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O campo da gestão e do planejamento em saúde é indispensável à formação do sanitarista e às ações em saúde. A utilização do Método da Estimativa Rápida Participativa (ERP) compreende ações práticas e observacionais nos territórios, contribuindo para a identificação das necessidades de saúde evidenciando os problemas que afetam uma população. Objetiva-se analisar os variados contextos do território, considerando os determinantes no processo de adoecimento da população residente da área de abrangência da Equipe de Saúde da Família, numa Clínica da Família do município do Rio de Janeiro, através do diagnóstico situacional de saúde pelo método da ERP. Foi realizado um estudo descritivo e exploratório, através da análise de dados obtidos pela observação do território utilizando a ERP e da coleta de dados no Sistema Prime Saúde. Os problemas apresentados foram os conflitos gerados pelo tráfico no território, infraestrutura, ausência de escolas e creches, excesso de carros velhos e abandonados nas calçadas ocasionando o aparecimento de vetores de doenças. Observou-se a prevalência de usuários portadores de hipertensão e diabetes, baixa cobertura vacinal e a incidência de sífilis entre os jovens. A realização deste trabalho, proporcionou a produção de dados para auxiliar a gestão de saúde local e a participação da população no reconhecimento dos problemas existentes no território.
A graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro visa à formação de sanitaristas em âmbito de bacharelado. O curso de Saúde Coletiva contém em sua grade curricular disciplinas com atividades teóricos e práticos para a inserção dos discentes no campo de atuação do sanitarista. Dentre as disciplinas, a Atividade Integrada em Saúde Coletiva V, integra os conteúdos da área da gestão e planejamento em saúde, cujas atividades visam a realização do diagnóstico de saúde através do Método de Estimativa Rápida Participativa (ERP). Este trabalho foi desenvolvido no território de abrangência da Equipe da Saúde da Família Boa Vista, de responsabilidade sanitária da Clínica da Família Wilma Costa, no município do Rio de Janeiro. A atividade pactuada entre os envolvidos tencionou influenciar e estimular a gestão de saúde local. A ERP é um método de coleta de dados relacionado às necessidades de saúde de uma população baseado nas suas características, em um curto espaço de tempo, a fim de analisar os determinantes sociais e perfil epidemiológico da população, para melhor compreender a dinâmica de vida das pessoas, de que adoecem, e quais as suas necessidades de saúde.
Analisar o contexto social, econômico, cultural, ambiental e sanitário, assim como os determinantes no processo de adoecimento da população residente na região de abrangência da Equipe da Saúde da Família Boa Vista da Clínica da Família Wilma Costa, no município do Rio de Janeiro/RJ através da elaboração de um diagnóstico situacional de saúde pelo método de ERP.
A ERP é um recurso de coleta de dados relacionados às necessidades de saúde de uma população baseado nas suas peculiaridades para o levantamento de informações pertinentes e necessárias que envolve a comunidade, em um curto período, sem gastos de tempo e recursos financeiros, incluindo sempre a participação dos moradores da área estudada. Inicialmente foi elaborada a construção de uma matriz com três itens importantes de fonte de coleta de dados: observação, entrevistas com informantes-chave e dados de registros. A primeira etapa consiste em observar o território, o ambiente físico, o perfil dos moradores, os tipos de serviços públicos e privados oferecidos e selecionar os informantes-chaves para entrevista. A segunda etapa na elaboração do roteiro de entrevista e aplicação de questionário. E a terceira etapa destinou-se para a captação de registros da comunidade na Clínica da Família Wilma Costa. Esse processo foi realizado entre os meses de junho e julho de 2018. Resultados e Discussão A população estudada é majoritariamente composta por brancos e negros, em idade economicamente ativa, predominantemente formada por mulheres, tendo as ocupações mais frequentes de empregada doméstica, vendedores ambulantes e varejista, motorista de ônibus e auxiliar de serviços gerais. O território é marcado por conflitos dominado pelo tráfico, cujo cenário, propicia uma sensação de temor aos moradores. A região não contém escolas, nem pública e privadas, expondo uma necessidade da população no setor educação. A região é descrita pela população como difícil acesso. Apesar de possuir uma paisagem bastante arborizada, ainda não existe espaços de lazer neste território, expondo apenas um espaço residencial. O território é coberto pela Equipe de Saúde Boa Vista com 3 ACS. As informações obtidas na CFWC, identificou uma alta prevalência de cardiopatas e diabéticos, baixa cobertura vacinal e a incidência de sífilis entre os jovens. O saneamento básico é regular e a coleta de lixo é realizada esporadicamente. Contudo, nota-se uma compreensão limitada da população local sobre os impactos ambientais e de saúde existente no território, acarretando sérios agravos à saúde desta população.
Conclui-se que o território estudado é uma região de condições sociais, econômicos, culturais e ambientais difíceis, por apresentar uma situação inferior às encontradas ao entorno do seu território. A partir da análise dos registros obtidos, identificou-se problemáticas que serão um desafio para a gestão da saúde local, incluindo para equipe da saúde da família da região. Notoriamente, o método estabeleceu a possibilidade de interação-ação dos envolvidos com propósito conhecer, refletir e discutir sobre as condições de saúde da população, tendo como contribuição neste diagnóstico, a viabilidade de subsídios para a elaboração de ações resolutivas para as problemáticas identificadas.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Indicadores Sociais Mínimos. Disponível em: https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/condicaodevida/indica.... ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL, 2010. SILVEIRA, C. H. Notas sobre a metodologia da Estimativa Rápida. Genebra: Organização Mundial de Saúde, 1998. TEIXEIRA, C.F. Planejamento e programação situacional em distritos sanitários In:1990. BERTOLOZZI, Maria Rita et al. Os conceitos de vulnerabilidade e adesão na Saúde Coletiva. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 43, n. spe2, p. 1326-1330, 2009. STARFIELD, Bárbara . Atenção primária: equilíbrio entre necessidade de saúde, serviços e tecnologia. Brasília : UNESCO: Ministério da Saúde, 726p., 2004. TANCREDI, Francisco Bernardini; BARRIOS, Susana Rosa Lopez; FERREIRA, José Henrique Germann. Planejamento em saúde. In: Planejamento em saúde. 1998.
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