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O Vale do Rio de las Chinas está localizado a 350 km no norte de Punta Arenas (Província de Última Esperanza, Região de Magallanes y Antártica Chilena). Em esta zona são reconhecidas três unidades litoestratigráficas do Cretáceo Superior – Paleógeno: as formações Tres Pasos (Campaniano), Dorotea (Campaniano superior – Daniano) e Man Aike (Eoceno medio), depositadas em um sistema de bacia de antepaís, no estágio de preenchimento da Bacia de Magallanes/Austral. O objetivo deste estudo é realizar uma análise sedimentológica e paleontológica na vertente oriental do vale, delimitando níveis continentais e marinhos. Deste modo, pretende-se estudar a biota registrada nas assembleias de fósseis presentes. Para isto, 23 colunas estratigráficas foram feitas durante cinco saídas de campo no mês de fevereiro (2015-2019). Foi realizado o reconhecimento do conteúdo fossilífero, icnológico e das fácies sedimentares ao longo da sucessão. A sequência estudada inclui afloramentos da Formação Dorotea, compostos por uma alternância de arenitos, siltitos e, em menor quantidade, conglomerados, e Formação Man Aike, composta por conglomerados e arenitos. Foram reconhecidas quatro sequências de terceira ordem, marcadas por limites abruptos. As sucessões são caracterizadas por um trato de mar baixo (LST) que consiste em fácies continentais associadas a um ambiente fluvial meandriforme, fluvial entrelaçado e lacustre. Em estas fácies se há registrado ossos de ornitísquios, terópodes, saurópodes, mamíferos, sapos, tartarugas, aves e abundante paleoflora fóssil de pteridofitas (Osmundaceae, Schizaeaceae, Cyatheaceae), gimnospermas (Araucariaceae, Podocarpaceae) e angiospermas (Nothofagaceae, Myrtaceae, Malvaceae). Na seção superior, observa-se o desenvolvimento do trato transgressivo (TST) representado por ambientes de _shoreface_ e _foreshore_, (eventualmente _offshore_), com uma fauna marinha composta por bivalves, gastrópodes, briozoários, tubarões, mosassauros e plesiossauros. Análises radiométricas baseadas em zircões detríticos (U-Pb) datam a sequência como sendo do Campaniano superior – Maastrichtiano inferior até Eoceno. [Projeto Fondecyt N°1151389, Projeto Anillo ACT-172099, Estancia Cerro Guido, CAPES/PROSUC].
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