NOVA ESPÉCIE DE CAIPIRASUCHUS IORI & CARVALHO, 2011 (CROCODYLIFORMES: NOTOSUCHIA) DA FORMAÇÃO SANTO ANASTÁCIO (GRUPO CAIUÁ, BACIA BAURU

Vol. 2, 2019. - 118487
Oral
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Resumo

A Bacia Bauru apresenta a comunidade com a maior diversidade de crocodiliformes cretácicos no mundo. Tal riqueza no registro fossilífero, porém, é concentrada em formações do Grupo Bauru, notadamente na formação Adamantina (Campaniano-Maastrichtiano). Sua contraparte, possivelmente mais antiga, o Grupo Caiuá, é relativamente pobre em registros fósseis de vertebrados. Durante trabalho de campo nos arredores do município de Auriflama (Formação Santo Anastácio, Grupo Caiuá – Aptiano), foi encontrado um crânio parcial de um crocodiliforme, incluindo parte do palato secundário, neurocrânio e mandíbula quase completa. O novo espécime pôde ser atribuído ao gênero _Caipirasuchus_ por apresentar, dentre outras características, sínfise mandibular alongada e 6 dentes molariformes, com o primeiro estando separado dos demais por um diastema. Ademais, o espécime pôde ser atribuído a uma nova espécie do gênero devido a sua combinação única de caracteres, incluindo: maior abertura do ângulo formado pelos ramos mandibulares em vista dorsal, processo anterior do angular no contato com o esplenial, superfície ventral do pterigoide lisa e plana. Para investigar o posicionamento filogenético deste novo táxon, uma análise de parcimônia foi conduzida (10.000 réplicas, TBR, Hold 20) em uma matriz composta de 99 táxons e 505 caracteres no _software_ TNT. O novo táxon foi recuperado como um Sphagesauridae, compartilhando um ancestral comum exclusivo com as espécies do gênero _Caipirasuchus_, sendo mais proximamente relacionado à _C. stenognathus_ e _C. mineirus_. Adicionalmente, o clado "advanced notosuchia" (Sphagesauridae + _Mariliasuchus_ + _Notosuchus + Morrinhosuchus_) foi recuperado como grupo irmão de outras formas gondwânicas (_Pakasuchus_ + Baurusuchidae). A presença de uma espécie de _Caipirasuchus_ no Grupo Caiuá reforça a hipótese de que os Notosuchia já haviam se diversificado durante o Cretáceo Inferior, implicando que a origem dos principais clados de formas avançadas de Notosuchia ocorreu quando parte dos continentes gondwânicos ainda estava conectada. Essa hipótese é corroborada pela relação filogenética entre formas sul-americanas com táxons africanos e malgaxes. Podemos sugerir que o endemismo destes clados de Notosuchia em regiões da América do Sul, África e Madagascar é fruto de irradiações que se sucederam antes da separação desses continentes durante o Cretáceo Inferior. [CAPES 88882.330430/2019-01].

Instituições
  • 1 Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal, IBILCE - UNESP, São José do Rio Preto, São Paulo e Laboratório de Paleontologia e Evolução de Ilha Solteira, FEIS - UNESP, Ilha Solteira, São Paulo
  • 2 Laboratório de Paleontologia e evolução de Ilha Solteira, Ilha Solteira, SP
  • 3 Laboratório de Evolução e Biologia Integrativa, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) Universidade de São Paulo (USP)
  • 4 Laboratório de Paleontologia e Evolução de Ilha Solteira, Departamento de Biologia e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista, Ilha Solteira, SP
Eixo Temático
  • III Simpósio sobre Evolução de Crocodyliformes