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O Grupo Bambuí compreende uma sequência psamo-pelítica-carbonatada, cuja deposição deu-se durante o Neoproterozoico tardio, possivelmente registrando a transição Ediacarano-Cambriano. Diferentemente dos registros de microbialitos da Formação Sete Lagoas, unidade mais basal do Grupo Bambuí, amplamente estudados com sua rica diversidade de formas, o conteúdo fossilífero da Formação Lagoa do Jacaré permanece inexplorado. A Formação Lagoa do Jacaré marca um segundo ciclo carbonático na deposição intracratônica do Grupo Bambuí. É classicamente definida por seus calcários cinza-escuros, oolíticos, intraclásticos e fétidos. Neste trabalho, é apresentada uma variedade de morfologias estromatolíticas, inédita, encontrada em afloramentos atribuídos à Formação Lagoa do Jacaré em localidades a sul e norte do Estado de Minas Gerais. Incluem formas de baixo relevo sinóptico, como laminitos e complexos de estromatólitos colunar-laminados, colunas tuberosas e sinuosas decimétricas, com diversos padrões de ramificação, além de grandes domos métricos. Análises petrográficas das laminações revelaram uma miscelânea de microtexturas, algumas de origem orgânica como microfábricas micríticas densas e micríticas-peloidais, e horizontes microesparíticos e esparíticos, tidos como de origem química. Microbialitos encontrados na região norte do estado estão comumente em associação lateral com ruditos intraclásticos, porém raramente incorporam aloquímicos em suas laminações, enquanto ocorrências ao sul são marcadas pela inclusão de grãos de regiões proximais de quebra de onda. Finalmente, a investigação das microtexturas também identificou microfósseis. Alguns são possivelmente produtos da calcificação e/ou micritização de filamentos bacterianos, já outros se assemelham a calciesferas e são divididos em dois morfotipos. A possível calcificação de elementos da esteira microbiana se manifesta como massas micríticas arbustivas e filamentosas, com cerca de 500 a 700 μm de comprimento. O primeiro morfotipo das calciesferas é marcado por elementos circulares de parede micrítica, com perfurações radiais que penetram a última. O segundo, por sua vez, é formado por uma parede dupla, de calcita esparítica e micrítica, respectivamente, e também apresenta estruturas radiais que ultrapassam suas paredes. Tais microfósseis possuem diâmetros que variam de 85 a 320 μm. As ocorrências descritas aqui aumentam, significativamente, as informações a respeito da paleobiota da Formação Lagoa do Jacaré, além de contribuir para tornar mais abrangente a caracterização sedimentológica e paleoambiental desta unidade [CAPES].<br />
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