Para citar este trabalho use um dos padrões abaixo:
As redes de atenção em saúde se constituem um grande desafio em nosso país, onde o Sistema Único de Saúde precisa se fortalecer e oferecer respostas as necessidades da população, apesar das dificuldades provenientes da insuficiência de investimentos e de uma gestão que tem demonstrado desinteresse no seu desenvolvimento. Nesse contexto, favorecer o empoderamento da população a partir do trabalho com as lideranças comunitárias pode ser um caminho importante para que avanços sejam obtidos por meio de um controle social mais aprofundado. Sendo assim, a Pesquisa Emancipatória tem sido desenvolvida em diversos cenários com vistas a destacar a importância da dimensão coletiva do envolvimento das pessoas no processo como pesquisadores. O trabalho em questão relata a experiência de uma Formação de Líderes Comunitários do Município de Niterói (RJ, Brasil) em Pesquisa Emancipatória e os Cuidados Intermediários no SUS. A experiência contou com 17 Agentes Comunitários de Saúde e 13 líderes de comunidades, metodologias ativas de aprendizagem e trabalho de campo executado pelos participantes-pesquisadores.
Os cuidados comunitários de saúde são essenciais e sua premissa é que as vozes daqueles que experimentam uma condição vulnerável ou têm experiências relevantes devem ser consideradas para tomada de decisões. Quando faltam vozes da comunidade, é impossível obter responsabilidade e transparência, o que cria o potencial de exclusão, danos, assédio e desperdício. (McLemore; Choo, 2019). O termo específico Pesquisa Emancipatória foi proposto por Mike Oliver, um ativista inglês para os direitos das pessoas com deficiência, que afirmou que a mera participação de grupos vulneráveis (pessoas com deficiência) não é suficiente, mas eles devem ter um papel ativo em todas as etapas da pesquisa, enfatizando a importância da dimensão coletiva de seu envolvimento no processo como pesquisadores, refletindo coletivamente sobre as informações coletadas e seu significado (OLIVER, 2002). A pesquisa emancipatória é caracterizada por uma pesquisa-ação participativa e baseia-se no reconhecimento da expertise das pessoas em situação de vulnerabilidade, da capacidade de compreender as próprias necessidades, de identificar as barreiras existentes e identificar as estratégias apropriadas para superá-las.
Relatar a experiência de um proposta de formação de líderes comunitários - município de Niterói (RJ, Brasil) em Pesquisa Emancipatória e Cuidados Intermediários no SUS, bem como as etapas para a construção de uma Pesquisa Emancipatória.
A aproximação com as comunidades foi a partir do Conselho Municipal de Saúde (CMS), que possui representantes figuras ativas e reconhecidas em seus territórios. O passo seguinte foi definir junto com as coordenações o grupo de pessoas que poderia se interessar em participar da pesquisa emancipatória. Cada participante falou sobre suas expectativas, desejos e barreiras quanto ao curso. Foram trabalhados os temas específicos sobre Pesquisa Emancipatória, tais como: Introdução à Pesquisa Emancipatória; Realização de uma Busca Emancipatória em uma Comunidade; Aspectos Auxiliares de Pesquisa; Aprendizagem com a Pesquisa Emancipatória e Compreender e medir o empoderamento individual e coletivo. O segundo módulo abordou questões mais contextuais locais: Sistema Único de Saúde – direito à saúde e acesso universal; A participação social no SUS - Papel da comunidade na gestão de unidades de saúde; Realização de uma Busca Emancipatória em uma Comunidade. Resultados e Discussão Os participantes-pesquisadores apontaram situações ligadas a desejos, frustrações, desilusões, esperanças, desejos de participação: Melhorar o atendimento prestado; Estimular a militância; Buscar um aprendizado por meio da pesquisa; Estimular pontos positivos e compreender pontos negativos; Compreender os determinantes sociais da saúde e especialmente nas comunidades mais pobres; Entender o compartilhamento de práticas em saúde; Obter dados de forma confiável. Como barreiras para que atingissem esse objetivos foram apontadas: A violência nos bairros; O excesso de atribuições de cada função que impede que os profissionais realizem trabalhos direcionados à emancipação e ao empoderamento; A insegurança oferecida pelo próprio trabalho de ACS, que ao longo dos anos vem sofrendo redução de direitos trabalhistas; A dificuldade que os pacientes na rede; Falta de compreensão por parte da população que não sabe o que o SUS; O desejo de parte da população pelo médico especialista a ponta de rejeitarem o atendimento oferecido pelo médico de família; E por fim a falta de diálogo entre profissionais e também entre profissionais e usuários.
Compreendemos assim, este projeto piloto como uma possibilidade de criar experiências inovadoras de criar coisas novas, de inventividade no cuidado em saúde. Por parte dos profissionais das equipes dos usuários, de criar o como queremos que seja feito o nosso cuidado intermediário na cidade de Niterói. Nesse sentido, é preciso atentar para qualificação permanente da atenção intermediária, básica e especializada. O cenário apresentado no momento é de que tem muita gente que não precisa ir ao hospital e vai para poder ter acesso ao cuidado em saúde, aumentando o número de atendimento nas urgências e emergências, sem com isto, conseguir ter uma melhor qualidade de vida. Entendemos juntos nestes debates que precisamos criar algo que ajude a esta rede de saúde a andar e distribuir melhor o acesso aos serviços. Uma estratégia que faça o meio entre as pontas das redes, o cuidado intermediário se apresenta como essa alternativa viável.
McLemore, M. R., & Choo, E. K. (2019). The right decisions need the right voices. The Lancet, 394(10204), 1133.doi:10.1016/s0140-6736(19)32167-1 OLIVER, M. Emancipatory research: A vehicle for social transformation or policy development. In: Inaugural NDA Disability Research Conference, Dublin, 3 December. Conference Proceedings: Using Emancipatory Methodologies in Disability Research. 2002. p. 15-23. MENÉNDEZ, E. Modelo hegemónico, modelo alternativo subordinado, modelo de autoatención: caracteres estructurales. In: Campos R. La antropologia médica en México. Ciudad de México: Universidad Autónoma Metropolitana; 1992. MORIN, A. Pesquisa-ação Integral e Sistêmica- uma antropopedagogia renovada. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
Com ~200 mil publicações revisadas por pesquisadores do mundo todo, o Galoá impulsiona cientistas na descoberta de pesquisas de ponta por meio de nossa plataforma indexada.
Confira nossos produtos e como podemos ajudá-lo a dar mais alcance para sua pesquisa:
Esse proceedings é identificado por um DOI , para usar em citações ou referências bibliográficas. Atenção: este não é um DOI para o jornal e, como tal, não pode ser usado em Lattes para identificar um trabalho específico.
Verifique o link "Como citar" na página do trabalho, para ver como citar corretamente o artigo