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A variação temporal do tamanho corporal dos tetrápodas tem atraído a atenção dos naturalistas desde a Antiguidade. Diversos fatores podem favorecer o aumento ou diminuição do tamanho ao longo do tempo. Por exemplo, manutenção mais eficiente da temperatura corporal e melhor defesa contra predação tem sido postulados como processos relacionados ao aumento do tamanho em mamíferos terrestres (Regra de Cope). Outras linhagens apresentam em sua evolução momentos de miniaturização e estabilização em uma faixa de tamanho ótimo. Tal miniaturização foi associada à evolução da capacidade de voo em aves e à utilização de nichos mais restritos em anfíbios. Assim, características do hábitat podem dirigir as tendências de evolução do tamanho corporal. Neste trabalho utilizamos tartarugas Pleurodira para testar se a evolução do tamanho corporal de linhagens aquáticas continentais e aquáticas costeiras apresentaram modos evolutivos distintos. Questionamos se modelos evolutivos com forças de atração distintas para cada ambiente explicariam melhor a evolução de Pleurodira comparados a modelos com um único padrão, independentemente de seu hábitat. Hipotetizamos que linhagens de diferentes hábitats apresentam diferentes modos evolutivos e não apenas um único, como aquele explicado pela Regra de Cope. Foram utilizados 153 táxons (extintos e viventes) para a reconstrução da história evolutiva do grupo, a partir da abordagem de evidência total por inferência bayesiana, no software Beast. Com a hipótese filogenética gerada por evidência total foram testados diferentes modelos evolutivos usando o pacote OUwie na plataforma R. O modelo evolutivo que mostrou melhor ajuste aos dados foi o modelo de evolução diversificadora com ótimos e taxas de movimento browniano distintos, para cada um dos hábitats considerados (AIC = 1,68). O valor ótimo para os pleuródiros aquáticos continentais foi menor do que para os costeiros (tamanho da carapaça ≃23 cm e ≃30 cm, respectivamente). Diferente de uma tendência geral ao aumento temporal do tamanho, a história evolutiva dos Pleurodira se ajusta melhor a um modo estabilizador múltiplo de evolução. Assim, parece haver ótimos distintos para o tamanho corporal como preferíveis em diferentes ambientes, podendo sugerir que grupos costeiros encontram menos competição neste ambiente, quando comparados às linhagens aquáticas continentais. [FAPESP processo nº: 2018/10276-7]
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