Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Resumo

Objetivo: Descrever a experiência do grupo PET Saúde da FCMSCSP no Ambulatório Transexualizador de um serviço de saúde da região central do município de São Paulo. Método: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado entre outubro de 2019 e janeiro de 2020 por graduandos, tutores e preceptores, por meio de pesquisa bibliográfica, visitas ao serviço e discussões em grupo. Resultados: O ambulatório constitui-se por diferentes categorias profissionais e abarca aspectos biopsicossociais da população transexual, revelando-se como um espaço de atuação sinérgica da equipe de saúde. Das visitas realizadas ao serviço depreendeu-se que o ambiente é potencialmente interprofissional, porém necessita de uma organização estrutural mais sólida para sua consolidação, evidenciando circunstância oportuna para o fortalecimento de ações de integração ensino-pesquisa-comunidade, consonante à proposta do PET-Saúde. Conclusões: A pesquisa e o debate contribuíram para aprimorar a capacidade do grupo para identificação do potencial trabalho interprofissional, alinhando valores e objetivos de forma a estabelecer a prática colaborativa para promover a visibilidade e fortalecer a atenção integral à população transexual.

Introdução

A identidade de gênero é um construto social que pode ser variável de acordo a cultura na qual ela está inserida. A pessoa transexual tem a necessidade de ser reconhecida tanto socialmente como profissionalmente de acordo com o gênero a qual ela se sente pertencida. Trata-se de uma questão subjetiva. Entre os principais desafios à garantia do acesso universal ao SUS pela população trans estão a discriminação nos serviços e equipamentos de saúde; a patologização da transexualidade, o acolhimento inadequado; a exigência de cirurgia; a qualificação dos profissionais; a ausência de política de atenção básica e inexistência de rede de saúde; e a escassez de recursos para o financiamento dos processos transexualizadores e de políticas de promoção da equidade e respeito às identidades de gênero trans. Considerando a conquista dos direitos transexuais, entre esses a hormonioterapia, juntamente com os princípios da universalidade e integralidade do SUS, ressalta-se a importância do trabalho Interprofissional de forma a propiciar atendimento integral e em conjunto, abrangendo todas as questões que envolvem esta população.

Objetivos

Descrever a experiência do grupo PET Saúde da FCMSCSP no Ambulatório Transexualizador de um serviço de saúde da região central do município de São Paulo, como espaço de atuação interprofissional.

Metodologia

Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado entre outubro de 2019 e janeiro de 2020, por meio de pesquisa bibliográfica em bases de dados, visitas ao serviço de hormonioterapia da UBS Dr. Humberto Pascale (UBS Santa Cecília/São Paulo) e discussões em reuniões quinzenais com a equipe do PET Saúde Interprofissionalidade da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O PET-Saúde/Interprofissionalidade faz parte do conjunto de atividades previstas nas linhas de ação do plano nacional para a implementação da educação interprofissional no Brasil, apresentado à Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde (OPAS / OMS) pelo Ministério da Saúde, destinado a viabilizar o aperfeiçoamento e a especialização em serviço, bem como a iniciação ao trabalho, estágios e vivências, dirigidos, aos profissionais, estudantes da área da saúde e usuários de serviços de saúde, de acordo com as necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Resultados e Discussão A experiência da Coordenadoria Regional de Saúde Centro tem sido referência para as outras regiões do município de São Paulo e para outros municípios do Estado de São Paulo. O ambulatório de hormonioterapia da UBS Dr. Humberto Pascale foi o primeiro serviço criado em São Paulo para atendimento da população trans e constitui-se por diferentes categorias profissionais, abarcando aspectos biopsicossociais da população trans, revelando-se como um espaço de atuação sinérgica da equipe de saúde. A interprofissionalidade mostrou-se como um objeto de estudo de intersecção entre educação, trabalho e cultura ao identificar que os atributos para a ação integrada são desenvolvidos ao longo da formação acadêmica e que sua prática depende da estrutura do serviço, da equipe e dos valores sociais e individuais. Das visitas realizadas ao serviço depreendeu-se que o ambiente é potencialmente interprofissional, porém necessita de uma organização estrutural mais sólida para sua consolidação, evidenciando circunstância oportuna para o fortalecimento de ações de integração ensino-pesquisa-comunidade, consonante à proposta do PET-Saúde.

Conclusões / Considerações finais

A pesquisa e o debate contribuíram para aprimorar a capacidade do grupo para identificação do potencial trabalho interprofissional, alinhando valores e objetivos de forma a estabelecer a prática colaborativa para promover a visibilidade e fortalecer a atenção integral à população transexual.

Referências

Jesus, JG de. Orientações sobre identidade de gênero: conceitos e termos /Guia técnico sobre pessoas transexuais, travestis e demais transgêneros, para formadores de opinião. Brasília, 2012. 42p. Nogueira S. N. B., Aquino T. A., Cabral E. A. Dossiê: a geografia dos corpos das pessoas trans. Brasil. Rede trans Brasil, 2017. Monteiro S., Brigeiro M., Barbosa M. R. Saúde e direitos da população trans. Cad. Saúde Pública vol.35 no.4 Rio de Janeiro 2019 Epub Apr 08, 2019. Rocon PC et al. Acesso à saúde pela população trans no Brasil: nas entrelinhas da revisão integrativa. Trabalho, Educação e Saúde, 18(1), e0023469. Epub November 11, 2019.

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde