A DIVERSIDADE DE ANUROS DA FORMAÇÃO CRATO (BACIA DO ARARIPE, NE BRASIL) E SUAS IMPLICAÇÕES BIOESTRATINÔMICAS, PALEOECOLÓGICAS E TAXONÔMICAS

Vol. 2, 2019. - 118457
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Abstract

"Os anuros são ecologicamente diversos e apresentam colorações características variadas, muitas vezes, ligadas a mecanismo de defesa, predação ou atração sexual. Os primeiros registros de _stem-anura_ datam do Triássico Inferior, enquanto o grupo coronal Anura é datado ao menos do Jurássico Médio. No Brasil, os anuros mesozóicos se restringem à Formação Crato (Cretáceo Inferior, Bacia do Araripe) e ao Grupo Bauru (Cretáceo Superior, Bacia do Paraná). Ainda que o primeiro conte com o maior registro, poucos são os estudos de cunho tafonômico, fato que pode dificultar e até mesmo tendenciar interpretações paleobiológicas e taxonômicas. Aqui apresentamos um novo espécime de anuro da Formação Crato depositado no Instituto de Geociências da USP (número de tombo: GP/2E-9497), comparando-o com as ocorrências prévias da literatura. Buscamos elucidar as perspectivas tafonômicas (bioestratinômicas e fossildiagenéticas) e sua possível afinidade taxonômica. Como resultado, identificou-se a presença de 17 espécimes divididos em quatro espécies. Os espécimes representam estágios pós-metamórficos com tamanho rostro-cloacal que varia entre 16.0 a 43.9 mm. Em sua maioria, apresentam elementos esqueletais em posição de articulação, com alguns indivíduos também exibindo tecidos-moles preservados. Como outros anuros, o espécime GP/2E-9497 é um indivíduo pós-metamórfico, cujo tamanho total é estimado em 38.8 mm. Também apresenta todos elementos ósseos com presença extensiva de tecidos moles, especialmente olhos e pele. A presença de estruturas delicadas como dígitos e tecidos-moles, sugere uma rápida preservação, com um intervalo de poucos dias entre a morte e o soterramento final. É possível que alguns espécimes tenham habitado regiões mais interiores, mas não distantes do corpo d'água, enquanto outras deveriam habitar regiões de borda e/ou coluna d'água do paleolago Crato. Em ambos casos, a ação do transporte e alteração foi mínima. Além disso, a presença de esteiras microbianas no paleolago pode também ter favorecido o soterramento e preservação excepcional. Deste modo, a condição excepcional de preservação torna estes animais fortes indicadores bioestratinômicos. Assim, anurofauna da Formação Crato prova ser um excelente modelo para ensaios tafonômicos e paleoecológicos, os quais podem auxiliar em futuros estudos para inferências paleobiológicas e taxonômicas. [CNPq 2018-473].

Institutions
  • 1 Laboratório de Paleontologia e Invertebrados, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP.
  • 2 Laboratório de Paleontologia, Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SP.
  • 3 Laboratório de Estudos Paleobiológicos, Universidade Federal de São Carlos, Campus Sorocaba, Sorocaba, SP.
  • 4 Laboratório de Paleobiologia, Universidade Federal do Pampa, São Gabriel, RS.
Track
  • I Simpósio Brasileiro de Tafonomia