AGENTES DE SAÚDE E FORMAÇÃO TÉCNICO-PROFISSIONAL: AVALIAÇÃO DE ACS E ACES NA PARTICIPAÇÃO DE SEMINÁRIO SOBRE PRÁTICA COLABORATIVA E COMPLEMENTAR

Vol.1 - 2021 - 137228
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Resumo

Resumo

INTRODUÇÃO: A atuação dos agentes no SUS, os quais possuem objetos distintos, porém complementares, requisita o debate sobre a formação técnico-profissional e prática interprofissional colaborativa. OBJETIVO: Apresentar os resultados da avaliação do seminário cujo tema foi “A formação Técnico-Profissional dos ACS e ACEs no contexto da Prática Interprofissional na Atenção Básica e na perspectiva da Saúde Coletiva”. Metodologia: Análise das respostas dadas ao instrumento de avaliação enviado exclusivamente aos agentes que registraram presença no seminário. RESULTADOS E DISCUSSÃO: 97% consideram que debate sobre a formação técnico-profissional e a perspectiva de uma prática interprofissional colaborativa entre ACS, ACEs e Equipes de Saúde foi relevante e contribuiu para uma reflexão sobre o processo de trabalho vivenciado território. Apesar de mais de 90% concordarem que os agentes têm objetos e atividades cotidianas distintas e complementares, 54% não consideram que os agentes têm total acompanhamento ou orientação regular no cotidiano de trabalho que garanta uma integração e/ou cooperação. CONCLUSÕES: A avaliação do seminário realizado demonstrou um “feedback” muito positivo dos participantes que o evidencia como muito oportuno e necessário. Ao mesmo tempo, demonstrou uma necessidade mais ampla e direcionada a orientação e supervisão sob a perspectiva da Interprofissionalidade.

Introdução

A relação entre o processo e o escopo de trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e de Combate as Endemias (ACE) é fundamental para o alcance da integralidade no território através da integração entre ações de atenção primária e vigilância à saúde. A atuação dos agentes no SUS, os quais possuem objetos distintos, porém complementares, requisita o debate sobre a formação técnico-profissional e prática interprofissional colaborativa. Mudanças recentes no âmbito das políticas de atenção básica, tangencia uma unificação da prática desses profissionais, o que prejudica a garantia dessa complementariedade e ameaça a distinção de ambas categorias. Logo, reside à necessária e fundamental colaboração entre os ACS e ACEs, tendo em vista a confluência de seus processos de trabalho como práticas complementares com necessidade de acompanhamento, apoio e supervisão pedagógica para garantir uma efetiva integração. Os seminários temáticos como prática pedagógica de formação são importantes espaços de debates e participação que possibilitam discorrer sobre assuntos não tratados no ambiente trabalho, como a reflexão sobre seu próprio fazer cotidiano.

Objetivos

Apresentar os resultados da avaliação do seminário temático destinados aos agentes de saúde cujo tema foi “A formação Técnico-Profissional dos ACS e ACEs no contexto da Prática Interprofissional na Atenção Básica e na perspectiva da Saúde Coletiva” ocorrido em dezembro de 2019 na Escola de Saúde Pública da Bahia – Professor Jorge Novis, órgão que têm historicamente na sua atuação o comprometimento com a Formação-Técnico Profissional destas categorias no SUS.

Metodologia

Análise das respostas dadas ao instrumento de avaliação enviado exclusivamente a todos os agentes que registraram presença no credenciamento do seminário, constando dos seguintes critérios: expectativa prévia, alcance dos objetivos, conteúdo dos debates, coordenação e organização geral. Além disso, foram incluídos neste instrumento algumas questões relacionadas ao processo de trabalho e a perspectiva de cooperação e complementaridade entre o fazer do ACS e do ACE que surgiram nas discussões dos grupos de trabalho após as mesas debatedoras. Resultados e Discussão O seminário contou com a presença de aproximadamente 176 participantes credenciados: 81% agentes de saúde, cuja a avaliação correspondeu a 21% desse total (n = 37). Com relação às expectativas prévias, a mais indicada foi contribuir para a compreensão do lugar dos agentes diante das mudanças da política de saúde. Para 97% dos participantes, o debate sobre a formação técnico-profissional e a perspectiva de uma prática interprofissional colaborativa entre ACS, ACEs e Equipes de Saúde foi relevante e contribuiu para uma reflexão sobre o processo de trabalho vivenciado território. Quanto à participação dos agentes, 75% responderam que contemplou a representatividade das duas categorias nos espaços. Mais de 80% considerou que os conteúdos propostos nas mesas foram pertinentes possibilitando o alcance dos objetivos e das expectativas prévias. Tendo em vista o processo de trabalho, apesar de mais de 90% concordarem ter objetos e atividades cotidianas distintas que podem se complementar, 54% não considera, 14% parcialmente, que o trabalho dos ACS ou do ACEs tem total acompanhamento, supervisão e/ou orientação regular no cotidiano de trabalho que garanta uma integração e/ou cooperação.

Conclusões / Considerações finais

A avaliação das práticas pedagógicas é essencial para mensurar o impacto do processo educativo, bem como, os frutos das informações proporcionadas pelos espaços. As frequências de respostas ao instrumento de avaliação do seminário realizado demonstraram um “feedback” muito positivo dos participantes que o evidencia como muito oportuno e necessário. Os resultados apontam que a compreensão sobre as mudanças atuais nas Políticas de Saúde instrumentaliza os agentes de saúde para compreenderem melhor os impactos proporcionados pela conjuntura vigente. Ao mesmo tempo, evidencia uma necessidade mais ampla e direcionada a orientação e supervisão sob a perspectiva da Interprofissionalidade, estratégia essencial para melhorias no processo de trabalho de maneira complementar e colaborativa, uma vez que é requisito para efetiva integração entre ações de atenção primária e vigilância à saúde.

Referências

•COSTA, MV da. A potência da educação interprofissional para o desenvolvimento de competências colaborativas no trabalho em saúde. In Toassi, Ramona Fernanda Ceriotti (org.). Interprofissionalidade e formação na saúde: onde estamos? – 1.ed. – Porto Alegre: Rede UNIDA, 2017. •MOROSINI, M. V.; CORBO, A. D.‘A.; GUIMARÃES, C. C.. O agente comunitário de saúde no âmbito das políticas voltadas para a atenção básica: concepções do trabalho e da formação profissional. Trabalho, educação e saúde, v. 5, n. 2, p. 287-310, 2007. • OLIVEIRA, M. M.; DE CASTRO, G. G.; FIGUEIREDO, G. L. A. Agente de combate às endemias e o processo de trabalho da equipe de saúde da família. Revista Brasileira em Promoção da Saúde, v. 29, n. 3, p. 380-389, 2016. • PEDUZZI, Marina et al. Trabalho em equipe, prática e educação interprofissional. Clínica médica. 2ª ed. Barueri: Manole, v. 1, p. 1-9, 2016.

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde