ESTUDO DO AMBIENTE DEPOSICIONAL DA PLATAFORMA CONTINENTAL DE PERNAMBUCO E DA PARAÍBA, NORDESTE DO BRASIL, COM BASE EM FORAMINÍFEROS BENTÔNICOS

Vol. 2, 2019. - 118374
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Resumo

As alterações nas carapaças dos foraminíferos oferecem importantes informações sobre a dinâmica sedimentar, atual e relicta. Quase sempre, as carapaças relictas são identificadas pelas mudanças de suas características físicas (estado de preservação e coloração), são bastante comuns nas plataformas continentais do Nordeste e a sua origem está relacionada as mudanças do ambiente ao longo do tempo. Este trabalho teve como objetivo analisar os aspectos tafonômicos que servem de indicadores para inferência de carapaças relictas da plataforma continental de Pernambuco e da Paraíba, relacionando-os a profundidade. Foram analisadas 20 amostras de sedimentos de superfície coletadas em profundidades de 15 a 57m. O trabalho seguiu o método padrão de estudo dos foraminíferos Quaternários. As espécies mais representativas foram _Archaias angulatus_ (Fichtel e Moll, 1798), _Textularia agglutinans_ (d' Orbigny, 1839), _Amphistegina lessonnii_ (d' Orbigny, 1826), _Quinqueloculina lamarckiana_ (d' Orbigny, 1839) e _Peneroplis carinatus_ (d' Orbigny, 1839). A análise do estado físico das carapaças, demostrou a dominância de carapaças bem preservadas na maioria das amostras, tendo como valor médio 89%, em relação a 11% das carapaças degradadas. Na análise de alteração da coloração, as carapaças não alteradas foram dominantes em doze amostras e as alteradas em oito, os valores médios gerais foram de 69% para não alteradas, contra 31% das alteradas. Esses resultados, demostraram valores maiores de carapaças degradadas e com colorações alteradas em áreas de até ±22m, e acima desta profundidade intactas e sem alterações na coloração, apresentaram taxas mais altas. Apesar de se saber a influência de fatores abióticos, como: ferro, oxigênio e matéria orgânica sobre a alteração das carapaças, ainda há uma série de discussões sobre como se originam essas alterações. Esses resultados podem estar relacionados às alterações proveniente de aspectos físicos, químicos e temporais, oriundas de mudanças climáticas durante o Quaternário, ou simplesmente a zonas oxidativas que prevalecem até a profundidade de até ±22m, representadas pelas carapaças com alterações, e que essas regiões por disporem de maior energia das ondas acarretam valores mais altos de degradação.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Paraíba, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de Ciências Biológicas, Laboratório de Vertebrados e Paleontologia, Areia, PB.
  • 2 Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Tecnologia e Geociências, Departamento de Oceanografia, Laboratório de Oceanografia Geológica, Recife, PE.
  • 3 Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Tecnologia e Geociências, Departamento de Geologia, Laboratório de Paleontologia, Recife, PE.
Eixo Temático
  • Cenários: Paleoecologia e Paleoambientes