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Desde a descoberta da infecção pelo Vírus Imunodeficiência Humana (HIV), a infecção pelo vírus vem se mostrando como um fenômeno global, instável e dinâmico. Em pouco tempo, se transformou em um grave problema de saúde pública em razão dos altos índices de morbimortalidade. Ao longo dos últimos anos em diversas regiões do mundo, ocorreu o aumento progressivo do número de mulheres infectadas pelo vírus HIV principalmente indivíduos femininos em idade fértil, com baixa renda e escolaridade expondo o grupo de crianças e adolescentes na população. A gestação na presença do HIV impõe diversos desafios à mulher e sua família, entre os quais se destacam os esforços visando à prevenção da transmissão materno-infantil do vírus (transmissão vertical). Porto Alegre é a capital com a maior taxa de detecção de HIV em gestantes, cuja taxa foi de 20,2 casos∕mil nascidos vivos. Esta taxa foi sete vezes superior à média brasileira (que foi de 2,9 casos∕mil nascidos vivos) e foi 2,2 vezes maior do que a taxa do Rio Grande do Sul (9,2 casos∕mil nascidos vivos). Este trabalho se insere em um estudo de maior amplitude, devidamente aprovado em Comitê de Ética em Pesquisa. O trabalho retrospectivo consistiu no acompanhamento dos casos e encerramentos das crianças expostas, consultadas em sistemas eletrônicos como E-SUS, e na busca ativa de casos sem resultado do teste.
A AIDS é um grave problema de saúde pública no mundo e os cuidados com gestantes e crianças expostas são fundamentais para reduzir a transmissão vertical. Porto Alegre é a capital com a maior taxa de detecção de HIV em gestantes, cuja taxa foi de 20,2 casos por mil nascidos vivos. A taxa é sete vezes superior à média brasileira, de 2,9 por mil nascidos vivos, e 2,2 vezes maior do que a taxa do Rio Grande do Sul (9,2 casos por mil nascidos vivos). A vigilância epidemiológica é base estruturante para o controle e redução da transmissão vertical, pois permite analisar, sistematicamente, as ocorrências e seus fatores de risco, com o propósito de orientar intervenções necessárias ao controle ou eliminação. No caso de notificação de gestante HIV+ e criança exposta, todos os casos suspeitos devem ser notificados. A vigilância ocorre em três momentos – no pré-natal, no parto, e no acompanhamento da criança, que em Porto Alegre se estende até os 24 meses. Após os 24 meses, o caso é encerrado, mediante informação fornecida pelos serviços sobre o resultado da sorologia para o HIV na criança (positiva ou negativa), ou por perda de seguimento.
O objetivo deste trabalho foi analisar gestantes com HIV e crianças expostas em Porto Alegre, fornecendo subsídios para discussão de possíveis melhorias assistenciais no enfrentamento ao HIV.
Este trabalho se insere em um estudo de maior amplitude, devidamente aprovado em Comitê de Ética em Pesquisa. Trata-se de um estudo quantitativo, caracterizado como uma coorte retrospectiva, com dados provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) de Porto Alegre, de 2002 a 2019. O trabalho retrospectivo consistiu no acompanhamento dos casos e encerramentos das crianças expostas, consultadas em sistemas eletrônicos como E-SUS, e na busca ativa de casos sem resultado do teste. Utilizou-se para comparações o recorte geográfico das oito gerências distritais da cidade: 1) Centro (CEN), 2) Noroeste /Humaitá /Navegantes /Ilhas (NHNI), 3) Norte /Eixo Baltazar (NEB), 4) Leste /Nordeste (LENO), 5) Glória /Cruzeiro /Cristal (GCC), 6) Sul /Centro-Sul (SCS), 7) Paternon /Lomba do Pinheiro (PLP), 8) Restinga /Extremo-Sul (RES). Para análise estatística utilizou-se estatística descritiva e comparações entre as oito gerências distritais da cidade. Resultados e Discussão A amostra foi composta por 8.520 gestantes e crianças. Na análise geral observou-se que das gestantes com HIV 58% são brancas, a faixa etária predominante é de 21 a 35 anos (72%) e maior concentração entre as que cursaram da 4ª a 7ª série incompleta (49,6%). As Gerências com predomínio de gestantes da raça negra foram Restinga Extremo Sul (RES) com 58% e Leste Nordeste (LENO) com 52%. Entre as gestantes, 58,7% já tinham diagnóstico do HIV antes do pré-natal e o início do pré-natal após a 12ª semana ocorreu para 73%. Na comparação entre as gerências distritais da cidade, evidenciou-se diferença estatística no perfil das gestantes com HIV em relação à raça (
O estudo apresenta elevado percentual de gestantes com baixa escolaridade, com diagnóstico do HIV antes do pré-natal, mas que iniciam o pré-natal tardiamente, apontando fragilidade assistencial. Além disso, observam-se diferenças entre perfil de gestantes e encerramento dos casos das crianças entre as gerências. Os achados podem contribuir para o fortalecimento das estratégias de enfrentamento visando melhorar a saúde das gestantes e das crianças expostas ao HIV.
ALMEIDA, LABRONICI. A trajetória silenciosa de pessoas portadoras do HIV contada pela história oral. Ciênc. saúde coletiva [online], 2007 vol.12, n.1. AZEVEDO, K. M. L. Transmissão vertical do vírus da imunodeficiência humana-como reduzir o risco. DST - Jornal brasileiro de doenças sexualmente transmissíveis, Rio de Janeiro, v. 13, n. 6, p. 49-53, 2001. BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico HIV-AIDS. Ano V - no 01. Brasília,DF,2017aDisponívelem https://saude.rs.gov.br/upload/arquivos/carga20180508/11140851- boletim-2017.pdf Acesso em 5 outubro 2019. BRASIL. Ministério da Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. HIV: Estratégias para Diagnóstico no Brasil. Brasília, 2010. 82 p. Série Telelab. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Boletim Epidemiológico HIV e Aids. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
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