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Resumo

Resumo

Relata-se uma experiência em andamento de discentes de enfermagem do Campus de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense no projeto de extensão “Educação Permanente para Agentes Comunitários de Saúde e de Controle de Endemias sobre as estratégias de enfrentamento da COVID-19 nos territórios da Baixada Litorânea/RJ.” Por meio da vivência na capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Controle de Endemias (ACE) em plataforma digital, foram identificados desafios referentes à responsabilidade assumida com o planejamento e organização da capacitação com docentes e o uso da tecnologia digital. O objetivo é descrever o processo de atuação das discentes no Projeto e relatar o significado da experiência vivenciada por estas. A participação das acadêmicas foi essencial para a (re) construção do conhecimento sobre a atuação dos ACS e ACE frente a atual conjuntura. Por meio das dinâmicas e vivências foi perceptível a importância do trabalho em equipe, o que integra as ações e compreensões do processo de aprendizagem e temáticas. Em todas as etapas do projeto, as discentes participaram ativamente aprofundando seus conhecimentos sobre a função do Enfermeiro como educador e profissional, podendo assim atuar efetivamente na capacitação dos profissionais da Atenção Primária em Saúde e orientando as comunidades sobre as medidas de prevenção da COVID-19.

Introdução

O programa dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) compõe estratégias que visam melhorias da saúde, atuando no atendimento à saúde prestado ao seu território, junto a sociedade e às políticas públicas. A atuação no acolhimento visa facilitar o vínculo com a comunidade e equipe1. Os Agentes de Controle de Endemias (ACE), essenciais no combate às endemias, trabalham em conjunto com as equipes de Atenção Primária em Saúde (APS), que se constitui no primeiro nível de atenção em saúde, como porta de entrada para os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) e é definida por serviços assistenciais com ações coletivas e individuais, atendendo de forma integral a comunidade1. A pandemia da COVID-19, no Brasil, ampliou e modificou os processos de trabalho em saúde e educativos, focados em aprendizagem, como proposto pela política de Educação Permanente (EP)2, trazendo, desta forma, desafios à capacitação em serviço e à formação dos discentes em enfermagem. A vivência na Capacitação dos ACS/ACE em plataforma digital, geram desafios em face a responsabilidade assumida com o planejamento/organização, em colaboração com docentes orientadores, e o uso da tecnologia digital.

Objetivos

Descrever o processo de participação das discentes de enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF), Campus Rio das Ostras, em um Projeto de Educação Permanente dirigido aos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Endemias dos municípios da Baixada Litorânea do Rio de Janeiro (RJ) para enfrentamento da pandemia de COVID-19; Relatar o significado da experiência vivenciada para o alcance das competências esperadas do futuro enfermeiro, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais.

Metodologia

Estudo descritivo, do tipo relato de experiência vivenciada do período de julho a setembro de 2020, em um processo de EP dos ACS/ACE que atuam na APS dos municípios da Baixada Litorânea-RJ. O projeto foi aprovado pela Comissão de Integração Ensino Serviço (CIES/RJ) e se estenderá até dezembro deste ano. A proposta de EP pauta a problematização da realidade, reconstrução possível e mudanças de práticas através do diálogo entre os participantes, estimulando e garantindo a intervenção de todos2. Foram selecionadas três alunas bolsistas, a partir do Edital Proex Proppi Proac/UFF n. 04/2020, e alunas voluntárias da Graduação em Enfermagem. Para os encontros da capacitação, foram formados três grupos envolvendo os nove municípios da região, com um ‘’Apoiador’’ de cada município. Foram realizados três encontros virtuais com duração de 2 horas, em dias distintos, de acordo com a pactuação na CIES. As discussões e diálogos ocorreram pela plataforma Google Meet. Resultados e Discussão Atuaram 6 discentes do 3º ao 6º períodos, faixa etária de 20 a 23 anos, sexo feminino. Foram estruturadas as seguintes atividades com as docentes: a organização dos grupos da Capacitação; levantamento do perfil dos inscritos; criação de canais de comunicação com informes; envio de materiais; controle de frequência; apoio logístico e acompanhamento do Chat. As acadêmicas participarão da avaliação da Capacitação, da elaboração de relatórios e de eventos acadêmico-científicos, a partir do processo de EP. A abordagem envolve os temas: aspectos clínicos e epidemiológicos da COVID -19, o processo de trabalho dos ACS/ACE diante da pandemia e, diretrizes para o enfrentamento do COVID-19 nos territórios3. A participação tem sido essencial para a (re)construção do saber sobre a atuação dos ACS/ACE frente o atual cenário pandêmico. Através das dinâmicas e vivências vem sendo evidenciada a importância do trabalho em equipe, visto que integra as ações e compreensões do processo de aprendizagem e temáticas. A atuação no projeto vem aprofundando o conhecimento sobre o Enfermeiro como educador e profissional que atua na capacitação dos profissionais da APS e na orientação da comunidades.

Conclusões / Considerações finais

Neste momento da pandemia da COVID-19 é relevante a adoção de práticas não medicamentosas (higiene das mãos, etiqueta respiratória, distanciamento social e outros) para o controle da expansão da doença, por meio da vigilância, cuidados e educação em saúde, ações inerentes ao trabalho das equipes da APS e principalmente dos ACS e ACE. A EP permite a discussão, pelas equipes de saúde, dos problemas que ocorrem em seus processos de trabalho e das melhores estratégias para enfrentá-los, tendo como referência as melhores evidências, as necessidades dos usuários dos territórios adscritos às suas unidades e à gestão local. Os discentes de enfermagem, na experiência em curso, reconhecem a relevância da promoção da saúde cujo locus privilegiado é a APS. As ações formativas devem integrar-se ao enfrentamento de emergências em saúde pública que incluem a EP e as ações de liderança do enfermeiro, necessárias a uma gestão e cuidado com qualidade.

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.436 de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [internet] 2017 [citado 2020 julho 22]. Disponível em: encurtador.com.br/cBJVY 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? [Internet] 2017 [citado 2020 julho 22]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_educacao_per... 3. Brasil. Ministério da Saúde. Coronavírus COVID-19: o que você precisa saber. [internet] 2020 [citado 2020 julho 22] Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/

Eixo Temático
  • 7. Política, Planejamento e Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde