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Em 2007, a publicação _Proceedings of 10th International Symposium on Antarctic Earth Sciences_ recebeu o instigante título de _Antarctica, a keystone in a changing world_. Passados 12 anos daquele evento, que considerou a Antártica peça-chave na compreensão dos eventos climáticos globais e suas alterações, os novos estudos confirmam este importante papel? A análise da produção cientifica tem demonstrado que, embora não possamos estender a influência do continente austral às proporções globais por si só, sua história e paisagem atual são e foram realmente críticas no controle da vida e do clima do Hemisfério Sul. E, num mundo mergulhado no temor constante sobre os efeitos do aquecimento global, o avanço no conhecimento sobre os fósseis e as rochas da Antártica permite observar um processo de caráter oposto, ou seja, de um mundo que nos últimos 33 milhões de anos (dado variável entre os distintos autores) tornou-se cada vez mais frio, numa proporção só conhecida para o início do Carbonífero. Como lidar com este paradigma? E como usar o registro fossilífero como um _proxy_ para buscar a causa destas mudanças? Para compreender estes processos é importante inicialmente saber que a moderna cobertura de gelo esconde dois setores com uma história geológica muito distinta, o Continente e a Península Antártica. O primeiro é conhecido por seus depósitos do final do Paleozoico e Triássico, que confirmam as ligações gondwânicas. Na Península, são registrados os eventos subsequentes e uma afinidade restrita com a Austrália, Nova Zelândia e América do Sul, esta a última a se separar da Antártica no Eoceno-Oligoceno. Definitivamente isolada e numa posição polar, um fluxo circular de águas frias denominado Corrente Circumpolar (CCA), passa a contornar a Antártica e garante sua gradual cobertura pelo gelo. Hoje a influência da CCA sobre o clima e a manutenção da vida nas áreas subtropicais e temperadas é facilmente atestada nas imagens de satélite e aceita por um grande número de pesquisadores. A união das informações obtidas nos dois setores da Antártica permite acompanhar a história da vida durante mais de 300 milhões de anos, e demonstra que a sobrevivência e a radiação evolutiva de muitos grupos de organismos no globo aquecido (_greenhouse_) do final do Mesozóico e Paleogeno dependeram do novo desenho dos continentes e mares após a separação, capaz de ampliar a vigência de climas úmidos. Como resultado, muitos componentes das floras fósseis antárticas (ou Weddellianas) ainda hoje crescem no Hemisfério Sul e informam sobre as ligações terrestres mantidas até o final do Eoceno entre a Península e a Patagônia e sobre como a vida ajustou-se à subsequente brusca queda nas temperaturas (_icehouse_). Por outro lado, permite prever que, caso retornem as condições de calor, ampliando as áreas tropicais e elevando o nível global do mar, a dispersão e a sobrevivência das floras e faunas hoje distribuídas em latitudes superiores a 30o no Hemisfério Sul tornar-se-á critica.
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