COMO AS ESTEIRAS MICROBIANAS ATUAM NA PRESERVAÇÃO DOS GRILOS FÓSSEIS DA FORMAÇÃO CRATO (APTIANO), BACIA DO ARARIPE, BRASIL

Vol. 2, 2019. - 118471
Oral
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Resumo

O caráter microbiano dos estratos lacustres da Formação Crato já foi analisado quanto à gênese dos calcários micríticos laminados ou por citações da importância das comunidades microbianas na preservação excepcional dos fósseis. Tem-se, portanto, a necessidade de uma análise mais detalhada de como exatamente estas comunidades atuam na preservação dos fósseis desde o momento da entrada das carcaças no ambiente deposicional, até seu posterior soterramento no substrato. Por apresentar alta representatividade numérica, a Superfamília Grylloidea foi selecionada para este estudo. Foram analisados 60 espécimes provenientes dos níveis de calcários laminados das pedreiras Pedra Branca e Três Irmãos, no município de Nova Olinda, sul do Estado do Ceará, sendo 14 deles selecionados para análises não-destrutivas em microscópio eletrônico de varredura e oito para confecções de lâminas petrográficas a partir de cortes transversais ao fóssil. Foram identificadas feições microbianas diretamente associadas às carcaças dos grilos, como cocóides em porções internas e externas, impressões de cocóides e filamentos em relevo negativo na cutícula e texturas em rede correspondentes à mineralização de substâncias poliméricas extracelulares (EPS). Na matriz calcárea foram reconhecidas células filamentosas calcificadas em meio aos romboedros de calcita, matéria orgânica amorfa e micro laminações com abundantes pelóides contornando um fragmento da seção transversal do fêmur posterior. Interpreta-se que o principal fator responsável pela preservação excepcional dos griloides da Formação Crato é a influência das esteiras microbianas no processo de fossilização. O alto grau de articulação e baixo grau de fragmentação dos espécimes sugere transportes por curtas distâncias ou morte no próprio ambiente de sedimentação, esta última identificada por formas com tégminas abertas. Quando as carcaças chegam ao lago, as esteiras microbianas atuam a partir de quatro vertentes principais: 1) aprisionamento, infiltração e transporte mais rápido das carcaças até a interface água-sedimento; 2) trapeamento dos restos e diminuição da taxa de desarticulação; 3) maior proteção contra a erosão por agentes não-bióticos, como ondas e correntes, bem como por agentes bioerosivos e decompositores; e 4) criação de microambientes particulares que permitem a mineralização das carcaças, seja ela induzida pela atividade das esteiras ou pela auto-litificação dos biofilmes infiltrados nos restos biogênicos. [CNPq, FAPERJ]

Instituições
  • 1 Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Departamento de Geologia, Laboratório de Estudos Paleontológicos, Rio de Janeiro, RJ.
Eixo Temático
  • Cenários: Paleoecologia e Paleoambientes