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A grande demanda por atendimentos de baixa complexidade é uma realidade de muitos Prontos-Socorros (PS) do Brasil. Nesse sentido, a prática político-pedagógica de Educação Popular em Saúde (EPS) pode ser grande aliada na orientação e gestão da demanda por atendimentos. O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de estudantes em uma intervenção utilizando-se a ferramenta da EPS na orientação de usuários de um PS, frente a uma inadequação de demanda. A metodologia trata-se de um relato de experiência de intervenção realizada na sala de espera de um PS hospitalar por estudantes durante quatro dias; as ações foram efetuadas a partir de uma dinâmica de grupo em que estudantes e usuários compartilharam saberes a respeito do funcionamento e do uso adequado das Redes de Atenção à Saúde (RAS). Ao final da intervenção observou-se que, apesar de parte dos usuários desconhecerem o real funcionamento e a correta utilização das RAS, a maioria deles tem conhecimento desta dinâmica e continuam a procurar a atenção terciária devido à crença de resolutividade no serviço e à ineficiência dos outros pontos de atenção das RAS. Logo, para um correto funcionamento da rede, muito além de letrar e conscientizar a sociedade a respeito do tema, é preciso, por meio de ferramentas como a EPS, atentar-se e conectar-se à realidade dos usuários e resolver questões básicas de melhoria dos equipamentos.
A grande demanda por atendimentos de baixa complexidade é uma realidade de muitos Prontos-Socorros hospitalares do Brasil. Diante disso, problemas como superlotação, demora no atendimento e situações constrangedoras e insalubres tornam-se, tanto para usuários quanto para trabalhadores, comuns a esses serviços. Assim, medidas que tenham por objetivo atuar na causa primária dessa situação - inadequação da demanda - devem ser adotadas. Nesse sentido, a prática político-pedagógica de Educação Popular em Saúde (EPS), orientada pela Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (PNEPS-SUS), pode ser grande aliada na orientação e gestão da demanda por atendimentos nos serviços das Redes de Atenção à Saúde (RAS), pois dialoga junto aos usuários, considerando suas necessidades, diversidades, saberes e realidades diante da problemática.
O objetivo deste trabalho é relatar a experiência de estudantes em uma intervenção prática de extensão de uma universidade pública em um Pronto-Socorro hospitalar, utilizando-se da ferramenta da EPS, junto à gestão hospitalar, na orientação de usuários do serviço frente a uma inadequação de demanda observada pelos discentes e também relatada pela instituição.
Trata-se de um relato de experiência de estudantes em uma intervenção prática de projeto de extensão universitária com usuários da sala de espera de um Pronto-Socorro de um hospital público de Belo Horizonte/MG. As intervenções tiveram duração de quatro horas e foram realizadas em quatro dias, utilizando-se a ferramenta da EPS aplicada a uma dinâmica de grupo. Nesta, eram distribuídas fichas com sinais e sintomas aleatórios, as quais deveriam ser alocadas pelos pacientes em um dos pontos de atenção da RAS descritos em um mural ilustrativo produzido pelos estudantes. Após a classificação das fichas, os estudantes orientaram os usuários quanto ao melhor local para procura por atendimento conforme os sinais e sintomas apresentados, alertado-os, também, sobre as consequências individuais e coletivas geradas pelo uso inadequado da rede. Nesta etapa, os estudantes também ouviram atentamente diversos relatos de experiência e conhecimentos dos usuários a respeito das RAS. Resultados e Discussão A oportunidade de estar junto ao usuário, dialogando e compartilhando saberes, experiências e realidades possibilitada pela ferramenta da EPS, foi o que mais motivou os estudantes a trabalhar e intervir desta forma. Nesse sentido, além de orientar os usuários quanto à existência e funcionamento ideal da RAS, foi possível perceber, ante a uma análise crítica dos relatos e experiências compartilhadas pelos usuários participantes da dinâmica, uma forte cultura hospitalocêntrica e uma crença de resolutividade projetada nos serviços de urgência e emergência, perante a um aparente descrédito em relação aos serviços de atenção primária e secundária. Narrativas dos usuários a respeito da preferência pelo serviço de urgência e emergência hospitalar devido à qualidade, disponibilidade de horário e recursos físicos e humanos no cuidado ofertado chamaram muito a atenção dos estudantes, pois o fato de o usuário preferir o presente serviço da atenção terciária revela uma ineficiência dos outros equipamentos e da funcionalidade geral da RAS.
Ao final da intervenção, é nítido para os discentes que se aprendeu mais sobre a realidade das RAS do que se ensinou sobre elas. Conclui-se, portanto, que parte dos usuários de fato desconhece o real funcionamento das RAS e o propósito de cada unidade de saúde, no entanto, a maioria deles tem conhecimento desta dinâmica e continuam a procurar os serviços de urgência devido à crença de resolutividade no serviço e à ineficiência dos outros equipamentos da RAS. Assim, muito além do que divulgar e ampliar o letramento em saúde a respeito da funcionalidade do SUS e, especificamente das RAS, é preciso atentar-se à realidade dos usuários e resolver questões básicas de melhoria do acesso aos pontos de atenção, de ampliação da infraestrutura pessoal e técnica e de agilidade nos processos de toda a RAS, principalmente da atenção primária, coordenadora e gestora de toda a rede, e apta a acolher as demanda de baixa complexidade presentes em serviços de urgência e emergência hospitalares.
BRASIL. Portaria 2.436 de 21 de setembro de 2017. , 2017. Disponível em:
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