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Na atenção à saúde da pessoa com anemia falciforme é essencial o cuidado compartilhado e coordenado pela Atenção Primária à Saúde, por meio de efetivo sistema de referência e contrarreferência. Objetivou-se compreender a ótica de profissionais de saúde da família acerca da referência e contrarreferência na rede de atenção à saúde da pessoa com anemia falciforme. Estudo qualitativo, na Estratégia Saúde da Família (ESF) de Diamantina, Minas Gerais - Brasil. Participaram 16 profissionais, médicos e enfermeiros da ESF da zona urbana. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas individuais, nas unidades de saúde, entre abril e junho de 2017. As entrevistas foram encerradas tendo como critério a saturação das informações. Optou-se pela Análise de Conteúdo, modalidade temática. Os resultados advém da categoria “fragilidades na rede de atenção à saúde da pessoa com anemia falciforme”. Não ocorre acompanhamento sistemático dos usuários e não há integração no sistema de referência e contrarreferência. Os pesquisados atribuíram a atenção ao usuário ao serviço especializado – representado pela Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (Hemominas). Ademais, não há uma integração na rede de atenção à saúde entre a ESF e o Hemominas. Faz-se necessário que os profissionais de saúde conheçam o assunto e sejam habilitados para proporcionarem um cuidado integral.
Introdução A pessoa com anemia falciforme demanda acompanhamento multiprofissional por toda sua vida, já que se trata de uma doença crônica e incurável. O tratamento deve ser ancorado em uma assistência de qualidade e condizente com as particularidades de cada pessoa. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da hemorrede e dos hospitais de referência, tem garantido avanços aos usuários com tal condição (SILVA et al., 2013; BRASIL, 2015). Nessa perspectiva, torna-se essencial um cuidado compartilhado e coordenado pelos serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), através de um efetivo sistema de referência e contrarreferência, com o estabelecimento de um plano de cuidados, a integração entre os pontos da rede de atenção à saúde e a integralidade (AMARAL et al., 2015). A Estratégia de Saúde da Família (ESF) apresenta especial destaque, pois garante maior oferta e qualidade das ações integrais de saúde, tem se configurado como a principal porta de entrada do SUS e valoriza a humanização em novas relações com a equipe multiprofissional (LEITE et al., 2016).
Objetivo Compreender a ótica de profissionais de saúde da família acerca da referência e contrarreferência na rede de atenção à saúde da pessoa com anemia falciforme.
Metodologia Estudo qualitativo realizado na ESF de Diamantina, Minas Gerais (MG) – Brasil. Os participantes foram 16 profissionais, médicos e enfermeiros. Optou-se pelo critério de inclusão ser enfermeiro ou médico de uma equipe da saúde da família. Foram excluídos aqueles em readaptação funcional, afastamento e os que não fossem encontrados após três tentativas de coleta. Os entrevistados foram identificados por um código: os enfermeiros pela sigla ENF (ENF 1 a ENF 8) e os médicos pela sigla MED (MED 1 a MED 7). Conduziram-se entrevistas semiestruturadas individuais, nas unidades de saúde, em local reservado e em horário previamente definido, entre abril a junho de 2017. As entrevistas foram encerradas tendo como critério a saturação das informações. Na organização e análise optou-se pela Análise de Conteúdo, modalidade temática. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer 1.973.422/2017) e obteve concordância da Secretaria Municipal de Saúde. Resultados e Discussão Resultados e Discussão Os achados advém da categoria “fragilidades na rede de atenção à saúde da pessoa com anemia falciforme”. Revelaram que não ocorre acompanhamento sistemático dos usuários e não há integração no sistema de referência e contrarreferência. Os pesquisados atribuíram a atenção ao serviço especializado – representado pela Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (Hemominas). [...] Eu não me lembro de uma contrarreferência do Hemominas. A gente pena com a contrarreferência. [...] Se a gente não pedir ao paciente pedir um relatório, ninguém manda pra gente. “A doutor tenho anemia falciforme”, às vezes não traz a receita [o usuário]. Então a gente não sabe do acompanhamento, fica muito perdido. (MED 1) Essa fragmentação diverge das diretrizes do sistema de saúde se estruturar em rede, a qual deveria vincular e coordenar o fluxo dos usuários nos diferentes níveis de atenção (COSTA et al., 2013; AIRES et al., 2017). Tal rede necessita que os profissionais e serviços estejam interligados, atentos às suas respectivas funções, compartilhando o cuidado e o monitoramento em todos os pontos que a compõem.
Considerações Finais A rede de atenção à saúde mostrou-se frágil, com os mecanismos de referência e contrarreferência incipientes, com pouca articulação entre a ESF e o Hemominas. Faz-se necessário que os profissionais de saúde conheçam o assunto e sejam habilitados para proporcionarem um cuidado integral. É imperativo estruturar os fluxos de cuidado e aperfeiçoar os mecanismos de referência e contrarreferência, no intuito de melhor organizar a assistência e aprimorar a qualidade do cuidado. Consequentemente, haverá maior articulação entre os serviços e, dessa forma, os profissionais da ESF e dos demais níveis de atenção poderão ter maior controle da terapêutica, com vistas à integralidade.
Aires LCP et al. Reference and counter-reference health care system of infant discharged from neonatal unit: perceptions of primary care health professionals. Esc Anna Nery. 2017;21(2):e20170028. Amaral JL et al. Perfil sociodemográfico, econômico e de saúde de adultos com doença falciforme. Rev Rene. 2015;16(3):296-305. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2015. Costa SM et al. Referência e contrarreferência na saúde da família: percepção dos profissionais de saúde. Rev APS. 2013;16(3):287-93. Leite RS et al. Estratégia Saúde da Família versus centro de saúde: modalidades de serviços na percepção do usuário. Cad Saúde Colet. 2016;24(3):323-9. Silva HD et al. Anemia falciforme e seus aspectos psicossociais. CUIDARTE. 2013;4(1):475-83.
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