UMA NOVA PISTA DE ARTRÓPODE NA FORMAÇÃO LONGÁ, DEVONIANO SUPERIOR DA BACIA DO PARNAÍBA NO ESTADO DO PIAUÍ

Vol. 2, 2019. - 118574
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Abstract

Durante os anos de 1950 e 1960, o geólogo alemão Wilhelm Kegel (1890-1971), contratado pelo Departamento Nacional da Produção Mineral no Rio de Janeiro (DNPM/RJ), trabalhou intensamente na Bacia do Parnaíba, concentrando seus estudos principalmente na região sudeste do Piauí. Kegel descreveu então os primeiros icnofósseis silurianos e devonianos da bacia presentes nas formações Pimenteira, Cabeças e Longá, divulgados através das publicações do DNPM e dos Anais da Academia Brasileira de Ciências e depositados na coleção de paleoinvertebrados do DNPM, atual Museu de Ciências da Terra (SGB-CPRM). Além dos exemplares descritos, Kegel depositou na coleção uma amostra procedente do município de Campo Maior, Piauí, coletado junto a uma cerca de pedra e oriunda de afloramento nas proximidades. A amostra, por não ter sido tombada, permaneceu desconhecida da comunidade científica. Trata-se de uma laje de siltito compacto da Formação Longá contendo uma pista incompleta medindo 58 cm de comprimento. A pista, preservada em hiporrelevo convexo, consiste em um traço largo contínuo, levemente sinuoso, formando um eixo a partir do qual se estendem traços laterais mais curtos, pareados e oblíquos, formando um ângulo de cerca de 45º com o eixo principal e espaçados a cada 3 cm. O traço principal apresenta cerca de 3 cm de largura e diversas ranhuras longitudinais paralelas. Os traços laterais também apresentam ranhuras e são alargados e clavados na extremidade distal, medindo entre 6 cm e 8 cm de comprimento. O material apresenta semelhanças com ocorrências de traços de euripterídeos, limulídeos, isópodes e trilobitas, mas diferindo dos icnogêneros normalmente atribuídos a estes animais. A ausência de marcas definidas das extremidades dos apêndices locomotores, provavelmente devido à plasticidade do sedimento, dificulta uma identificação precisa. Assim, o icnofóssil pode ser interpretado como uma pista de locomoção (_repichnia_) de um artrópode com uma marca contínua de arraste do corpo (como um pigídio ou télson) e marcas laterais de apêndices locomotores, possivelmente correspondendo a uma variação preservacional do icnogênero _Palmichnium_ Richter, 1954. O estudo demonstra o potencial científico e histórico das coleções do Museu de Ciências da Terra, revelando que muito do acervo ainda está para ser descoberto. [Apoio: CNPq Proc. 303004/2016-9].

Institutions
  • 1 CPRM – Serviço Geológico do Brasil, Museu de Ciências da Terra e Departamento de Geologia, Divisão de Estratigrafia, Paleontologia e Sedimentologia, Rio de Janeiro, RJ
  • 2 Universidade Federal do Rio de Janeiro, Museu Nacional, Departamento de Geologia e Paleontologia, Laboratório de Paleoinvertebrados - LAPIN, Rio de Janeiro, RJ
Track
  • Forma: Morfologia e Descrições