Um olhar além da visão
No curso de graduação em medicina da FURB, dispusemos da disciplina de interação comunitária. Num período de atividades sociais em campo, nos deslocamos à E.B.M. Felipe Schmidt. No local, direcionamos a ação às crianças do 1º e 2º anos do ensino fundamental, a qual remeteu-se à realização de um exame de acuidade, partindo do projeto Visão para o Brasil com as crianças. Esse teste prescindiu diante da dificuldade de acesso por parte da população à oportunidade de cuidar de sua saúde visual. Em crianças, essa carência de análises oculares desencadeiam prejuízo no próprio desenvolvimento escolar, podendo serem vitimadas de bullying, além do projeto declarar que a cada minuto uma criança perde a visão, sendo que 40% desses casos são evitáveis. Isso fez com que nós olhássemos os alunos como pessoas iguais à nós, pelo fato de algumas crianças terem caído no desespero e temor da existência de uma possibilidade de necessitar usar óculos. Uma delas remeteu-se a uma garotinha, que nos disse que não queria usar óculos após diagnosticarmos baixa qualidade visual. Diante disso, numa tentativa de confortá-la, posicionamos o óculos de um colega nosso e demonstramos que o fato da necessidade de usar tal equipamento é indiferente à beleza, e, para lhe acalmar, dissemos que ela fica até mais bonita com o mesmo. A resposta dela ao que lhe dissemos ainda persiste em minha memória: "Não é que é fico mesmo mais bonita de óculos!", e a felicidade da ausência do medo de usar óculos a acompanhou. Diante desse episódio, gerou-se, na turma, um sentimento de empatia caso esse método ocular seja necessário à alguma criança. Tal fato remete-se à um exemplo de promoção de saúde, e a gratificação de poder melhorar, nem que seja apenas uma pequena parcela, a vida de uma pessoa, é, e sempre será, única.