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Objetivo: Descrever experiência do grupo de apoio à Atenção Primária em Saúde, do Comitê de Enfermagem para Enfrentamento da Covid-19 em uma capital do nordeste do Brasil. Método: Representantes de universidade pública, trabalhadores e gestores, contataram unidades de saúde, entre março e maio de 2020, coletaram informações sobre estrutura física, planos de ação, fluxos de atendimentos e força de trabalho. Resultados: Em 46 unidades evidenciaram problemas: fragilidades na vigilância em saúde; estrutura física para atender usuários com e sem sintomas respiratórios; inadequação de equipamentos de proteção individual; afastamento de profissionais, também infectados pelo SARS-CoV-2; capacitação insuficiente às demandas. Foram disponibilizados às unidades: materiais de apoio técnico-científico, espaços virtuais de debates, encaminhadas demandas trabalhistas, materiais para adequar rotinas dos serviços e recomendações para instância superior da gestão municipal de saúde. Conclusões: Diante de fragilidades derivadas de todo processo histórico de implantação da APS, a pandemia exige ações técnicas, mas também propostas estratégicas e criativas, por meio de novos arranjos e múltiplos olhares capazes de responder à emergência sanitária.
No enfrentamento à pandemia Covid-19, a conjunção de esforços, a partir de estratégias como a articulação entre universidade e serviços de saúde, pode ganhar novos contornos com a participação de entidades de classe profissionais, promovendo alternativas de apoio organizacional, busca de evidências e difusão de conhecimento. Nesse contexto, constituiu-se um Comitê de Enfermagem, em um estado do nordeste brasileiro, buscando pensar, discutir e propor ações de enfrentamento à pandemia junto aos gestores e profissionais da saúde. Além das demandas relacionadas à assistência hospitalar aos casos graves, a pandemia exige dos gestores do SUS a organização de ações primárias (testagem massiva, produção de informação, ações intersetoriais e articulação com a sociedade civil, por exemplo). Desta forma, dadas as características do SUS de universalidade e Atenção Primária à Saúde como porta de entrada preferencial, é estratégico reforçar o enfrentamento tendo a APS como ordenadora da rede de atenção e elemento fundamental na estruturação de ações encadeadas, sobretudo, em um país de dimensões continentais e de grande desigualdade social. Este foi o foco do Comitê1,2,3.
Descrever a experiência do Grupo de Trabalho (GT) de Apoio à APS do Comitê de Enfermagem para Enfrentamento da Covid-19 em um estado do Nordeste. São apresentados elementos da construção e atuação do GT, destacando-se a relevância deste modelo colaborativo, sobretudo pelo envolvimento das organizações que representam o(a)s trabalhadore(a)s da saúde, da Universidade, e da gestão local da saúde, para analisar desafios e possibilidades do primeiro nível de atenção do SUS.
Relato de experiência de um grupo de trabalho de apoio à APS criado pelo Comitê de Enfermagem para o Enfrentamento da Covid-19, em uma capital do Nordeste. O comitê foi formado em março de 2020 por 14 representantes de diferentes instituições. A atuação do comitê focou na orientação, apoio e defesa das trabalhadoras em enfermagem, iniciando pelo acompanhamento da elaboração e revisão dos planos de contingência das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Assim, foram escolhidas, aleatoriamente, 78 UBS para contato e acompanhamento através de e-mail ou telefone. Elaborou-se um instrumento de coleta de dados para acompanhá-las, buscando identificar elementos do processo de trabalho e infra-estrutura frente à pandemia. As equipes foram acompanhadas por 45 dias, gerando um diagnóstico situacional e implementação de ações conforme demandas identificadas. Resultados e Discussão Do total de 78 unidades selecionadas, 46 responderam ao contato, sendo que 41 delas não possuíam um plano de contingência escrito. Os problemas mais frequentes foram agrupados em 7 dimensões: a) Processo de trabalho; b) Organização dos serviços e da rede; c) Estrutura física; d) Condições de trabalho; e) Afastamento do(a)s profissionais pertencentes a grupos de risco ou casos suspeitos. f) Educação Permanente/matriciamento. As ações implementadas e produtos elaborados e divulgados foram: levantamento de protocolos e notas técnicas essenciais ao trabalho, elaboração de material técnico-científico sobre desinfecção, manejo de resíduos, curativos, trabalho dos ACS e telemonitoramento, divulgação de cursos on-line e redes sociais do Comitê de Enfermagem para Enfrentamento da COVID-19 para informações/denúncias. O direto ao afastamento para profissionais de risco foi garantido por ação judicial movida pelo Comitê, através do COREN. Também foram promovidos debates virtuais sobre: Diagnóstico; Atuação do Comitê; Trabalho da APS com foco no território, bem como reuniões virtuais com gestores municipais para formalização de recomendações.
O Comitê de Enfermagem para enfrentamento à Covid-19, através do GT de apoio à APS, enfrentou desafios e uniu forças, contando com a universidade, gestores locais, profissionais de saúde e suas entidades de classe, na busca conjunta por caminhos de para o enfrentamento de situações complexas. Considerando os desafios históricos para o fortalecimento da APS, e a importância desta para o enfrentamento da Covid-19, buscou-se, com relativo êxito, enfatizar e fortalecer o seu papel estratégico, o trabalho nos territórios e o potencial para ordenar a utilização da rede de atenção. Diante de fragilidades derivadas de todo processo histórico de implantação da APS, a pandemia exige ações técnicas, mas também propostas estratégicas e criativas, por meio de novos arranjos e múltiplos olhares capazes de responder à emergência sanitária.
1 Anelli F, Leoni G, Monaco R, Nume C, Rossi RC, Marinoni G et al. Italian doctors call for protecting healthcare workers and boosting community surveillance during covid-19 outbreak. BMJ. [Internet]. 2020. [cited 2020 May 20];368:m1254.Disponível em : https://www.bmj.com/content/368/bmj.m1254. 2 Chueiri, PS, Harzheim, E, Takeda, SMP. (2017). Evaluation of health care coordination and health care networks ordination by Primary Health Care – a proposal of items for the evaluation of these attributes.. Rev Bras Med Fam Comunidade. [Internet] 2017. [cited 2020 Jun19];12(39):1-18. Disponível em: https://doi.org/10.5712/rbmfc12(39)1363 3 Sarti TD, Lazarini WS, Fontenelle LF, Almeida APSC. What is the role of Primary Health Care in the COVID-19 pandemic? Epidemiol. Serv. Saude. [Internet] 2020. [cited 2020 Jun15];, 29(2):e2020166. Disponível em: https://doi.org/10.5123/s1679-49742020000200024
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