Tuberculose pulmonar: perfil clínico-epidemiológico dos pacientes referenciados ao nível secundário no Pará
Introdução: No Brasil, a tuberculose pulmonar ainda obedece a todos os critérios de priorização de um agravo em saúde pública: magnitude, transcendência e vulnerabilidade. Neste contexto, foi lançado na década de 90 o Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT). O PNCT reconhece a importância de horizontalização do combate à tuberculose em todos serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) e em todos os seus níveis de atenção. Objetivos: Avaliar o perfil clínico-epidemiológico, as principais comorbidades e exames complementares dos pacientes referenciados para um ambulatório de nível de atenção secundário. Avaliar também se os critérios de referenciação seguiam as recomendações do PNCT. Métodos: Estudo retrospectivo, transversal e descritivo de dados obtidos a partir de fichas protocolares de 148 prontuários do Hospital Universitário João de Barros Barreto em Belém do Pará, no período de janeiro a dezembro de 2012. Resultados: Prevalência do sexo masculino e faixa etária entre 21 e 30 anos. 38,5% dos pacientes desconhece contato prévio com portador de tuberculose. Os sinais/sintomas mais prevalentes foram febre (54,7%), tosse produtiva (47,3%) e emagrecimento (36,5%). 28,4% foram encaminhados ao nível secundário sem exames complementares (48,1% sem BAAR e 52,8% sem radiografia de tórax). “Solicitação de elucidação diagnóstica” foi o motivo do encaminhamento mais prevalente (35,1%), seguido por motivos outros não citados no PNCT (27%). 82,4% dos pacientes não possuíam comorbidades. A maior parte dos pacientes teve confirmação diagnóstica de tuberculose pulmonar, seguido dos casos em que esse diagnóstico foi descartado. Em ambos os casos, a principal conduta foi a contra-referência para seguimento em atenção primária. Conclusão: Este trabalho demonstra que a atenção primária pode apresentar limitações na identificação de casos suspeitos, diagnóstico e seguimento dos usuários com tuberculose. Evidencia-se, dessa forma, a necessidade de capacitação dos profissionais que atuam nesse seguimento para o cumprimento adequado do PNCT.