RECONSTITUINDO A PALEOTEMPERATURA DO ÍNICIO DO EOCENO UTILIZANDO MACROINVERTEBRADOS DA FORMAÇÃO LA MESETA, ILHA SEYMOUR/MARAMBIO, ANTÁRTICA

Vol. 2, 2019. - 118426
Oral
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Abstract

A dinâmica climática ao longo do Período Eoceno se caracterizou por uma fase inicial de esquentamento, seguida de um grande declínio na temperatura na segunda parte do período. O intervalo entre o final do Eoceno e o início do Oligoceno foi marcado pela formação de extensas coberturas de gelo na Antártica, configurando o terceiro episódio icehouse do Fanerozoico da Terra. Com a redução das paleotemperaturas, a biota Antártica sofreu significativas extinções, responsáveis pela configuração biótica atual da região. Fósseis de macroinverterbrados marinhos (bivalves, gastrópodes e braquiópodes) preservados nos depósitos eocênicos da Formação La Meseta (Ilha Seymour, Antártica) podem ser utilizados como indicadores dessas mudanças climáticas e ambientais. A razão dos isótopos de carbono (C<sup>12</sup> e C<sup>13</sup>) e de oxigênio (O<sup>16</sup> e O<sup>18</sup>) na concha desses moluscos potencialmente reflete as mudanças ambientais de curto e longo prazo, as quais se relacionam com as condições paleoclimáticas no momento da precipitação das conchas. Neste trabalho, carapaças carbonáticas de macroinvertebrados foram analisadas com espectrometria de massa IRMS para obtenção dos conteúdos de isótopos de carbono e oxigênio (δC<sup>13</sup> e δO<sup>18</sup>). Para avaliar se o sinal isotópico resultante das análises refletiu a razão isotópica à época da biomineralização, fragmentos das amostras foram destinados à análise sob Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV) para a observação da microestrutura original da concha e determinação da composição elementar por EDS ("Energy Dispersive Spectroscopy"). O conjunto de dados da Formação La Meseta mostra tendência de aumento nas taxas de δO<sup>18</sup>, principalmente a partir do "Máximo Termal do Paleoceno-Eoceno" (PETM, aos 49 Ma).É importante ressaltar que essa mudança não ocorreu de modo contínuo, uma vez que houve oscilação na paleotemperatura, de modo que, com o aumento das taxas de δO<sup>18</sup> prevaleceram as temperaturas mais baixas. A interpretação dessas variações permite compreender o comportamento dinâmico da temperatura, isso faz com que se possa compreender melhor as situações climáticas pretéritas e atuais, podendo assim, prever alguns cenários futuros. Informações adicionais sobre as taxas δC<sup>13 </sup>podem contribuir em futuras reconstruções paleoambientais associado a bioprodutividade, oscilação do nível do mar, taxa de sedimentação, entre outros eventos que estão registrados de forma indireta nos carbonatos analisados.

Institutions
  • 1 Instituto de Geografia, Universidade Federal de Uberlândia, Monte Carmelo, MG.
  • 2 Universidade de Brasília, Brasília, DF.
  • 3 Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, SP.
  • 4 Museo de La Plata, La Plata, Argentina.
  • 5 Universidade Federal de São Paulo, Diadema, SP.
Track
  • I Simpósio Brasileiro de Paleontologia Antártica