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Introdução: O Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SIPNI) constitui em uma inovação tecnológica que potencializa o gerenciamento dos serviços de imunização. Objetivo: Analisar as condições estruturais e de processo na implantação do SIPNI. Metodologia: Estudo transversal realizado nas salas de vacinação da atenção primária à saúde, em Minas Gerais. Profissionais de enfermagem responderam a um questionário multidimensional. Realizada análise descritiva dos dados. Resultados: Entre as 293 salas de vacinação, 64,8% têm o SIPNI implantado, 29,6% operam com a versão web e 70,4% com a versão desktop. As salas de vacinação possuem insumos básicos necessários para a implantação do SIPNI, existência de computadores e impressoras. Ainda que 48,8% dos serviços tenha acesso à internet estável, uma taxa considerável reportou instabilidade (36,9%) ou falta de acesso (14,3%). Na dimensão processo, destacam-se fatores que influenciaram o desempenho do SIPNI, como o baixo cadastro da população adscrita, falhas na busca ativa de faltosos e no aprazamento de vacinas e ausência de relatórios para monitorar a cobertura vacinal. As capacitações foram consideradas insuficientes e pouco efetivas. Conclusões: O SIPNI é uma inovação tecnológica essencial para o sucesso do PNI, mas ainda enfrenta problemas estruturais e de processo no processo de implantação.
Os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) constituem estratégias tecnológicas que instrumentalizam o processo de coleta, processamento, análise e disseminação da informação, potencializando a gestão desta nos diferentes settings do cuidado em saúde(1). Entre os SIS incluem-se aqueles destinados a gestão dos dados de imunização, cujo propósito é o planejamento da tomada de decisões frente à eles(2). No Brasil, foi implantado em 2010(2), o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SIPNI). Este possibilita o registro individual de cada vacinado(2), além de fornecer informações quanto ao quantitativo de doses aplicadas, coberturas vacinais e os eventos adversos pós-vacinação(2). Entretanto, desafios são observados quanto à sua operacionalização, integralidade e qualidade dos dados coletados(1). Soma-se à dificuldade de operacionalização dois aspectos: o de ordem estrutural (recursos empregados); e o de ordem processual relacionado às atividades executadas para o manuseio adequado do sistema(2,3). Ambos se configuram, com igual proporção, em fatores imprescindíveis para a eficácia do SIPNI, portanto, faz-se necessário conhecer os elementos facilitadores e dificultadores.
Analisar as condições estruturais e de processo na implantação do SIPNI.
Estudo transversal realizado nas salas de vacinação da atenção primária à saúde (APS) dos 54 municípios da Macrorregião de Saúde Oeste de Minas Gerais, em 2017. Das 307 salas de vacinação elegíveis na região, 293 foram incluídas e 14 excluídas por não terem o SIPNI implantado. Participaram da pesquisa, profissionais de enfermagem atuantes em salas de vacinação com o SIPNI implantado e que soubessem operacionalizar o sistema. Foram analisadas as dimensões de estrutura e processo, referentes aos componentes de gestão do SIPNI, registro do vacinado e movimento dos imunobiológicos por meio de um questionário multidimensional (estrutura e processo). Procedeu-se a análise descritiva dos dados com distribuição de frequências absolutas e relativas das variáveis estudadas, além da medida de tendência central mediana das variáveis quantitativas. Os dados foram processados e tabulados nos softwares Epidata (versão 3.1) e Epi Info (Versão 7.0). Resultados e Discussão Os resultados apontaram que das 293 salas de vacinação, 64,8% tinham o SIPNI e 30,6% utilizavam o SIS próprio. Das salas com o SIPNI, 29,6% operam com a versão web e 70,4% operam com a desktop. As salas possuem insumos básicos, embora 48,8% tenha acesso à internet estável, 36,9% apontaram para instabilidade e 14,3% falta de acesso. Os canais de comunicação menos utilizados foram: chat, site do SIPNI e videoaulas. Em todas salas utiliza-se papel para registro dos dados, corroborando outros estudos(3,5). Os maiores problemas são às práticas dos profissionais no manuseio do SIPNI, como baixo cadastro da população adscrita, falhas na busca ativa de faltosos e no aprazamento de vacinas e ausência de relatórios para monitorar a cobertura vacinal. As capacitações foram consideradas insuficientes e pouco efetivas. Estudos relatam que as capacitações precisam ser contínuas e motivadoras para que um sistema seja implantado, além de darem subsídios para o uso da informação por ele gerada(4,5). A capacidade do profissional de manusear tecnologia impacta diretamente no uso do SIS, portanto, essas habilidades precisam ser aprimoradas(5,6). O SIPNI ainda é subutilizado nos serviços de saúde.
A análise dos resultados identificou que, de forma geral, os elementos mais limitantes da implantação do SIPNI estiveram relacionados à dimensão processo, sinalizando uma necessidade de mudança geral das atividades desenvolvidas nas relações de produção entre profissionais e vacinados.
1. Holmes ES, Santos SR, Almeida AF, Oliveira JHD, Carvalho GDA, Fonseca LCT, et al. Health information systems in the decision making process in primary care. Int Arch Med.2016;9. 2. Sato APS. National Immunization Program: Computerized System as a tool for new challenges.Rev Saúde Pública.2015;49(39)1-5. 3. Silva BS, Guimarães EAA, Oliveira VC, et al. National Immunization Program Information System: implementation context assessment.BMC Health Serv.Res.2020;20(333). 4. Oliveira VC, Rennó HMS, Santos YR, et al. Educação para o trabalho em sala de vacina: percepção dos profissionais de enfermagem.R.Enferm.Cent.O.Min.2016;6(3):2331-41. 5. Oliveira VC, Guimarães EAA, Perez G, et al. Factors related to the adoption of the Brazilian National Immunization Program Information System.BMC Health Serv.Res.2020;20(759). 6. Santos MC, Marin HF. Análise do uso de um sistema informatizado por gestores hospitalares.Acta paul.enferm.2018;31(1):1-6.
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