OSTRACODES DO ANDAR ALAGOAS DA PORÇÃO SUDOESTE DA BACIA DO ARARIPE, PERNAMBUCO, NORDESTE DO BRASIL

Vol. 2, 2019. - 118571
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Abstract

A Bacia do Araripe é reconhecida pela diversidade e excelente estado de preservação dos seus microfósseis. Entretanto, da porção sudoeste, dentro dos limites do estado de Pernambuco, ainda pouco se sabe sob a ótica da ostracodologia. O poço AR-TR-3-PE, perfurado no município de Trindade-PE pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) foi cedido para o desenvolvimento deste estudo micropaleontológico. Um total de 36 amostras de calhas foram coletadas em intervalos de três metros, totalizando 108 metros de profundidade e recuperando as formações Crato, Ipubi e Romualdo. O protocolo usual para recuperação de microfósseis calcários foi adaptado, com a substituição do reagente convencional H<sub>2</sub>O<sub>2 </sub>por imersão em H<sub>2</sub>O. Os espécimes mais representativos foram fotografados em Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV). Até o momento, foram identificadas cinco espécies de ostracodes. Da base para o topo, nos calcários da Formação Crato foram registrados, em grande abundância, representantes de _Pattersoncypris micropapillosa_ Bate, 1972 e o Ostracode 207, nomeado posteriormente como _Damonella grandiensis_ Tomé et al., 2014. Nos folhelhos da Formação Ipubi foi observado um pico de espécimes de _P. micropapillosa_ em todos seus estágios ontogenéticos, sugerindo uma mortandade catastrófica da população em decorrência de um aumento significativo na salinidade. Na Formação Romualdo, microgastrópodes e conchostráceos foram registrados e estavam associados, pontualmente, a espécimes de _Theriosynoecum silvai_ (Silva, 1978), indicativos de redução na salinidade. Como consequência da redução de salinidade houve aumento da diversidade microfossilífera, evidenciada pela presença de _Reconcavona_ ? Krömmelbein 1962, _Pattersoncypris salitrensis_ (Krömmelbein & Weber, 1971), _P. micropapillosa_ , bem como fósseis de outros grupos como dentes e fragmentos ósseos, fragmentos vegetais carbonificados e microsementes. Através dos dados litoestratigráficos integrados à ostracofauna, caracterizada por espécies de ambiente lacustre, foi possível inferir que o paleoambiente se tratava de um lago com hidrologia e salinidade variáveis ao longo do tempo geológico. De idade Aptiano–Albiano inferior, as espécies de ostracodes encontradas permitiram a correlação do Andar Alagoas na Bacia do Araripe com diversas bacias brasileiras, demonstrando o potencial biostratigráfico deste grupo.

Institutions
  • 1 Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de Micropaleontologia Aplicada, Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, LITPEG, Recife, PE.
  • 2 Universidade Federal de Pernambuco, Laboratório de Micropaleontologia Aplicada, Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, LITPEG, Recife, PE.
Track
  • Cenários: Paleoecologia e Paleoambientes