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Resumo

Investigamos a influência de argilominerais, em ambientes enriquecidos e não enriquecidos com ferro II, na preservação de folíolos de cicadácea. Foram utilizados seis fragmentos de folíolos depositados com suas faces abaxiais em contato com argila, em aquários de vidro (abertos) preenchidos com água destilada (sendo três deles enriquecidos com 5,00 ppm de ferro II). Previamente ao experimento, análises de MEV/EDS relevaram intensidades de Al, Si, Fe, K e Mg, e baixa intensidade de C nas argilas. A água foi enriquecida com essa mesma argila. A solução foi submetida a testes de cobre (<0,1 ppm), ferro (= 0,0 ppm e = 5,00 ppm), pH (= 7), amônia (< 0,5 ppm) e nitrato (até 1,00 ppm), previamente ao experimento. Os folíolos permaneceram em contato com a argila durante 42 dias. Foram realizadas três baterias de testes químicos nos primeiros 12 dias. Em ambos os sistemas, o pH variou entre 6,5 e 7,2. O maior valor de amônia foi detectado em ambiente enriquecido com ferro II (= 3,5 ppm), bem como os menores valores de nitrato (= 5,0 ppm). Ao final de 42 dias, os folíolos dos sistemas enriquecidos com ferro II não apresentaram intensidades de ferro detectáveis pelo EDS, ao contrário dos folíolos de sistemas não enriquecidos. É possível que tenha ocorrido redução do nitrato para a amônia pelo ferro II, nos sistemas previamente enriquecidos. Como os níveis iniciais de cobre (catalisador abiológico mais provável desse tipo de reação) estavam indetectáveis no início do experimento, é também provável que essa reação tenha ocorrido por meio de catalisador biológico. Em todos os folíolos foram observadas micro estruturas em formato de teias. Algumas delas apresentaram intensidades detectáveis de carbono e outras, apenas alumínio e sílica. Em folíolos de ambos os sistemas foram observadas as seguintes evidências da influência de argilominerais na replicação de informações: (1) organização dos placoides de argilominerais paralelos a microestruturas; e (2) grãos menores que 1 micrômetro recobrindo pequenas variações na micromorfologia. Nenhuma contribuição significativa do ferro II em processo de retenção de informações foi observada. Todavia, novos experimentos continuarão a testar o papel desse elemento no processo de fossilização.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de São Carlos, Departamento de Biologia, Sorocaba, SP.
  • 2 Universidade Paulista UNIP, Campus Sorocaba, Instituto de Ciências e Saúde, Ciências Biológicas, Laboratório de Ecologia Estrutural e Funcional de Ecossistemas, São Paulo, SP.
  • 3 Université de Poitieres, UP, Departamento de Geociências, Poitiers, França.
  • 4 Universidade Federal de São Carlos UFSCar, Campus Sorocaba. Departamento de Biologia UFSCar, LEPBio Laboratório de Estudos Paleobiológicos, São Paulo, SP.
  • 5 Universidade Federal de São Carlos Campus Sorocaba, Laboratório de Estudos Paleobiológicos, LEPBio, Sorocaba, SP.
  • 6 Universidade Federal de São Carlos UFSCar, campus Sorocaba. Departamento de Biologia UFSCar, LEPBio Laboratório de Estudos Paleobiológicos, São Paulo,SP.
  • 7 Universidade Estadual Paulista UNESP campus Sorocaba, Instituto de Ciência e Tecnologia, Laboratório de Plasmas e Materiais, São Paulo,SP.
  • 8 Universidade de São Paulo USP, Instituto de Física, Departamento de Física Nuclear, São Paulo, SP.
Eixo Temático
  • Cenários: Paleoecologia e Paleoambientes