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Os Baurusuchidae representam o grupo mais diverso de Crocodyliformes da Formação Adamantina, com oito espécies descritas, sendo todas predadoras, terrestres e cursoriais. Expedições do Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto a afloramentos de tal unidade estratigráfica no município de Jales-SP resultaram na coleta de um novo espécime (LPRP/USP 0697) preliminarmente associado à _Baurusuchus pachecoi_. Tal espécime é composto por crânio completo e pós-crânio parcial, ambos em ótimo estado de preservação. De maneira geral, descrições de Crocodyliformes são baseadas principalmente em elementos cranianos, que tendem a ser mais detalhadamente analisados. Como consequência, as matrizes filogenéticas morfológicas do grupo apresentam a maior parte de seus caracteres relacionados ao crânio. Apesar das descrições de muitas espécies de Baurusuchidae serem relativamente recentes, a morfologia do grupo não tem sido sistematicamente analisada por meio de tomografia computadorizada (CT-scan). Visando preencher tal lacuna, o espécime em questão foi tomografado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, permitindo sua reconstrução digital. As imagens estão sendo tratadas utilizando o software Avizo 7.0, que permite a remoção de sedimentos e segmentação de cada osso, isolando-os digitalmente e avaliando feições de difícil acesso. Desta forma, diversas áreas do crânio foram mais adequadamente visualizadas para descrição, como detalhes do entalhe no contato pré-maxilar-maxilar, o contato ectopterigoide-jugal, a superfície lateral do ectopterigóide e a morfologia do osso pterigoide, revelando canais para passagem de nervos e vasos sanguíneos. Ossos que compõe o neurocrânio, como o láteroesfenoide (elemento pouco conhecido morfologicamente em Baurusuchidae devido ao difícil acesso) puderam ser observados e impressões internas nesse osso e no frontal mostram o local onde o cérebro estaria posicionado. Aspectos relevantes da região coanal também foram observados, como a morfologia do septo coanal, ajudando a melhor compreender a anatomia do palato deste grupo. Esse conjunto de informações permitiu a identificação de uma combinação única de caracteres para LPRP/USP 0697, bem como a realização de uma análise filogenética prévia incluindo o material, a qual posicionou o espécime como grupo-irmão do clado Baurusuchinae, podendo assim representar um novo táxon de Baurusuchidae. [FAPESP 2019/06311-4].
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