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Os marsupiais compõe cerca de 7% dos mamíferos viventes, distribuídos principalmente na Austrália e América do Sul. Entre eles, os Didelphidae (gambás e cuícas) correspondem, em sua maioria, a animais noturnos e crepusculares, de pequeno porte, que ocupam florestas tropicais. Os objetivos deste trabalho foram: i) estimar as áreas de origem e diversificação dos Didelphidae com base em análises probabilísticas, e ii) contrastá-las ao registro fossilífero do grupo. Partiu-se de uma filogenia datada de marsupiais previamente publicada, baseada em genomas mitocondriais e diversos _loci_ nucleares. Estabeleceu-se a distribuição geográfica atual das 44 espécies de Didelphidae amostradas, bem como do grupo externo selecionado (_Dromiciops gliroides_, Microbiotheria). Para isso, foram delimitadas nove áreas de ocupação, baseadas nas ecorregiões sulamericanas. As análises foram conduzidas utilizando o pacote BioGeoBEARS do ambiente R, e contaram com cinco intervalos de tempo, delimitados pelos seguintes episódios: Grande Intercâmbio Biótico Americano (2,7 Ma); soerguimento da porção norte dos Andes (10Ma); trangressão marinha na Amazônia e bacia do Paraná (55 Ma); redução do nível do mar no Cretáceo tardio (70 Ma); e Cretáceo inicial (95 Ma). As probabilidades de dispersão foram estabelecidas com base na adjacência das áreas e na presença de barreiras geográficas, atuais ou pretéritas. Foram executadas seis análises diferentes sobre a mesma topologia: DEC, DIVALIKE e BAYAREALIKE, e suas equivalentes com adição do parâmetro _w_. O modelo DEC forneceu o melhor ajuste estatístico aos dados, mas todos os modelos testados indicaram a Amazônia como área de origem mais provável de Didelphidae, há cerca de 38 Ma (Eoceno tardio), quando uma floresta tropical úmida já estaria presente na região. A dispersão para outras áreas teria se iniciado no Oligoceno tardio, e se intensificado a partir do Mioceno médio. Quanto ao registro fossilífero, o mais antigo Didelphidae foi reportado para o Mioceno inicial da Patagônia, seguido por registros no Mioceno médio da Colômbia, e no Mioceno tardio do Acre e da Argentina. Assim, a carência de fósseis que documentem a evolução do grupo durante o Paleógeno provavelmente está relacionada à ausência de depósitos desta idade em baixas latitudes, onde os Didelphidae são mais diversos até os dias atuais.
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