SIGNIFICADO SEDIMENTAR E PALEOAMBIENTAL DA ALTERAÇÃO DE COR EM CONCHAS DE MOLUSCOS BIVALVES MARINHOS

Vol. 2, 2019. - 118428
Oral
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Abstract

A perda de coloração natural em conchas de moluscos, e sua consequente alteração para outras cores, tem sido considerada critério tafonômico, com aplicação inclusive em fósseis paleozoicos. De forma geral, conchas com cores alteradas para amarelo, vermelho, ocre refletem sedimentação siliciclástica, onde a presença de íons metálicos é frequente. A coloração alterada para tons de bege ou verde pode refletir micritização e incrustação por algas, frequentes em sedimentos carbonáticos. Além de refletir características geoquímicas com impacto na eodiagênese fóssil, a presença de íons metálicos parece indicativa de ambientes sedimentares favoráveis a preservação de carbonato biogênico. Para testar se o padrão de distribuição espacial na alteração de cor de bioclastos em depósitos biodetríticos na Plataforma Continental Sul Brasileira (PCSB, entre latitudes 26°S e 34°S) apresenta relação com (i) a cor do sedimento e/ou (ii) a presença de depósitos minerais retrabalhados (placeres), foram analisadas amostras (com 150 conchas cada) oriundas de 32 localidades na PCSB. Os bioclastos foram examinados utilizando protocolos tafonômicos padronizados, incluindo alteração da cor original (obtida na literatura específica). Exemplares muito alterados foram submetidos a espectrometria de energia dispersiva (EDS) e imageamento por elétrons retroespalhados (BSE). As cores mais frequentes foram, em ordem decrescente, creme, branca, amarela, ocre e cinza, cuja incidência variou entre 44% e 17%. Depósitos de óxidos estavam presentes em pouco mais de 1% das conchas. Utilizando escalonamento multidimensional não-métrico observou-se que a distribuição espacial do padrão de cores alteradas, inclusive a precipitação de óxidos, reflete a existência de depósitos bioclásticos associados a paleolinhas de costa (onde a exposição subaérea é provável). A análise de variância multivariada com permutação revelou segregação significativa (F = 4,221, p < 0,009) das amostras de bioclastos segundo colorações mais oxidantes (amarela, vermelha e ocre), mais redutoras (cinza e preta), ou descoloridas (cor branca). A EDS e o BSE revelaram que os prováveis agentes da alteração de cor neste contexto sedimentar estão relacionados à precipitação de ferro e manganês, que são importantes aceptores de elétrons nas camadas iniciais do sedimento, de forma que a cor é um importante indicador do estado redox de fósseis ainda não soterrados.

Institutions
  • 1 Departamento de Paleontologia e Estratigrafia, Instituto de Geociências, UFRGS, Porto Alegre, RS.
  • 2 Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal, Centro de Ciências Naturais e Exatas, UFSM, Santa Maria, RS.
  • 3 Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos, CECLIMAR, Campus Litoral Norte, UFRGS, Imbé, RS.
Track
  • I Simpósio Brasileiro de Tafonomia