática de exercício físico durante seu atendimento individual. É necessário intensificar e coordenar as ações para a efetiva implementação da linha de cuidado para sobrepeso e obesidade na região.
A obesidade é um importante problema de saúde pública em diversos países do mundo. No Brasil mais da metade da população adulta está acima do peso (57,7%) e 19,8% está obesa, sendo que nos últimos treze anos houve aumento de 68,0% da obesidade nessa população (BRASIL, 2019). Ademais, o excesso de peso é um importante fator de risco para outras doenças crônicas não transmissíveis, consequentemente um ônus para a sociedade e os sistemas de saúde, contribuindo para importantes gastos assistenciais em todo o mundo (SHEKAR & POPKIN, 2020). Trata-se de um agravo de múltiplos determinantes que coloca em risco à saúde dos indivíduos, bem como a sustentabilidade ambiental, social e econômica. Neste contexto dinâmico e complexo evidencia-se a necessidade de superar a fragmentação da atenção e gestão à saúde buscando assegurar ao usuário o cuidado integral e longitudinal para a prevenção e o controle da obesidade (BRASIL, 2014). Através da Portaria nº 424 de março de 2013 foram publicadas diretrizes para organização da prevenção e do tratamento do sobrepeso e obesidade como linha de cuidado prioritária na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas (BRASIL, 2013).
Apresentar um diagnóstico situacional da organização do cuidado em saúde no âmbito da atenção básica no que tange à implementação da linha de cuidado para o sobrepeso e obesidade nos municípios da região do Grande ABC Paulista, através do desenvolvimento de uma avaliação formativa identificando fatores que condicionam a eficiência da política juntamente com as barreiras e potencialidades.
Para a avaliação formativa a abordagem metodológica utilizada foi a análise de dados secundários de relatórios públicos dos municípios do Grande ABC Paulista a partir dos Sistemas de Informação em Saúde, que são potentes ferramentas para a vigilância em saúde frente a temática do sobrepeso e obesidade fornecendo elementos para que gestores e profissionais qualifiquem a atenção integral às pessoas por meio da análise de indicadores e processos. Utilizou-se dados provenientes do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN Web) do ano de 2019 e do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) em seu terceiro ciclo (2015-2017). As informações coletadas da avaliação externa do PMAQ-AB foram categorizadas em blocos segundo combinação de conteúdos e posteriormente foram selecionados indicadores com algum grau de relação com a linha de cuidado para o sobrepeso e obesidade. Resultados e Discussão Verificou-se alta prevalência de sobrepeso (34,6%) e obesidade (32,5%) em indivíduos (n=31.020) de 20 a 59 anos na região do Grande ABC Paulista. Foi observada uma baixa cobertura geral do SISVAN (10,9%). A utilização do prontuário eletrônico pode aumentar os registros disponibilizados por este sistema, porém apenas 25,6% das equipes de atenção básica o utilizam. Referente as unidades básicas de saúde (n=114) 64,9% possuem balanças antropométricas de 150 kg, 30,7% não dispõem de nenhuma balança de 200 kg e há baixa presença de materiais para práticas corporais e exercícios físicos. Observou-se que 96,6% das equipes de atenção básica (n=355) utilizam o Guia Alimentar para a População Brasileira em ações de promoção à saúde e 99,4% desenvolvem algum tipo de ação assim que identificam usuários com sobrepeso ou obesidade. Grupos para pessoas que desejam perder peso foi a oferta de menor frequência (81,1%). Quanto a abordagem individual, pouco mais da metade (55,6%) dos usuários (n=1436) são questionados sobre sua alimentação e prática de exercício físico durante o seu atendimento. Já as ações para o manejo da obesidade são realizadas por 97,5% das equipes NASF (n=36) dos municípios.
Destaca-se a valiosa contribuição do SISVAN e do PMAQ-AB como fontes de informação em saúde, colaborando para a elaboração de um diagnóstico situacional da região estudada face a organização da linha de cuidado para o sobrepeso e obesidade. Portanto, são potentes ferramentas de apoio a gestão local a serem exploradas, permitindo a identificação de fragilidades e oportunidades na rede de atenção à saúde no enfrentamento da obesidade, além de poder subsidiar a tomada de decisão nos diferentes níveis de gestão. O cenário descrito evidenciou desafios a serem superados e quais temáticas empregar esforços de melhorias, como o aumento da cobertura do SISVAN, maiores investimentos na aquisição e disponibilização de equipamentos e materiais e em processos de educação permanente, que coloquem em destaque a abordagem coletiva do manejo da obesidade na prática interprofissional.Assim, potencializando e fortalecendo as ações de implementação da linha de cuidado para sobrepeso e obesidade na região.
BRASIL. Diário Oficial da União. Portaria n°424, de 19 de março de 2013. Redefine as diretrizes para a organização da prevenção e tratamento do sobrepeso e obesidade como linha de cuidado prioritária da Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas. Brasília, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Perspectivas e desafios no cuidado às pessoas com obesidade no SUS: resultados do Laboratório de Inovação no manejo da obesidade nas Redes de Atenção à Saúde. Brasília, 2014. BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2018. Brasília, 2019. SHEKAR, M. & POPKIN, B.M. Obesity: Health and Economic Consequences of an Impending Global Challenge. Human Development Perspectives. Washington, 2020.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo