ZONEAMENTO BIOESTRATIGRÁFICO E PALEOCLIMÁTICO (COM FORAMINÍFEROS) DO QUATERNÁRIO SUPERIOR EM UM TESTEMUNHO DO TALUDE DA BACIA DE PELOTAS

Vol. 2, 2019. - 118473
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Abstract

Os foraminíferos planctônicos representam um dos grupos mais importantes para a bioestratigrafia dada a sua rápida variação morfológica. Embora estes microrganismos evoluam rapidamente, quando se trabalha com intervalos de tempo curto, como o Quaternário tardio, não se encontram muitas destas mudanças. A distribuição espacial dos foraminíferos planctônicos atuais é controlada principalmente pela temperatura, podendo assim ser reconhecidas cinco províncias: tropical, subtropical, temperada, subpolar e polar. Dada a forte influência da temperatura, as mudanças paleoclimáticas do Quaternário são registradas na fauna de foraminíferos e baseados nas mudanças reversíveis de composição de fauna de foraminíferos planctônicos, é possível estabelecer zoneamentos bioestratigráficos e paleoclimáticos, como os desenvolvidos para as Bacias de Campos e Santos. O objetivo deste trabalho é avaliar a aplicabilidade destes zoneamentos no talude da Bacia de Pelotas. Para isso foram utilizadas 40 amostras do testemunho SAT-048A, coletado a 1542 m de profundidade, com 3,15 m de recuperação, sem a presença dos 20 cm do topo. O sedimento foi lavado em peneiras de 0,063 mm, seco em estufa a menos de 60°C, peneirado novamente em malha de 0,150 mm e, finalmente, e classificar até nível de espécie um mínimo de 300 foraminíferos planctônicos por amostra. O modelo de idade construído com datações de 14C em Globigerinoides ruber, posicionou o testemunho entre 40 e 5 ka aproximadamente. Foram analisadas as abundâncias relativas do plexo Globorotalia menardii, reconhecendo o final da bioecozona Y e o começo da bioecozona Z, ambas definidas para as bacias imediatamente ao norte. Já o plexo Pulleniatina obliquiloculata e a espécie Globoconella inflata apresentaram uma variação não correlacionável com as outras bacias ao longo de todo o testemunho, inviabilizando assim a detecção das subecobiozonas Y1A e Y1B. Para uma completa avaliação da aplicabilidade do modelo bioestratigráfico, sugere-se analisar testemunhos com maior registro temporal, a fim de registrar as possíveis variações do plexo P. obliquiloculata. Não foi registrada a espécie Globorotalia fimbriata, inabilitando o reconhecimento da subzona Globorotalia fimbriata. A ausência da espécie pode estar relacionada, por um lado, à incompletude do registro para o Holoceno e, por outro, a uma distribuição da espécie restrita a maiores temperaturas.[Projeto CAPES/IODP-Processo: 88887.091727/2014-01]

Institutions
  • 1 Programa de Pós-Graduação em Geociências, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
  • 2 Departamento de Paleontologia e Estratigrafia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
  • 3 Programa de Pós-Graduação em Geociências, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS e Departamento de Paleontologia e Estratigrafia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
Track
  • Tempo: Bioestratigrafia e Datação