ACOLHIMENTO EM SAÚDE MENTAL: REVISÃO INTEGRATIVA

Vol.1 - 2021 - 137293
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Resumo

Resumo

A Política Nacional de Humanização (PNH), criada em 2003 busca pôr em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar, trazendo em si o acolhimento como uma de suas diretrizes e a gestão do cuidado compartilhado como propósito. Com base em estudos anteriores e nas vivências das pesquisadoras questiona-se como o acolhimento torna-se um fator potencializador para o cuidado em saúde mental na articulação entre ESF e CAPS. Tem-se como objetivo analisar como o acolhimento pode tornar-se um interlocutor de cuidado em saúde mental entre os dispositivos ESF E CAPS. Através da revisão integrativa, levantou-se 9 artigos, dos últimos 5 anos, nas bases Scielo e BVS, com os descritores: Atenção Primária à Saúde, Saúde da Família, Saúde Mental, Cuidado. Estabeleceu-se categorias e observou-se que o acolhimento, nas suas diferentes dimensões, desencadeia transformações no processo de trabalho, nas relações estabelecidas nos espaços de cuidado, no âmbito organizacional dos serviços e nos modos de produção do cuidado, tratando-se de uma ferramenta para implementação de ações entre os dispositivos de modo a refletir uma estratégia integrativa na interface da atenção psicossocial com a ESF. Para a implementação de novas ações, surge iniciativas que venham priorizar o cuidado relacional, através do acolhimento e gestão do cuidado.

Introdução

Com a finalidade de ampliar os pontos de atenção a pessoas em sofrimento psíquico foi criada, através da Portaria nº 3.088/2011, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que é composta por diversos Serviços Substitutivos em Saúde Mental, sendo um deles os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que foram criados para desconstruir o modelo asilar, de modo a estabelecer uma rede de base territorial, tendo como propósito o acolhimento e o cuidado, além de assumir o papel de elo entre comunidade e sujeito. A Atenção Básica também se encontra inserida como componente da RAPS e tem como principal ferramenta para a eficácia da assistência a pacientes em sofrimento psíquico, o acolhimento. Admite-se a relevância da Estratégia Saúde da Família (ESF) como porta de entrada e responsável pela gestão do cuidado, porém as fragilidades de integração entre os serviços da rede são persistentes. Norteadas por esse contexto e ancoradas na Política Nacional de Humanização, que tem o acolhimento como uma de suas diretrizes e a gestão do cuidado compartilhado como propósito, nos questionamos como o acolhimento torna-se um fator potencializador para o cuidado em saúde mental na articulação entre ESF e CAPS.

Objetivos

Analisar como o acolhimento pode tornar-se um interlocutor de cuidado em saúde mental entre os dispositivos ESF E CAPS.

Metodologia

Este estudo compõe-se de uma Revisão Integrativa da Literatura, com pesquisa na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), e SciELO. A busca de dados foi realizada no período de Abril e Maio de 2020, com os descritores: Atenção Primária à Saúde, Saúde da Família, Saúde Mental, Cuidado. Utilizaram-se como Critérios de Inclusão, estudos publicados no Brasil, de modo a contemplar a literatura científica mais recente sobre o assunto, encontrados 72 artigos. Foram selecionados os artigos que pudessem dar contribuições à pergunta norteadora desta pesquisa: Como o acolhimento torna-se um fator potencializador para o cuidado na articulação entre ESF e Atenção Psicossocial? Para o refinamento deste estudo, foram escolhidas publicações referentes aos últimos 5 e ainda, após leituras criteriosas e discussões sobre as possíveis contribuições de cada artigo, resultaram 09 estudos, que traziam questões que tratavam diretamente da interlocução do cuidado entre a ESF e Atenção Psicossocial. Resultados e Discussão As categorias de análises foram separadas em: Acolhimento com organizador do processo de trabalho entre a ESF e o CAPS, Apoio Matricial, Territorialização e Formação do Profissional. O acolhimento, nas suas diferentes dimensões, desencadeia transformações no processo de trabalho, nas relações estabelecidas nos espaços de cuidado e no âmbito organizacional dos serviços. Propõe acolher pacientes que necessitam de apoio psicossocial na Atenção Básica e possibilitar, através da responsabilização compartilhada, maior resolubilidade da equipe. Também age como abertura para o cuidado territorial, produzindo assim cuidado efetivo em saúde. Trata-se de uma ferramenta para implementação de ações entre os dispositivos e reflete uma estratégia integrativa na interface da atenção psicossocial com a ESF operando ações de cuidado. O acolhimento a pessoas com sofrimento psíquico é super importante para a inclusão e existência nos serviços de bases territoriais. Um dos pontos frágeis é a insegurança de muitos profissionais em acolher pessoas em sofrimento psíquico, sobressaindo-se a importância da formação continuada nesses serviços.

Conclusões / Considerações finais

O Cuidado através do acolhimento é compreendido como um reflexo das relações entre profissionais e usuários, efetivando-se através do vínculo criado, pois traz consigo a tecnologia das relações, que busca o cuidado integral ao paciente. Entretanto, os estudos selecionados expressam que ainda temos a reprodução de uma assistência intramuros, caracterizando-se como um modelo biomédico, o que diverge da proposta da reforma psiquiátrica e da política de humanização dentro dos serviços. Para a implementação de novas ações, surge iniciativas que venham priorizar as relações através dos vínculos criados entre profissionais e usuários. Em meio a esse contexto, há que se considerar a Atenção Básica como um apoio à Atenção Psicossocial, onde o acolhimento é o dispositivo de porta de entrada principal para as ações em conjunto de forma efetiva e consequentemente, a prática do cuidado entre os sujeitos ali inseridos.

Referências

GALVÃO, Cristina Maria. Revisão integrativa: Método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2008 Out-Dez; 17 (4): 758-64. MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão Integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enfermagem, Florianópolis, v. 17, n. 4, p. 758-64, 2008. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. – 3. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2010. 60 p. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Série Pactos pela Saúde 2006; v. 7).

Eixo Temático
  • 8. Gestão do Cuidado e de Serviços de Saúde