A EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE E PREVENÇÃO ÀS VIOLÊNCIAS ATRAVÉS DO LÚDICO E DA INSERÇÃO DO HIP HOP NA ESCOLA

Vol.1 - 2021 - 136823
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Resumo

Resumo

O seguinte relato objetiva apresentar a experiência da atuação do Projeto de Extensão Interprofissional, que através de metodologias lúdicas se utilizou do Movimento Hip Hop como ferramenta de intervenção na realidade de educandos do território do Paranoá-DF. Pretende-se apresentar a expressão do Movimento Hip Hop como ferramenta lúdica de educação em saúde, de forma a contribuir com as ações de promoção da saúde e a prevenção das violências no ambiente escolar. A metodologia baseia-se na análise da pesquisa bibliográfica que discute categorias fundamentais para discussão dos dados qualitativos. Conclui-se que os resultados são a promoção do fortalecimento da identidade dos estudante, em especial as alunas e os alunos negros, que se identificam com a origem negra da cultura HipHop. Também se observou o protagonismo de alguns estudantes na escrita de poesias e rimas que tratem sobre a violência, considerada como resultado de promoção da cultura de paz em sala e a potência da educação entre os pares. Em suma, o projeto contribui com a integração intersetorial de serviços de saúde e educação do território.

Introdução

O ambiente escolar é compreendido como privilegiado no processo de proteção social de crianças e adolescentes. Dito isto, é visto como potencial para aplicação de oficinas lúdicas e condução da experiência na Escola Darcy Ribeiro, localizada na Região do Paranoá (DF). A região, de acordo com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (CODEPLAN, 2018), faz parte do 8º grupo no Índice de Vulnerabilidade Juvenil na Área Metropolitana de Brasília, se encontra na unidade de análise de vulnerabilidade altíssima, tendo um dos maiores números relativos de violência do DF, a média aproximada é de 60 mortes para 100 mil habitantes (SSP/DF, 2018). Mediante a realidade social dos educandos e tendo como base o movimento HipHop nas oficinas ministradas em sala, estas são articuladas com profissionais da UBS, Hospital, e a Universidade (UnB). Baseia-se portanto em nas ações do Programa de Saúde na Escola (PSE) como eixo, este objetiva integrar as ações de educação e saúde, de forma a contribuir para a formação integral, por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde tendo em vista o combate às vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de estudantes da rede pública.

Objetivos

A intervenção na sala de aula possui o objetivo de identificar o perfil dos educandos e a partir ditos, promover saúde através da educação lúdica, metodologias ativas e participativas. Portanto, contribuir com o fortalecimento do protagonismo da juventude por meio da integração da realidade social observada no perfil da turma.

Metodologia

As oficinas são pensadas com base na metodologia do Arco de Maguerez, definida como instrumento de problematização. O Arco de Maguerez se baseia em cinco etapas: 1. observação da realidade e identificação do problema; 2. pontos-chave que devem ser problematizados; 3. teorização das questões elaboradas; 4. elaboração das hipóteses de solução; e; 5. aplicação à realidade. A metodologia de problematização possui caráter cíclico e aposta na educação entre os pares como multiplicador dos saberes, pensando a autonomia emancipação dos sujeitos para garantia de direitos, através da participação social. “Trata-se de uma concepção que acredita na educação como uma prática social e não individual ou individualizante” (BERBEL, 1998a, p. 36). Resultados e Discussão O trabalho objetiva apresentar possibilidades concretas de atuação com metodologias lúdicas através da inserção do HipHop na educação, o perfil de estudantes é de 6º ano do Ensino Fundamental. É fundamental a identificação do jovem com a técnica lúdica adotada para as oficinas, sendo estas fundamentadas pela discussão de letras de RAP, oficinas de produção de rimas e a participação de MC’s mulheres e homens da cena Hip Hop no DF. O Hip Hop é composto por quatro elementos e são estes: o grafite, break, MC e DJ, os últimos constituem a integração do RAP. Assim, o movimento se caracteriza como expressão do jovem excluído socialmente nas zonas urbanas. Portanto, a origem de revolução, atitude e protesto marca a realidade das periferias urbanas e reivindica a melhoria da qualidade de vida e acesso aos direitos (2008, p.4). Os resultados demonstram que a experiência do HipHop nas oficinas lúdicas se aproximam à realidade dos jovens, contribuindo com a integração e o protagonismo no processo de discussão e aprendizagem, promovendo o envolvimento da turma e a reflexão das violências e das questões de saúde e direitos sociais. Além do fortalecimento da identidade de estudantes negros.

Conclusões / Considerações finais

Entende-se a necessidade de promover ações de educação em saúde, com vistas à prevenção das violências através da realidade dos sujeitos, pensando metodologias inovadoras que permitam a participação no processo de construção do conhecimento e das reflexões elencadas. A integração da cultura Hip Hop possibilita que os jovens se sintam fortalecidos para trazer produções de sua autoria, o que incita a reflexão acerca da realidade de forma crítica e construída coletivamente. Apesar do grande sucesso com os educandos ainda existem alguns desafios postos pela resistência de alguns professores acerca dessa ferramenta de problematização da realidade, visto que a origem das camadas periféricas reforça a marginalização do movimento. Assim, o Hip Hop enquanto instrumento lúdico é capaz de integrar, mobilizar, incentivar o protagonismo e a educação entre os pares através da análise das questões sociais que perpassam às violências que estruturam as relações sociais.

Referências

CODEPLAN, Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) - PARANOÁ. Brasília: Governo do Distrito Federal, 2018. BERBEL, N. A. N. Metodologia da problematização: experiências com questões de ensino superior. Londrina: EDUEL, 1998a. VITORINO, S.M.B. HIP HOP NA ESCOLA. Universidade Estadual de Maringá, 2008.

Eixo Temático
  • 1. Estado, Políticas Sociais e Sistemas de Saúde