Tromboembolismo pulmonar : quando a prevenção quaternária pode evitar um desfecho anunciado.
INTRODUÇÃO Tromboembolismo pulmonar (TEP) pode ser grave e uma das causas é a obstrução mecânica de vasos pulmonares, causada por êmbolos originados em veias profundas sistêmicas. Manifesta-se principalmente por dispneia, dor torácica, taquicardia e tosse. Tem incidência anual de 60:100.000 pessoas. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA Mulher, 39 anos, eutrófica, portadora de varizes de membros inferiores (MMII) e hemorroidas iniciou o uso de contraceptivo oral combinado gestodeno+etinilestradiol (60/15 mcg) em abril de 2016, devido à dismenorreia. Dois meses após apresentou quadro súbito de dispneia, tosse seca e dor torácica. Angiotomografia computadorizada de tórax evidenciou TEP. Permaneceu internada por um mês em uso de warfarina e heparina. Na alta hospitalar foi orientada a manter warfarina 5mg/dia e realizar controle ambulatorial monitorando RNI, que se manteve dentro de alvo terapêutico. Exames de fator antinuclear, ecodopplercardiograma transtorácico e radiografia de tórax estavam dentro de parâmetros aceitáveis. Em fevereiro de 2017 apresentou quadro semelhante, sendo diagnosticado novo TEP. Nega sedentarismo, etilismo, tabagismo, outras comorbidades e uso de outros medicamentos contínuos. História familiar positiva para trombose. Ao exame físico geral não apresentou outras alterações, à exceção de manutenção de dispneia aos esforços. DISCUSSÃO A idade, a história familiar de trombose, varizes de MMII e hemorroidas são preditores para a ocorrência de trombose e os contraceptivos orais combinados estão relacionados a aumento do risco de eventos trombóticos em mulheres saudáveis. A prevenção quaternária tem em seu conceito chave melhorar a qualidade de vida da população reduzindo intervenções e medicalização excessivas. CONCLUSÃO A observação dos fatores de risco presentes, a utilização dos princípios da prevenção quaternária, incluindo a não prescrição do contraceptivo oral combinado, poderiam ter evitado a ocorrência de desfecho desfavorável para a paciente e para o serviço de saúde.