Vivências com mulheres quilombolas: uma experiência de interculturalidade na formação médica
Introdução: A assistência biomédica é confrontada por diferentes racionalidades e diversidades culturais. Assim, ratifica-se a importância da formação de médicos que forneçam assistência culturalmente competente e que respeitem questões de gênero, principalmente para populações vulneráveis, como as de quilombolas no Brasil. Objetivo: Evidenciar como a aproximação com a cultura de mulheres quilombolas auxilia na formação intercultural em saúde. Metodologia: Relato de experiência de graduandos em Medicina, participantes do projeto de pesquisa “Saúde Reprodutiva e Prevenção do Câncer de Colo Uterino de Quilombolas: Perfil e Cuidado Intercultural” realizado no quilombo Kalembá, no Recôncavo baiano. No projeto, foram discutidos temas relacionados a Saúde da População Quilombola, Teoria Transcultural do Cuidado e a Etnomedicina. Ocorreram visitas para o desenvolvimento de pesquisa e extensão na comunidade. Após as visitas, os discentes responderam à pergunta: “As vivências no quilombo influenciam na sua formação?”. As respostas foram transformadas neste relato. Resultados: Todos os participantes ressaltaram que as vivências na comunidade causaram sensibilização sobre a importância da competência cultural na formação. O contato com as quilombolas permitiu conhecer as concepções de saúde e as demandas da população de mulheres. Foram observados diversos fatores de vulnerabilidade, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde e a carência de profissionais culturalmente competentes. A aproximação com a comunidade demostrou a urgente necessidade de diminuição das iniquidades em saúde e das dificuldades de acesso aos serviços. Conclusão: As vivências exerceram influência na formação na medida em que provocaram reflexões sobre a necessidade da competência do profissional médico no contexto das especificidades culturais. Ressalta-se que a aproximação com a comunidade permitiu compreender como fatores, como construção sócio-histórico-cultural, biológica e ocupacional, impactam na saúde das mulheres. O contato com as mulheres quilombolas evidenciou que a interculturalidade pode contribuir para uma formação eticamente compromissada, culturalmente competente e socialmente justa.