MICROBIALITOS MESO/NEOPROTEROZOICOS NO COMPLEXO BATOVI, SÃO GABRIEL, RS. EVIDENCIA DO REGISTRO DE VIDA MAIS ANTIGO NO ESCUDO SUL-RIO-GRANDENSE?

Vol. 2, 2019. - 118322
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Abstract

A formação da Terra se deu a aproximadamente 4,5 Ba, no Hadeado. A atmosfera primitiva sofreu transformações e no Arqueano os mares foram se tornando oxigenados, dentre outros fatores, pelo surgimento dos primeiros organismos, com estrutura celular simples, chamados procariontes. Estas formas de vida primitiva foram encontradas em esteiras microbianas e bioconstruções com relevo, denominados de estromatólitos, a aproximadamente 3,5 Ba na Austrália. No Brasil os estromatólitos são conhecidos desde o Pré-Cambriano ao Fanerozoico, em unidades cronoestratigráficas distintas, normalmente associados a rochas carbonáticas. No Rio Grande do Sul, o Escudo Sul-rio-grandense apresenta diversas ocorrências de metacarbonatos pré-cambrianos. O Complexo Batovi, localizado a sudoeste da cidade de São Gabriel, representa uma dessas ocorrências, sendo caracterizado por uma sedimentação marinha cujos registros atuais podem ser observados associados ao Lineamento de Ibaré, no limite entre os Terrenos Taquarembó e São Gabriel. O Complexo Batovi é formado por rochas metassedimentares de origem siliciclástica, vulcanoclástica e carbonática, intercaladas com rochas vulcânicas e granitos. A idade de proveniência U-Pb em zircão dos metarenitos associados aos metacarbonatos do complexo é de 1,7 Ba e a idade do metamorfismo Rb-Sr em rocha total (isócrona com os metarenitos e metacarbonatos) é de 670 Ma. Portanto, até o momento o complexo é considerado de idade meso/neoproterozoica. Sob ponto de vista paleoambiental o Batovi representa uma sequência formada por depósitos de fundo marinho, de plataforma continental, turbidíticos progradantes e depósitos arenosos de mar raso. Nas rochas carbonáticas (metamargas), foram encontradas estruturas sedimentares laminadas e por vezes dômicas, centimétricas, que ao serem analisadas sob ponto de vista macroscópico, petrográfico e geoquímico, estão aqui sendo sugeridas como esteiras microbiais. A ocorrência dos microbialitos é observada tanto em macroescala, evidenciada pela caracterização bioarquitetural, com morfologia planar, quanto na microscopia óptica, através de filmes milimétricos de matéria-orgânica, intercalados com lâminas siliciclásticas e carbonáticas nas metamargas. Assim, a partir do estudo das rochas metassedimentares do Complexo Batovi, podem ser inferidas informações sobre eventos de sedimentação e metamorfismo, auxiliando no entendimento da formação da sedimentação, evolução tectônica regional e com este achado de microbialitos, na discussão sobre o reconhecimento da existência de vida primitiva no Escudo Sul-rio-grandense.

Institutions
  • 1 Instituto de Geociências Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
Track
  • Tempo: Bioestratigrafia e Datação