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Os ostracodes são minúsculos crustáceos que apresentam o corpo envolto por uma carapaça carbonática bivalve. A carapaça não serve apenas para proteção, mas é a estrutura que sustenta o corpo e permite que os apêndices realizem suas tarefas, pois estes estão unidos ao interior das valvas por músculos. Habitam todos os ambientes aquáticos, encontrando-se também espécies adaptadas ao húmus de florestas, aos tanques de bromeliáceas e a cursos d'água subterrâneos. Muito diversificados e geralmente abundantes, estes artrópodes surgiram no Ordoviciano e desde então apresentam registro fóssil invejável. No que se refere a aplicações às geociências, os ostracodes têm sido utilizados especialmente em bioestratigrafia e interpretação de paleoambientes, com destaque para estudos de variações do nível do mar, paleoceanografia e paleolimnologia. A informação paleoambiental pode tanto ser obtida através de um estudo faunístico quanto ser secundada por análises químicas efetuadas na carapaça. Ambas metodologias necessitam de um pré-requisito fundamental, i.e., de uma análise tafonômica básica para determinar se os espécimes fósseis estão in situ e, portanto, representam a assembleia viva. Neste particular os ostracodes, por serem artrópodes, apresentam uma vantagem sobre outros microfósseis, pois a presença ou ausência de carapaças juvenis e adultas é um bom indicador da ocorrência ou inexistência de transporte post mortem. A ausência da maioria dos grupos de microfósseis calcários e silicosos em ambientes continentais (e.g. lagos), faz dos ostracodes uma excelente opção na análise paleoambiental de antigas bacias lacustres. Igualmente abundantes em ecossistemas sujeitos a variações de salinidade, como estuários e lagunas, estes pequenos crustáceos também têm tido ampla aplicação na identificação de ambientes marinhos marginais. Por sua vez, o conhecimento das faunas marinhas de águas mais profundas, que sofreu grande incremento nas últimas décadas, tem revelado espécies sensíveis a parâmetros relacionados com variações climáticas, como por exemplo, temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e produtividade primária nos oceanos. No caso das espécies marinhas bentônicas, que representam mais de ~80% das espécies fósseis e recentes, não há um estágio larval livre-natante como ocorre em outros crustáceos, e, portanto, a dispersão é mais limitada, ocorrendo com frequência um certo endemismo. Este fato, associado a grande riqueza específica e as particularidades biológicas e morfológicas destes ostracodes, bem como o número relativamente pequeno de sistematas, fazem com que a identificação em nível específico não seja tarefa simples. Talvez este seja o 'tendão de Aquiles' para os que desejam utilizar este grupo em estudos paleoambientais, já que, comparado com foraminíferos, os ostracodes apresentam taxonomia significativamente mais complexa.
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