PALEOECOLOGIA ISOTÓPICA (δ13C, δ18O) DAS REGIÕES CENTRO-OESTE E NORDESTE DO BRASIL: IMPLICAÇÕES PALEOECOLÓGICAS E PALEOCLIMÁTICAS

Vol. 2, 2019. - 118622
Oral
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Abstract

A Região Intertropical Brasileira (RIB) engloba 13 estados brasileiros e tem sido um ponto chave para diversos estudos paleoecológicos. Na presente comunicação comparamos as datações e valores isotópicos de carbono e oxigênio encontrados em fósseis de megamamíferos do Mato Grosso do Sul (Rio Miranda, Miranda) e da Bahia (Toca dos Ossos, Ourolândia): (1) _Notiomastodon platensis, Toxodon platensis_ e _Eremotherium laurillardi_ para a Toca dos Ossos, Bahia; e (2) _T. platensis_ e _E. laurillardi_ para o Rio Miranda, Mato Grosso do Sul. Na Bahia, _N. platensis_ apresentou a datação mais antiga (27.473- 26.873 Cal yr BP) e uma dieta de consumo quase exclusivo de gramíneas C<sub>4</sub> (_p<sub>i</sub>_C<sub>4</sub> = 0,93 %; δ<sup>13</sup>C = 0.02), próximo ao Último Máximo Glacial. Além disso, seu valor de oxigênio (δ<sup>18</sup>O = 27,00 ‰) foi mais alto que _E. laurillardi_ (δ<sup>18</sup>O = 23,80 ‰) e _T. platensis_ (δ<sup>18</sup>O = 25,09 ‰) da Bahia, que datam do final do Pleistoceno (12.844-12.214 Cal yr BP e 10.790-10.664 Cal yr BP, respectivamente). Esse padrão de diferença de oxigênio pode indicar um aumento da umidade nos últimos 15 mil anos até o início do Holoceno. Para o Mato Grosso do Sul, _T. platensis_ e _E. laurillardi_ apresentaram idades semelhantes (10.073-9.652 Cal yr BP; 10.583-10.059 Cal yr BP, respectivamente), assim como seus valores isotópicos de oxigênio (δ<sup>18</sup>O = 23,63, δ<sup>18</sup>O = 23,74, respectivamente), permitindo sugerir um momento de umidade mais alta para o começo do Holoceno na região Centro-Oeste do Brasil. _E. laurillardi_ apresentou dieta predominante de plantas C<sub>3</sub> pra ambas as regiões (_p<sub>i</sub>_C<sub>3</sub> = 0,99 %; δ<sup>13</sup>C = -12.80 e _p<sub>i</sub>_C<sub>3</sub> = 0,98 %; δ<sup>13</sup>C = -12.77), no entanto, para _T. platensis_ foi observada uma diferença em sua dieta há 10 mil anos nas duas regiões. Enquanto no Mato Grosso do Sul sua dieta é mista com preferências por C<sub>4</sub> (_p<sub>i</sub>_C<sub>4</sub> = 0,64 %; δ<sup>13</sup>C = -4.02), sua dieta é predominantemente composta por plantas C<sub>3</sub> na Bahia (_p<sub>i</sub>_C<sub>3</sub> = 0,92 %; δ<sup>13</sup>C = -11.82). Essas diferenças evidenciam a plasticidade ecológica dessa espécie, sugerindo diferentes predominâncias de vegetação em cada região na transição Pleistoceno-Holoceno. Adicionalmente, nossos resultados sugerem uma diferença climática desde o Último Máximo Glacial para o Holoceno e entre ambas as áreas estudadas. [*Bolsista doutorado CNPq; #PQ/CNPq 308122/2016-0].

Institutions
  • 1 Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, SP e Laboratório de Estudos Paleobiológicos, Departamento de Biologia, Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, SP.
  • 2 Laboratório de Estudos Paleobiológicos, Departamento de Biologia, Universidade Federal de São Carlos, Sorocaba, SP.
  • 3 Center for Applied Isotope Studies, University of Georgia, Athens, GA, USA.
  • 4 Laboratório de Ecologia e Geociências, Instituto Multidisciplinar em Saúde, Universidade Federal da Bahia, Vitória da Conquista, BA.
Track
  • Simpósio de Paleoecologia Isotópica